domingo, 13 de dezembro de 2009

Fly me to the moon - Frank Sinatra




Fly me to the moon
Let me play among the stars
Let me see what spring is like on
Jupiter and Mars

In other words, hold my hand
In other words, baby, kiss me

Fill my heart with song
And let me sing for ever more
You are all I long for
All I worship and adore

In other words, please be true
In other words, I love you

Fill my heart with song
Let me sing for ever more
You are all I long for
All I worship and adore

In other words, please be true
In other words
In other words
I love you

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Eu gosto!!!



Entrando no Clima com My Sweet Lord - George Harrison!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

(...)


A paixão cresce na mesma medida que a rejeição, mas isso sempre foi assim. Foi sempre assim e sempre doeu. É um incômodo. É uma dor. E como dói! Quando saio todas as manhãs para observar o dia e, eventualmente, me apaixonar de novo. Não esperava que aquela paixão arrebatadora tomasse meu coração. Acho tudo isso muito engraçado e dou risadas despretensiosas. Mas aos poucos vou tomando consciência que já não posso controlar esse sentimento e aos poucos o riso cessa. O silêncio é assustador. A paixão intimida. Sinto medo. Volto a sorrir. A paixão vence e me silencia. Estou apaixonada! (Constatação!) Posso ser/estar boba, mas não sou burra. Sinto que você também está. E por mais que tente disfarçar os seus olhos já te entregaram. A paixão me cegou tanto que já não enxergo outra pessoa em minha direção. Apenas você. A paixão é tão grande quanto a minha dor. E às vezes sinto um tremor tão intenso como se estivesse a um segundo da morte. E é nessa hora que a vida se revisa diante dos meus olhos. Toda paixão que senti foi apenas um ensaio para a paixão que sinto por você. Não podia desviar meu olhar do seu, pois o visgo já havia me prendido. E eu nem tentei ir contra. Meus olhos de ressaca se intrometeram em seu itinerário e fui capturada pela paixão. A vida se enche de esperanças com você em minha íris. Quando você passou por mim só restava fazer uma coisa naquele instante: olhar para trás, olhar para você. E prometer a paixão que jamais sentira. A paixão que fizera meu peito arder como em doença. Sua passagem por mim foi tão rápida. Dois ou três segundos. Milésimos talvez. Naquela troca de olhares eu era só íris e compreensão. Passei a compreender a vida ali, exatamente, ali. As coisas pareciam mais significativas. O mar. O sol. As gaivotas aos pares. As flores no jardim. Os apelidos amorosos. Poderia falar para você não ir e tocar em sua mão e pedir para ficar. Mas eu também tinha que seguir. A paixão me deixou tonta e, extremamente, desnorteada. A paixão amoleceu meu coração. Estou tão feliz e cheia de vida. Minha vida começara ali naquele instante...

domingo, 8 de novembro de 2009

(...)


Já faz um tempo que queria te escrever essas palavras. Hoje é domingo e tomei um gole de coragem sem gelo. Todas as palavras que escrevo. Todas as minhas buscas. São para você. São para um segundo seu. Para me ver refletida em seus dentes. Espero horas. Às vezes dias e semanas. Para te abraçar por cinco segundos. Para sua mão tocar em meu rosto por milésimos. Investigo seus horários e roteiros. Para esbarrar em você por acaso. Escrevo poemas. Canções de amor. Ensaio palavras em francês. E tudo isso é para ter você perto de mim. Todas essas palavras são para te sentir. Todas as coisas que acontecem comigo são guardadas para você. Escrevo cartas de amor e um dia entregarei. Ensaio bom dia. Eu quero escrever, mas as palavras escorrem. Escorrem rapidamente e já não consigo alcançá-las. Eu sei que pareço boba, mas o amor me deixa assim. E se quiser podemos nos encontrar na próxima esquina. Até quando posso esperar? Até o seu tempo, pois o meu é sempre tarde e urgente. Eu quero pegar o tempo para nós. Eu quero não ter pressa com você. O que você quer? O que você pensa? Me diz, talvez possa realizar suas vontades. Desejo ser sua camiseta favorita. Ser suor. Seus cílios. O que você quer falar? Fala! Você desacredita do amor? Como pode? Se ele está aqui e me faz caminhar. Sente meu desespero, minha agonia, minha angústia... Isto é amor. Vem me aquietar. Estou tão confusa, falante e você continua tão elegante tomando seu café. Gosto de estar ao seu lado e sentir o vento de sua mão enquanto você fala gesticulando. Observo, atentamente, seus passos macios e parece sempre que pisa com pantufas. Ouço aquela canção e lembro de você. Já faz tempo que quero te escrever essas palavras. Ah, há muito tempo que quero! Mas às vezes sou tão tímida e desajeitada. São tantos planos. Sonhos. Curvas e uma direção contigo ao meu lado. Meu pulmão adoece sem seu perfume. Eu tento dizer em palavras aquilo que sinto explodir em mim. É como se eu pudesse ouvir o som da bolha de ar quando explode. Eu tento escrever aquilo que vejo através de você, mas... Como é que se diz? Eu tento dizer...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Hoje é dia de festa!!!

Hoje é dia de festa!
É dia da minha festa.
É um dia muito especial!
O dia em que me sinto mais feliz!!!
E esse bolo aí de cima representa muito do que sou e do que vivo.
Gosto muito de cores e de alegria.
E de viver a vida de uma maneira colorida, ou seja, sorrindo.
Mesmo com todas as dificuldades.
O bom mesmo é ser feliz e sorrir para tudo e com todos.
Gostaria de empoemar a vida de todos vocês hoje, como um ventinho de final de tarde.
Para que vocês pudessem compartilhar comigo a alegria que estou vivendo!!!!
Parabéns para mim!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

(...)


Apenas por hoje e nesse instante. Apenas por agora. E não depois. Nesse segundo e não no próximo. Preciso do seu colo. Preciso deitar minha cabeça sobre suas pernas. Preciso que você enrole meu cabelo com as pontas dos seus dedos. Preciso de um cafuné. Minhas pernas encolhidas no sofá. Queria mesmo caber inteira em seu colo. E lá ficar até o medo passar. Meu corpo todo em seu colo. Tento me encolher ao máximo, mas minhas pernas são compridas. E numa tentativa desesperada de fazer parte de você. De estar em você. Sento em seu colo. Seus braços me abarcam. Enrosco minhas pernas nas suas. Abraço você bem forte. Minhas mãos trêmulas apertam suas costas com força. Minha cabeça lado a lado com a sua. Olhamos em caminhos opostos. Poderia ser sua guardiã, mas nesse momento. Nesse momento em que escrevo. Preciso de sua proteção. Preciso que você não fale nada. Apenas faça algo para acabar com minha dor. É verdade não preciso de muitas coisas. Somente do seu carinho e bem querer. Por favor, nada fale! Continue abraçando meu corpo com toda força que tiver em seus braços. Continue apertando meu corpo ao seu. Continue somando-se a mim. Agora nesse instante e não próximo. Nesse segundo em que te escrevo e no próximo quando parar...

sábado, 10 de outubro de 2009

Algumas Palavras para a minha D-I-V-A, D-I-V-A minha


Hoje é o seu aniversário!!! E fiquei pensando em um presente bem legal. Um presente daqueles que ao abrir você possa falar: Uauuuuu!!!!!!! Mas eu só tenho um punhado de palavras em minhas mãos e essas palavras já foram apresentadas a você. Eu tenho também em meu peito um cadinho de carinho imenso que sinto por ti. Eu gostaria de desejar lhe todas as maravilhas do mundo, mas será que já não as têm? Bem, aí vão as palavras repetidas sim, mas o carinho, o amor, a admiração que sinto renova-se a cada dia na saudade que carrego. Feliz Aniversário!!!!

As palavras exigiram ser escritas para você. O que posso fazer logo eu uma aprendiz de poeta amadora senão escrever? Escrevo pela missão que foi imposta a mim. Escrevo, porque preciso das palavras para viver, respirar. Eu sou apenas um meio entre as palavras e sua realização. O papel dedicado a mim nesse texto é somente o de mediadora. Eu sou somente um instrumento. As palavras seguem seu rumo. Eu apenas escrevo como um ato involuntário. Escrevo para quem sabe um dia apropriar-me da escritura que apropria-se de mim. Mas esse texto que insiste em ser escrito nesse momento não é sobre mim e nem sobre o texto. Esse texto é para/sobre você. Para você sorrir e sentir-se abraçada nessas palavras. São palavras de conforto e carinho. De cuidado e admiração. De encantamento e paixão. Eu apenas gostaria que você soubesse o quanto sou feliz por tê-la conhecido. Mas antes eu gostaria de falar que para escrever para você meu coração enche-se de ternura. O sentimento percorre em mim e transborda em cada palavra desse texto – texto poema. Eu queria mesmo era ter uma voz bem forte para cantar uma canção de jazz ou blues para embalar você. Eu gostaria de pedir emprestado a voz de Amy e cantar especialmente para você. Eu gostaria de ir além e encantar você com minha música, mas cantora não sou. Sou uma amante das palavras que se encantou ao ouvir o seu – Boa noite! – Que encantou-se ao ouvir sua voz declamando poemas nas aulas perfeitas de lírica. Que narrador caberia a mim nesse texto que escrevo? A emoção que penetrava em meus poros entrava em minhas veias e explodia em meu frágil coração que saltitava desesperadamente feliz. Meu coração explodia em meu peito. Gostava mesmo de fingir que você não estava na sala e, assim, poderia levantar os olhos tranquilamente e encontrar os seus casualmente. Dessa forma, brincava com a emoção, porque sentimentos bons podem e devem repetir-se sempre. Isso faz bem. O que eu queria mesmo era poder seqüestrá-la um dia e levá-la para os federais. Eles, os federais, são tão canônicos, cansativos e chatos. Precisamos, nós os alunos, de você! Precisamos que você desperte em nós o tesão, provoque o desejo em descobrir o novo. Ou mesmo que posamos (re)conhecer o antigo com outros olhos, com novos olhares, outras perspectivas. Os federais me deixam frustrada e me fazem brochar. Deixemo-los de lado e suas vidas incolores. Sayo, DIVA minha, já não sei o que escrever para/por/sobre você. Seria como se eu tivesse a força em escrever o indescritível. De narrar o inarrável. Mas eu ainda posso falar algumas coisas que não foram ditas. Quando você adentrou naquela sala parecia que a noite tinha se transformado em dia. Ainda melhor poderia afirmar que você foi o sol que iluminou rostos repletos de nervosismos e sedentos de conhecimento. A sua luz refletiu em mim e após ser iluminada por você já não posso ser a mesma. Nem mesmo posso fingir e esquivar-me do seu sorriso iluminado que é um convite a vida. Naquela noite o brilho das estrelas e a luz da lua foram ofuscados pela sua luz. Pelo sol. O seu sol. Poderia, eu, agora fazer uma das brincadeiras que mais gosto de fazer com as palavras. Gosto de fazer uns neologismos bobinhos e engraçados, mas que alegram corações felizes. E se eu fizesse uma junção do SAYONARA + Amaral seria igual à SAYOMARA! Sayomara! Sayo maravilhosa! Sayomara, minha DIVA, DIVA minha. Posso ir um pouquinho mais além, porque sou ousada e incansável. Posso, porque quando escrevo posso (quase) tudo. Gostaria de parafrasear Calcanhotto e cantar com minha voz desafinada, mas antes disso lembro Jobim e já me desculpo por não ter uma voz de DIVA como a sua. “Se você disser que eu desafino amor / Saiba que isto em mim provoca imensa dor / Só privilegiados tem o ouvido igual ao seu / Eu possuo apenas o que deus me deu...” Agora sim posso parafrasear Calcanhotto:

“Vamos comer Sayo
Vamos desfrutá-la
Vamos comer Sayo
Vamos começá-la


Vamos comer Sayo
Vamos devorá-la
Degluti-la, mastigá-la
Vamos lamber a lírica

Pelo óbvio
Pelo incesto
Vamos comer Sayo
Pela frente

Pelo verso
Vamos comê-la crua”

Eu apenas queria falar-lhe essas coisas que há muito estão sufocadas em meu frágil coração, porque “No fundo do peito / Bate calado, que no peito dos desafinados / Também bate um coração.”

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Algumas Palavras ao Amor Meu...


Se você aceitar todo o meu carinho e meu bem querer eu prometo que não irá se arrepender. Eu posso fazer você feliz e fazer com que você esqueça durante alguns minutos toda a aflição que te consome. Eu posso contar várias besteiras e assim conseguirei um sorriso seu. Podemos assistir uma comédia boba ou um filme apaixonado. Eu posso ficar calada durante alguns segundos e sorrir para você depois. Eu posso fazer um cafuné em seu cabelo suave e cheiroso. Amor Meu, Meu amor permita que o mundo conheça o seu sorriso iluminado. Eu posso colocar você para dormir em meu colo e ler um poema enquanto seu sono não vem. Posso acordar ao meio da noite, ir até o seu quarto e pôr o ouvido em seu peito e assim senti sua respiração tranqüila. E no outro dia preparar um maravilhoso café da manhã. Posso enviar torpedo para você a cada cinco minutos para saber sobre o seu humor. E a noite quando você chegar com o cansaço do mundo prometo fazer-lhe uma massagem nos pés e colocá-los na água morna para você relaxar um pouco. E se você quiser ir embora e não me ver mais... Ficarei triste, mas direi tchau. Eu quero proteger você de todo o mal que existe lá fora. Poderia passar o resto dos meus dias em casa trancada com você jogando lego ou Star Wars. Mesmo que não queira eu compreendo quando você diz que está bem consigo, mas eu queria ser incluída e assim seríamos "nós". Posso confortar você em meu olhar. Emprestar minha mão para você apertar bem forte sempre que precisar. Podemos caminhar lado a lado na praia no fim da tarde e assim poderei perceber a infinita beleza do mar refletida em seus olhos cor de amêndoa. Podemos ler o mesmo livro no sofá tomando um pote de sorvete. Posso emprestar-lhe meu ombro quando você for chorar. E nesse momento chorarei junto, porque a sua dor é minha dor. A sua dor em mim é o maior sofrimento do mundo e se eu pudesse arrancaria essa sua dor, porque você nasceu para ser feliz e sorrir. Posso fazer um poema por dia para você e mesmo assim não conseguirei escrever sobre o carinho que sinto por ti. Eu posso te abraçar bem forte que será difícil saber quem é quem. Amor Meu. Eu deveria pedir desculpas pela minha insistência, mas nessa louca vida em que vivemos quando conhecemos uma pessoa boa não podemos deixá-la à toa. (rindo). Eu entendo bem quando você fala que está bem com você e não está bem com o mundo lá fora. Pessoas como você, são muito sensíveis e no mundo, Amor Meu, não há merecimento. Não precisa pedir desculpas por não atender minhas ligações só quero que você saiba que eu estou aqui e que me preocupo com você. Não há erro em deixar o celular sem som... Devo confessar que muitas vezes faço isso, porque eu gosto de ficar sozinha, lendo, escrevendo, tentando “me” parar no mundo sem tempo e "corrido". Não consigo viver nessa correria que as pessoas vivem. Eu preciso de tempo. Muito tempo e por isso sigo o meu caminho sem importar quanto tempo levará para atingir meus sonhos.
E estas são as coisas que eu posso dar para você ficar bem. E se ao final dessas palavras você estiver com um leve sorriso nos lábios... valeu a pena!

domingo, 6 de setembro de 2009

Saudades...

Predo, olha que achei entre poemas e sonhos guardados numa caixa:





Uma edição especialmente para mim!

Um dos meus preferidos

Você lembra quando me mostrou aquele caderno? E eu tímida falei: Gostei mais dessas daqui! E no outro dia lá estavam todas reunidas...



Pedro (Predo) Laurentino!

domingo, 23 de agosto de 2009

(...)



Eu sou, angustiadamente, feliz, porque vivo numa eterna infelicidade. Não sinta piedade de mim, não sinta. Eu sinto piedade da sua ilusão sobre felicidade. Porque, meu bem, só as almas infelizes podem gozar plenamente da felicidade. E eu sou, excessivamente, infeliz. Sinto a infelicidade amolecer minha alma e adoecer meu corpo. Mas o que é um corpo, meu bem? Meu corpo nada mais é que uma casa temporária para a tristeza apresentar-se. E a tristeza apresenta-se em sorriso que não distribuo. Em abraço que não abraço. Em olhar melancólico que lanço sobre todos. Pelas minhas mãos trêmulas. E pelas minhas palavras amargas que dissecam tristeza. Eu sou feliz, acredite! Eu acredito, porque não posso viver em dúvida. Minha alma já possui o desespero necessário. Viver em dúvida, viver na incerteza é demais para uma alma angustiada. Meu coração possui dois pólos. Um feliz. Um infeliz. E ao meio. Ali bem no centro do peito essas emoções encontram-se. Bipolar que sou, vivo numa felicidade angustiada. Todo sorriso culmina em lágrima. E toda lágrima culmina em sorriso. E assim vivo. No fundo da tristeza tiro um sorriso. E em cada gargalhada vou às lágrimas. E assim sou. Feliz e infeliz. Sou um ser tragicômico a procura do drama perfeito para desesperar meu peito.


sábado, 1 de agosto de 2009

(...)


Eu tenho e sinto um amor grandioso e louco. Que pulsa em mim a cada piscar de olhos e a cada batida do meu velho coração. E é verdade que eu não tenho vergonha em expor o meu amor. Meu amor enquanto sentimento. Falar que estou completamente apaixonada por alguém para mim é uma coisa natural. E quando falo o que sinto é uma certeza. Falar para uma pessoa é apenas uma forma de extravasar aquilo que está me sufocando por dentro. Porque eu toda sou amor. E o amor me toma toda, pois é o que mais carrego dentro de mim. O que me faz andar corcunda. E ter dor na coluna. O amor transborda dentro de mim é preciso expressá-lo para não sufocá-lo. Às vezes preciso amar em silêncio, porque adoro o escândalo que o amor causa dentro de mim. Explosão! Quando estou amargurada e chateada: amo! Para os dias que tenho fel na boca: amo! O amor me deixa leve. Faz-me fluir. Sinto o amor entrando em meus poros e percorrendo meu sangue. Gosto mesmo de devorá-lo! Como o amor como quem alimenta-se de feijão para ser forte. Um prato de amor por dois de feijão e sigo invencível. E incansável! Amo muitas pessoas ao mesmo tempo. Preciso dividi meu amor para ser inteira. Amo várias pessoas para ser completa. Meu amor é múltiplo. O amor explode pelas pessoas não importa quem elas são. Homens. Mulheres. Sexuados. Assexuados. Plurissexuais. Incolor. Multicolor. Meu amor não escolhe. Meu amor ama. Não exige critérios. Exige pessoas. E se há pessoas há amor e eu amo. E se não der certo? Choro no ombro de um amigo ou no quarto embaixo do travesseiro e depois sorrio na sala. O amor me acorda cedo. Dá-me um banho, penteia meu cabelo e escova meus dentes. Acompanha-me o dia inteiro. E a noite quando estou despedaçada o amor me coloca na cama. Sorri para mim, canta uma canção de ninar e diz baixinho em meu ouvido: Durma bem! Quando adormeço o amor permeia meus sonhos. No outro dia recomeço amando como nunca tivesse amado antes. Com a força e a pureza do primeiro e eterno amor.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

(...)



Eu não posso. Simplesmente, porque não amo você. E nem desejo. E vai, além disso. É mais intenso. Não sinto necessidade de você. Sem tesão não consigo. Fica pesado demais. Muito tenso. Não gosto de tensão. Gosto de tesão. De calor. De mão na mão. Boca na boca. Olhos nos olhos. Um fogo. Uma loucura. Uma quentura. E com você não dá. Já deu. Até já dei, mas passou. Passou, ficou no passado. Hoje, tempo presente não dá, nem darei (tempo futuro). Não para você. Nem quero você. Nem te quero. A verdade é uma. Eu não tenho o mínimo problema em revelá-la. A verdade tem que ser dita e sentida. Problema seu se você chorar. Eu já chorei tanto. Um dia passa como o meu tesão por você passou. Assim...! Não posso namorar você se não desejo. Há de se ter desejo para desejar. E eu não sinto desejo para desejar você. Vou contar-te outra coisa. O seu cheiro. É o seu cheiro faz-me brochar. Eu fico brocha com o seu cheiro de flores. Um cheiro de flor chato, doce. Irrita-me! Eu nem tenho alergia a flores. Até que gosto muito delas, mas esse seu cheiro... aff! Esse cheiro está impregnado em você. Você faz-me impotente com esse cheiro. Em todos os sentidos impotente. E eu sou uma potência. Potência que explode tesão por todos os poros e pêlos. Esse seu cheiro sufoca-me. Não é o perfume que você usa. É o seu cheiro. E quando você usa perfume é pior, porque o cheiro de flor fica ainda mais forte. Como uma pessoa pode ter cheiro de flor? Quem tem cheiro de flor é defunto! E eu não como defunto. Como vou trepar com defunto? Não dá. Não darei. Já dei. Já foi. Já passou. Teve uma hora que esse cheiro de defunto sufocou-me. O seu cheiro de flor, ou melhor, o seu cheiro de defunto matou o meu tesão. Matou o meu desejo. Aqui jaz o meu tesão por você!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

(...)


A impotência em não consegui escrever deixa-me angustiada. Devastada. Quero escrever. Preciso escrever. Tenho que escrever por mim e por você. Para mim e para você. Queria muito falar do seu olhar castanho que ilumina o meu. O seu abraço que conforta o meu corpo. Será que se eu soubesse escrever outra língua conseguiria aliviar essa tensão? Gostaria de escrever para você em francês. Porque tudo em francês é bonito e parece sincero. Em inglês você entenderia e eu não quero ser entendida, eu preciso ser sentida. O inglês limita o que sinto com apenas uma palavra. O que queria mesmo era escrever em minha língua, mas não consigo. Se você pudesse entrar pelos meus olhos e chegar ao meu coração. Você sentiria o que sinto. E aí não precisaríamos mais de muitas palavras. Mas continuo procurar palavras para expressar o que sinto quando não escrevo. Um vulto de palavras passa por mim, mas não consigo identificá-las. Não consigo tocá-las. Elas são intocáveis. Eu sou apenas uma sombra quando não escrevo. Há algo que sufoca-me e eu não consigo, simplesmente, não consigo. Eu queria ter uma inspiração divina. Um feixe de luz sobre minha cabeça para que assim, eu pudesse escrever coisas bonitas para mim e para você. Antes de escrever para você, eu escrevo para mim. Meu eu não cabe em mim. E por isso escrevo também para ti. Mas uma lágrima que insiste em sair dos meus olhos desde ontem à noite. Elas não saem e isso angustia ainda mais o meu ser. Não falo. Não bebo. Não escrevo. Eu sou uma alma negativa e melancólica em busca de um sorriso ameno. Mas hoje é um dia não. Especialmente não. O dia em que não te vejo. O dia em que seu sorriso não enlouquece-me de satisfação, de contentamento. Só por hoje eu queria ser boba e assistir uma comédia romântica daquelas que nos faz acreditar que o amor é eterno e verdadeiro. Só por hoje eu queria esquecer quem sou e o que carrego. Só por hoje queria ser leve. E ter você ao lado. Mas minha angústia não permite. E isso porque minha escrita não vem. Eu não queria escrever sobre nada disso. Eu só queria falar sobre a angústia dos meus dias de escrita ausente. Todas as angústias já foram escritas e descritas. Todos os sentimentos também. Os amores já foram sentidos. O medo já foi sentido, porém a cada dia é renovado. O medo é recorrente. Hoje, só por hoje eu gostaria que o tempo parasse por dois segundos apenas. Só por um piscar de olhos. Só enquanto você pronuncia meu nome. Eu vejo algumas rugas em meu jovem rosto. E meu corpo já traz a flacidez do tempo que passou. Invejo almas jovens e felizes. Eles são inocentes. Eu fui contaminada. Já não posso acreditar no amor. O amor para mim é apenas medo da solidão. E eu... Eu ando tão só...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Algumas palavras para uma Rosa



Eu posso afirmar com toda certeza que trago em meu peito cansado que essa foi à tarefa mais difícil imposta nesse semestre. Porque escrever um poema é tentar descrever que é indescritível. O poeta busca palavras comuns aquelas do dia-a-dia ditas sem o mínimo de reflexão para expressar a leveza, a beleza da vida. O poeta busca a reflexão. E foi exatamente refletindo e perdendo horas de sono que essas palavras foram escritas. E durante meus pensamentos percebi que Rosa é a perfeita tradução da rosa. Então, diante dessa afirmação meu poema estaria encerrado. Mas o poeta é acima de tudo aquele que promove a reflexão através de suas reflexões. Desse modo lanço a questão: Rosa seria a tradução da rosa ou seria a rosa a tradução de Rosa? Quem traduz quem? Vou retroceder um pouco para começar a entender que as coisas não acontecem por acaso. Veja bem, rosa é uma palavra feminina da primeira declinação e foi com essa palavra que fomos inseridos na língua latina. Foi preciso aprender latim para compreender a beleza da Rosa, mas essa beleza foi e é tão intensa que calou muitos versos de poetas durante muitos anos, pois seus versos recusaram-se a mostrar-se diante da “soberana flor”. Percebo também que não foi um acaso uma sala de aula reunir tantos poetas e foi o sentimento de todos os poetas que fizeram a poesia desabrochar nas manhãs sonolentas de românica. Aprendemos que uma palavra possui vários significados, mas atentemos, mais uma vez, para a palavra rosa e o meu questionamento em alguns versos acima. Seria Rosa a metáfora da própria flor ou seria a flor a metáfora de Rosa? Para mim, Rosa é a forma reduzida para delicadeza. Ou ainda a forma reduzida para beleza. Mas nem tudo são rosas. Quantas vezes me senti perdida ao longo desse semestre. Crítica textual? Filolofia? Romanização? Vocalismo? Consonantismo? Morfologia? Léxico? Nossa!!! Quantas vezes já quis me queixar a Rosa, mas que bobagem a sua Seu Cartola cantar que as rosas não falam! Seu Cartola essa Rosa fala, fala e fala muito. Essa Rosa “não pára, não pára não, não pára.” Quando afirmei nos primeiros versos que essa foi à tarefa mais difícil do semestre estava apenas querendo falar que concordo com Gertrude Stein quando ela afirmava que ‘“uma rosa é uma rosa é uma rosa” e que recusava definir aquilo que não precisa de definição por ser perfeito em sua simples e evidente nomenclatura.’ Eu gostaria muito de falar para Seu Carlos “que a flor que nasceu na capital do país às cinco horas da tarde” nasceu também às sete horas da manhã no PAF III e que coloriu trazendo mais beleza e delicadeza as manhãs de final de verão. Seu Carlos, eu vi a Rosa brotar por entre olhos sonolentos e remelentos naquela segunda-feira 02 de março de 2009.

sábado, 6 de junho de 2009

(...)



Eu gostaria de escrever algumas palavras a todos vocês pelo simples fato sentir-me, apesar de distante, integrante dessa nova fase. Mas antes devo confessar que esse texto iniciou sua escritura há alguns anos atrás. Talvez quase três anos. É um texto que fala sobre uma caminhada que está prestes a chegar ao ponto de chegada. E que também é ponto de partida. Mas esse texto não é um texto de despedida. Esse texto é uma ponte entre o início de uma caminhada e um próximo passo. É um texto travessia. Que versa sobre uma caminhada que precisa ser encerrada para que se possa iniciar um novo caminho. Uma nova busca. E isso depende do próximo passo. Passar, esse verbo foi uma grande preocupação durante esses anos que passaram. Passar na disciplina tal. Passar sem final com final. Passar por aquela apresentação. Por aquele professor. Passar, passar, passar! Alguns podem apenas ter se preocupado somente em passar. Outros em passar e ficar. Devo confessar que minha grande dúvida quando tive que escolher entre aqui e lá foi justamente essa: passar. Passar por aqui apenas. Aqui para mim é uma casa acolhedora. Como a casa dos nossos pais que sempre será nossa casa e não importa os caminhos distantes que escolhemos é para a casa dos nossos que sempre retornaremos. E quando não podemos retornar tentamos criar o mesmo ambiente acolhedor em nossa casa. Talvez, vocês sintam o que sinto hoje quando vocês saírem daqui. Mas voltemos a falar sobre a travessia e o que trouxe cada um até essa casa. E chegar até aqui. Alguns vieram pelas mãos da literatura. Outros vieram pelas mãos da gramática. Outros apenas vieram sem saber o motivo que os trouxera. Mas estavam todos juntos e dispostos a desconstruir velhos conceitos e construir novos. No fundo, no fundo todos têm uma coisa em comum o desejo de compartilhar conhecimentos. O desejo de aguçar curiosidade. Despertar desejo em corações antes dormentes. E todos acreditam e acreditarão que o amanhã só poderá ser mais justo através da educação. Sim, vocês (nós) contribuiremos para despertar sonhos e incitá-los a sua realização. Que felicidade sinto ao incluir-me nessa caminhada. Mas essa caminhada também é minha. Eu também faço parte, porque estava junto quando tudo começou, mas por uma dessas surpresas fantásticas da vida tive que prolongar minha caminhada em outra Academia. Escrevo essas palavras com um sorriso incontrolável no rosto e lembro-me das sábias palavras de Rubem Alves: “Ridendo dicere severum: rindo, dizer as coisas sérias... Pois rindo estou dizendo que frequentemente se aprende uma coisa de que não se gosta por se gostar da pessoa que a ensina. E isso porque —lição da psicanálise e da poesia— o amor faz a magia de ligar coisas separadas, até mesmo contraditórias. Pois a gente não guarda e agrada uma coisa que pertenceu à pessoa amada? Mas a "coisa" não é a pessoa amada! "É sim!", dizem poesia, psicanálise e magia: a "coisa" ficou contagiada com a aura da pessoa amada.” Poderia terminar com as palavras de Rubem Alves, mas nem falei das pessoas que nos ensina a gostar daquilo que não gostamos. Sayonara Amaral, Jilvania Lima, Ada Marques e tantos outros que com sua paixão despertaram em nós o desejo do conhecimento. E nós assim como eles despertaremos também. Como disse nos versos iniciais esse não é um texto de despedida, porque despedidas são sempre tristes e preenchidas de vazio. Esse texto é só para marcar o próximo passo. Pois não importa o caminho que escolhermos seremos sempre colegas.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Um Poema Grávido


Fui deflorada!
Intimamente devastada e fecundada
Carrego em meu ventre uma vida
Condenada a infelicidade
Somos todos infelizes!
Estou cheia de vida inútil!
Carrego em mim uma alma
Que buscará incessantemente a salvação
Mas que não terá escapatória
Porque antes mesmo de nascer
Já foi condenada a insatisfação
Foi condenada a ser medíocre
E a contentar-se apenas em existir
Uma alma condenada ao desespero
Porque já não há o que esperar da vida.
Tudo já foi dito e feito!
Uma alma que viverá
Apenas por viver.
Uma alma que nada buscará
Porque já não há o que buscar.
Eu queria parir uma tristeza
Uma melancolia profunda
Uma mágoa. Uma angústia.
Um ser desprovido de toda e qualquer esperança.
E que veja a vida apenas em cinza
E que se sentirá derrotado
Diante de todos os derrotados
Eu queria mesmo parir um câncer
Um câncer em forma de aflição
E que viverá aos prantos
E nos dias de crise esbraveje
E que viva seu luto dignamente
Para que assim ela possa gritar
Que é triste porque a puta o pariu!

domingo, 10 de maio de 2009

História de Amor n° 04: Término.


Ela disse assim: Então, veja se você me entende? Porque quando digo que não quero você isso em parte é verdade e em outra é mentira. Uma mentira do tamanho do carinho que sinto por você e uma mentira na qual preciso acreditar. Como se acredita no futuro. Entende? Não! Não entende? É mais ou menos assim. Eu te quero! Quero muito, quero você ao meu lado. Seus sorrisos. Seus carinhos. Seu bom dia em minha boca. Seus pés aliciando os meus. Ai! Como quero! Entendeu? Agora vamos a outra parte. Eu não te quero. Não te quero, porque a hora de querer é mais tarde. Hoje ainda é cedo. Não tenho tempo para você. E você por me querer dessa foram louca, irrita-me demais. Digo não a seus sorrisos, seus olhares, seus carinhos. Porque não quero gastá-los agora. Gostaria de economizá-los. Eu gostaria de sentir você gota por gota. Parte por parte. Assim não gastaríamos tudo de uma vez só. Não desperdiçaríamos o sentimento com ciúmes e brigas. Uma gota de cada vez. Não posso gastar você com os desgastes do dia-a-dia. Nossa relação tem que ser na medida certa para mim e para você. Nós seriamos nosso antídoto. Uma coisa a cada dia. Entende? Tudo junto me sufoca e eu preciso respirar. E ainda tem suas chatices que se misturam as minhas e tudo fica muito chato. Por mais que eu queira seus abraços e seus afagos, sinto-me presa a eles e neles. E sem respirar eu morro. Compreende? Se eu pudesse pegaria você e guardaria num esconderijo secreto. Uma alcova. E só eu poderia sentir e tocar você. Mas não todos os dias. Alguns dias do mês. Alguns meses do ano. Alguns anos da vida. Mas não para sempre. A vida toda é muito tempo. Quero te contar das minhas descobertas, não quero descobri-las com você. Há tantas revelações. “... somos tão jovens...”.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Um Poema Apaixonado e Bobo!


Agora que você já me viu
Eu posso tirar o vestido bonito que usei para você
Posso lavar meu rosto e tirar o batom
Posso tirar os cílios postiços que usei para piscar para você
Posso tirar o lápis do olho
E desarrumar meu cabelo
Também posso tirar o brinco que usei para ouvir suas palavras

Agora que você já me viu
Posso tirar minha sandália alta que machuca meus pés
E que só usei para ficar a sua altura
Posso tirar o esmalte da minha unha
Que usei para tocar você bem forte

Agora que você já me viu
Eu posso me despir de todos os enfeites
Enfeites que uso para encher seus olhos de mim
E não ter que dividir seu olhar com mais ninguém

Agora que você já me viu
Eu posso tirar o perfume que usei
Para ficar impregnada em você
Eu posso tirar minha máscara de menina feliz
E voltar a ser triste

Agora que você já me viu
Posso tirar a pipoca e voltar a ser milho
Posso voltar a ser lagarta
Posso deixar de ser colorida
E retornar a ser incolor

Agora que eu já te vi
Eu não posso tirar a suavidade da sua mão
Quando tocou a minha
Não posso tirar a emoção quando você beijou minha bochecha
E que é recorrente em mim quando penso em você

Agora que eu já te vi
Eu não posso (nem quero!) tirar o cheiro do seu perfume
Que ficou em mim quando você me abraçou
Nem posso tirar o sentimento de proteção
Que senti quando você me abarcou

Agora que eu já te vi
É impossível tirar o brilho dos seus olhos refletido em mim
É impossível tirar a lembrança do seu sorriso de minha mente
É impossível arrancar a sua voz dentro de mim

Agora que eu já te vi
É impossível tirar a chama que queima por ti
É impossível tirar o amor
Que reservei todo para você dentro de mim.

Agora que já nos vimos...

terça-feira, 21 de abril de 2009

Algumas Palavras para a Moça dos Olhos de Amêndoa

Eu abracei você, apenas. Mas gostaria de falar para você chorar. Chorar mais e mais. Até sentir que não há mais lágrimas. Até sentir que a fonte secou. E mesmo sem saber o motivo do choro. Pediria que você chorasse em meu ombro. E molhasse toda a minha roupa. Para que eu também pudesse sentir o seu choro. E sentir desaguar em mim as lágrimas que saíam de ti. Misturar suas lágrimas com as minhas até não poder saber quem seria a dona. Chorar suas lágrimas e senti-las como se fossem minhas. Chorar por você e por mim. Chorar é um exercício, por isso, suamos quando choramos. Devo confessar, ou melhor, compartilhar: eu choro para sentir! Choro para sentir-me. Somente para sentir que sou. Às vezes fico agoniada para parar de chorar, mas não consigo parar. Chuva torrencial de lágrimas sai dos meus olhos. Não me sinto triste quando choro. Não há tristeza em chorar. Sim, às vezes há. Mas nesses dias de choro por lágrimas por sentimentos não há tristeza. Choro para aliviar. Choro para lavar. Lavar o que há muito tempo estava nublado. É um choro de chuva de inverno em mim. Não é chorar por chorar. É chorar para desaguar. Chorar com vontade e sentir-se impotente diante dessa necessidade. Alguns choram por amor. Eu já chorei! Muitos pela dor. Eu já chorei! E por tantos motivos. Eu choro por mim. Pelo desconhecido. Choro pela ausência. É um desmoronamento de dentro para fora. Às vezes essa explosão de lágrimas ocorre por um motivo bobo. Bobo para os outros que nada sabem sobre minhas lágrimas internas. O bobo na verdade é o que faltava para o transbordamento. Eu choro, porque sou forte. Se fosse frágil me esconderia. E fingiria nada sentir. Sou verdadeira. Sensível. E choro até sentir o sentimento adormecer dentro de mim. Chorar para sentir-me renascer. Reconstruir-me. E assim ser forte. Inteira. E voltar a ser rochedo.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Empoemar-se...



Hoje precisarei de toda a minha sensibilidade. Precisarei pedir em emprestado a sensibilidade de muitas pessoas. Ou poderia furtar. Um furto temporário. Porque as palavras que serão escritas através de mim revelarão uma pessoa, iluminadamente, sensível. Peço, humildemente, um pouco de silencio. Mas as pessoas são barulhentas demais para me ouvirem. Então suplico a Elque e a Carol o silêncio necessário para dar o tom certo a leitura. Os versos que seguem foram escritos de carinho em carinho. De amor em amor. Gota por gota. Palavra por palavra. A primeira que a vi foi no dia da primeira aula na FJA. Eu sei que você nem lembra. Mas eu lembro e posso contar para você. A sala estava lotada. Era aula de Teoria da Narrativa. Naquele instante estava procurando sorrisos para sorrir junto. E você sentou-se ao meu lado, bem ao meu lado. E poderíamos ali naquele momento ter selado nossa amizade, mas a vida não quis assim. Um dia após o outro e fizemos outras amizades. A vida sabe o que faz. Trocávamos umas palavras aqui, outras ali, sorrisos acolá. Nada mais que isso. Naquela multidão de gente. Eu vi você sambando. Você sambava (e samba) tão iluminada que era impossível não percebê-la. Parecia que naquele instante todos tinham parado para lhe ver sambar. E eu vi a luz que emana de você. A luz que tinha chamado minha atenção no primeiro dia de aula, mas que diante de tantos nervosismos e estréias eu não pude compreender. Após aquele dia tornamos-nos mais próximas. Depois vieram as paixões. Clarice. Adélia. Sayonara. Amy. Aí você assim cheia de vergonha e ousadia me mostrou umas coisas que escrevia. Avisou-me que escrevia umas coisas sem saber o que era. Poemas? Contos? Crônicas? Textos? E quando li pude perceber que tratava-se de poesia. Pura poesia! De verso em versos. De rima em rima. Você me falou sobre Chico e eu achei engraçado. Só depois eu comecei a compreendê-los. Vocês únicos e múltiplos formando um só. Formando uma só: Mileide. MILEIDE! Minha Leide. Minha querida poeta que empoema a todos ao seu redor com a sua sensibilidade. Tem dias que eu acordo, excessivamente, sensível e sinto-me Mileide. Mas eu sou uma “tímida ousada” assim como Ela, assim como nós. E quando acordo sensível gostaria de ser chamada de Lileide. Eu Lileide, você Mileide. E se você me ajudar eu sei que juntas iremos empoemar Lisboa e o mundo. E quando isso acontecer as pessoas serão mais sensíveis mais suaves e fortes. Empoemaremos o mundo com seus versos. Eu serei mais você, porque o mundo será mais Mileide.
E Ela agradece assim:
Um agradecimento:
Meu texto, lindo, lindo lindo lindo e maravilhoso.
Um sonho realizado.Como vou agradecer??
Hum... (?)
Que carinho, que pessoa especial e iluminada é vc!
A intérprete deu o tom certo à leitura, que vc já sabe bem como é, né ?? A escolha não fora aleatória. Ela é alguma espécie de: ProTriz!
A mistura de professora com atriz, da melhor qualidade!
Elque e Carol deram o tom silêncioso igualmente - repedidamente certo à leitura!
E o resto da turma, não, eles "se-me" indagavam o tempo inteiro:
É seu o texto, Mileide?
ou então:
É de Mileide... É de Mileie...rsrs...
E eu dizendo, não gente, não fui eu quem escreveu.
Mas no fim, era meu mesmo.
Foi feito pra mim.
E eu fiquei muito(tão) feliz,que nem sei,
Assim vc me lenha minha filha, no bom sentido!
Eu te amo, por todas as delicadezas, porque até quando vc nem sente, vc é gentil e
delicadinha...
Obrigada por tudo.
A sua poesia me embelezou mais do que eu mereço!
Miloca Querida!

Eu agradeço sempre por fazer parte de sua vida. E por você ser essa pessoa maravilhosa e “empoemada”. Eu amei o “ProTriz”. Estamos ficando mestres nessa coisa de neologismo.
Te amo!

Beijos

domingo, 5 de abril de 2009

Vazio...










Sem vontade de escrever!
Minha sorte é que essa coisa de vontade é passageira...









domingo, 22 de março de 2009

Algumas Palavras para a Moça que vai Casar



São tantas coisas para desejar que perco-me diante desse turbilhão de sentimentos que transbordam em ti e respingam em mim. Parece que minhas palavras tornaram-se pequeninas e sem importância próximo a tanto nervosismo e expectativas. O que posso fazer contra as palavras que chegam para você através de mim – pergunto (sem interrogação). Seria uma luta vã, por isso, me rendo e continuo a escrever. Escrevo sem saber o que virá, apenas pela necessidade em escrever/falar. “Sim, todo amor é sagrado.” Casar é algo além de ir morar junto. É eleger e ser eleita. Escolher e ser escolhida. Casar é multiplicar. É somar. Cuidar e ser cuidada. Proteger e ser protegida. É amar por amar. Amar o amor por ele próprio. Às vezes é odiar amar tanto uma pessoa. É doação. É sonhar o mesmo sonho para que assim sua realização tenha mais força. É uma aliança. É querer, realmente querer, é querer sentir para sentir querer com certeza. Até que não se tenha mais certeza para desejar querer todos os dias. Como se fosse à primeira vez. É beijar todos os dias como se não tivesse beijado antes. “A coisa mais fina do mundo é o sentimento”. É descobrir as esquisitices do outro e fazer um esforço para entender e achar normal. É lembrar de Caetano. “De perto ninguém é normal”. É conhecer-se a partir do outro. É não saber quando começa o outro e termina você. É não querer ver, mas querer por perto. É realinhar seu mundo a outro mundo. É perder para poder ganhar. E em meio ao amor é descobrir-se apaixonada como uma adolescente. Apaixonar-se amando! Acordar no meio da noite e descobrir que você tem um par de pernas a mais e ser feliz com isso. É companheirismo. “Há mulheres que dizem: Meu marido, se quiser pescar, pesque, mas que limpe os peixes. Eu não. A qualquer hora da noite me levanto, ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar. É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha...” É amar além do amor. É unir-se ao conhecido desconhecido. Laçar o enlace. Revelar-se inteira. É ter medo e ao mesmo tempo dispor de coragem. É querer devorar o outro. Devorá-lo, lentamente. Senti-lo passar por todas as partes do seu corpo. Devorá-lo para que ele não saia mais e ter certeza que faz parte de você . É querer enxergar com outros olhos a mesma coisa para sentir o outro cada vez mais. É querer estar dentro, tão dentro e embebedar-se e não ter ressaca. “No inverno te proteger, no verão sair pra pescar no outono te conhecer, primavera poder gostar no estio me derreter pra na chuva dançar e andar junto...” Seja feliz até quando não puder ser... Apenas seja feliz!

E Ela responde assim:

Que belas e lindas palavras,
Obrigada. Lembrando-me de Machado de Assis, recolho-me na minha insignificância de ser, reconhecendo a minha fraqueza diante delas (seus versos-palavras), e entrego-me à alegria e às lagrimas que insistem percorrer o meu rosto.
Muito grata,
Jil,
ps.: um abraço bemmmmmmmmmm afetuoso de agradecimento, em nome da família Bazzo.


Lindíssima, obrigada você pelo carinho constante.



domingo, 15 de março de 2009

Espirro Poético!



Atchin... Aaaaaatchin! Sim, estou numa crise alérgica daquelas! Quem me conhece teve o prazer de conhecer minha alergia também. E tudo isso, porque tenho que ficar numa sala trancada com um carpete todo decorado com manchas de mofo. É tempo de crise e eu não posso recusar uma proposta não muito atrativa de emprego. Sim, eu sou simpática! Minha crise aumentou tanto que minha cabeça já bate no teto. A cabeça tem que ficar para cima, porque se eu abaixá-la pinga no teclado. Teclado é o que vai voar direto em minha cabeça se eu quebrá-lo. Ainda bem que é sábado e meu Irmão não está aqui. Acho que ele detestaria ver a cama dele respingada de coisas que saem do meu nariz a cada espirro. E o chão do quarto... Um horror! Agora enquanto escrevo essas poucas linhas várias gotas já caíram sobre o papel e eu teimosa como sou continuo a escrever por cima dos pingos e adivinhe o que acontece? Um furo. O papel está pingado e igualmente furado. A cada espirro que sai Papai fala da sala: “_ Por que você não me ligou, eu passaria na farmácia e compraria uns remédios?” E eu nem respondo. Ele também tem essa alergia e sabe como é. Ela é imprevisível. Meu nariz pinga... Pinga. Atchin! Papai fala da sala: “_ Não tome leite por causa da lactose, isso vai piorar a alergia. Tome leite de soja.” Eu até tentei tomar leite de soja, mas sinto falta de alguma coisa e adivinhe o que é? A lactose. Esquentei meu bom e velho leite tipo “A” e tomei todinho em vários goles. Foi bom. Melhorou bastante na hora, porque depois piorou. Já nem pingava mais. Escorria. Nem sentia escorrer. Passo a mão e sinto-a molhada. Limpo na blusa. Os espirros cada vez mais fortes... Pinga lá embaixo também. Agora lenhou-se. Lenhei-me! Pinga por cima pinga por baixo. Papai pega uma sacola de remédio, senta-se ao meu lado e rir. Rir, porque eu não consigo respirar. E como se não bastasse perguntou-me várias coisas sobre um filme e eu calada. Ele apenas disse, rindo muito: “_ Não consegue respirar?” Fingir que nem ouvir. Ele abriu a sacola, mas aqueles remédios não me servem para nada. Ele levantou pegou a sacola e saiu. Meia hora depois ele grita: “_ Vou dormir, boa noite!” eu apenas disse: “Tá”. Dormir, eu quero e preciso, mas não consigo. Minha blusa está molhada. Eu sou tão nojenta. Esfrego a blusa no nariz desde pequena que faço isso. Acho o máximo cultivar bons hábitos. Adoro! É tarde e já nem é sábado. Domingão nascendo com o céu cheio de estrelas lindas. Domingo, meu tão esperado domingo. A respiração começa a melhorar. Vou tomar esse leite de soja. Até que é bom tomá-lo assim, porque não sinto seu sabor. Vou para meu quarto e pingo no lençol azul o mesmo que servirá para me cobrir. Pingo, pingo. Pingo por cima. Já não espirro mais... nenhum pingo por baixo. Tudo sob controle. Ou quase tudo. E pensar que final de semana passado foi lindo. Teatro. Pizza. Sorrisos. Carinhos. Música. Dança. Conversas. E depois dizem que quem faz nossa vida somos nós. É nada! A vida me deu um final de semana perfeito, porque sabia que o outro seria sofrido. Atchin!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Uma Saudade Infinita...



Esse texto foi escrito com um mar desaguando de dentro para fora. Como se as águas mais profundas do mar começassem a sair dele. De sua profundidade para o mais raso e mais visível. Um mar de lágrimas profundas escorria igualmente em mim e manchavam todo o papel. Somente dessa vez eu não percebi a desorganização da minha escrita. Às vezes é preciso derramar para fora o que transborda em meu coração. A saudade todos os dias dá uma alfinetada em meu peito. Alfineta, lentamente, meu pobre peito. Tenho tantas coisas para contar a você. A sua ausência multiplica-se a cada dia que passa. Eu tenho tanto para te falar. Queria dizer que finalmente sinto que faço parte da Academia e já não me sinto tão deslocada quanto antes. Devo confessar que muitas noites quando todos vão dormir eu penso em você e no quanto fomos felizes. (Mais lágrimas). Quantas descobertas fizemos juntas e tantas outras compartilhamos. Eu não tinha vergonha de revelar a você meus medos, minhas aflições e angústias. Eu sabia que poderia sempre contar com o seu apoio incondicional. Meu alicerce. Você sabia que eu poderia ter um bilhão de amigos, mas era para você que eu mostrava minha fragilidade. Você foi o meu primeiro amor. Minha primeira paixão. Minha primeira relação de amizade. Você enxergava em mim o que nem eu sabia e nem via. E se eu falasse que iria fazer quaisquer coisas você me apoiava. Você me dizia com sua voz rouca, delicada e ao mesmo tempo forte que eu era muito inteligente. E eu pensava e buscava essa inteligência em mim, mas não via e até hoje não consigo vê-la. O quanto eu fui boba ao pensar que tínhamos todo o tempo do mundo. Quando você partiu, partiu-me. Sou dolorosamente fragmentada. Hoje quando surge um desafio eu lembro de você falando: “_ Liliam, você consegue. Você é inteligente! Se jogue!” Eu acreditava em você, e por isso, acreditava em mim. Mas sem você aqui fica difícil. Inúmeras vezes me sinto frágil e com vontade de desistir, mas lembro de você e de sua confiança em mim e essa lembrança faz-me forte. Eu só queria enxergar em mim o que você enxergava. Talvez se eu pudesse me ver com seus olhos... Eu descobriria a fonte escondida. (Mais lágrimas, porque eu choro e não tenho vergonha em demonstrar quanta falta você faz). Você falava em minha maturidade precoce e eu mais uma vez mergulhava e nada descobria. E não deu tempo para falar o quanto eu me esforçava para acompanhá-la. Eu lia bastante e estudava muito, porque queria muito que você fosse minha amiga. Na verdade tinha receio que você não quisesse ser. Assim poderíamos conversar sobre todas as coisas que você quisesse. E continuar trilhando nossa amizade. Em muitas ocasiões questionava-me o motivo de sua amizade comigo diante de tantos amigos maravilhosos e não chegava à conclusão alguma. E mesmo que chegasse faria questão de esquecer, porque você foi o maior e o melhor presente que a vida poderia me dar. Há dias em que ensaio um entendimento, mas aí a dor grita e avassala a razão. Perco-me diante de tantos sentimentos e dúvidas. Às vezes sinto a dificuldade de viver nesse mundo, mas nem de longe consigo imaginar o tamanho da sua sensibilidade. E tudo que eu queria fazer agora era te abraçar bem forte. Abarcar você em mim. Dar-lhe um banho. Colocar-lhe um perfume bem cheiroso daqueles que você gostava e te colocar para dormir em meu colo. Velaria seu sono durante toda a noite. Cuidaria para que você não tivesse sonhos ruins. Eu protegeria você da crueldade do mundo, porque não importa o quão somos sensíveis. O mundo é e será cruel. Mesmo que não mereça e você não merecia. Mas na vida não há merecimentos. Eu continuo a andar pelas ruas de Ondina cabisbaixa e contando pedras que todos os dias mudam de lugar. Eu as procuro na tentativa de não procurar você, mas você permanece e permanecerá aqui comigo.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Algumas Palavras para Ela ou Uma Pequena Declaração

Calma! Preciso de um cadinho. É cadinho. Cadinho de quê? Cadinho de um bocadinho. Bocadinho de tempo para organizar as palavras. Só mais um cadinho... Já estou escrevendo. “Um instante maestro!” Meu coração é assim quando ele tem pressa em falar não espera o momento certo. Ele faz o momento. Meus dedos apenas obedecem. Somos escravas dele. Deixemos de falar do meu coração e vamos ao que interessa. Há certa urgência em escrever as próximas palavras. Mas o que eu, uma aprendiz de poeta, poderia falar sobre/para ela, porque ao avistá-la parece que tudo já foi dito. E ao vê-la sorrir não têm mais dúvidas. Porém mesmo assim aí vou eu arriscar algumas palavras arriscadas. Se eu afirmasse que ela é bela isso não seria um elogio. Isso seria um pleonasmo. Mas como não falar em sua beleza se à primeira vista é isso que encanta e quando a conhecemos percebemos que a sua beleza está além daquela que vemos. O que há por dentro transpõe e ela se torna ainda mais bela. (Se é que isso é possível!). Bela mesmo são suas palavras às ditas e as escritas. Sua oratória muito bem apresentada. Cada palavra pronunciada de maneira exata. E eu ali pensando em como aquilo era bom. Por alguns minutos eu quis ter tudo aquilo e fazer parte. Eu quis que ela fizesse parte da minha história para que assim eu pudesse fazer parte da história dela. E mesmo que minha participação fosse ínfima a minha felicidade seria infinita. Os outros minutos eu planejava uma forma de levá-la para os federais assim eles seriam contagiados pela sua sensibilidade terna. Mas os federais ainda não estão preparados para recebê-la. Ela está a mil passos a frente deles. Os minutos finais foram de agradecimento por estar ali e por ela permitir-me estar fazendo parte daquele momento mágico. Eu estava e ainda estou em estado de felicidade. Felicidade pura! E ainda nem falei sobre a beleza de suas palavras escritas, pois o primeiro encantamento que tomou-me foram elas. “Estou a espera das palavras... elas resolveram me dar férias e, por isso, sinto-me tão oca, sem poesias, sem movimentos, sem ritmos... mas elas virão e eu estarei preparada para recebê-las, acolhê-las.” Esse lindo poema foi escrito por ela apenas para demonstrar sua falta de inspiração em escrever. Pergunta: Como seria se ela estivesse inspirada? Gostaria de saber expressar-me com tamanha sensibilidade e delicadeza. Aí sim eu seria uma POETA dessas de mão cheia, mas enquanto estou aprendendo sou Poetinha. Delicadeza essa é a palavra que estava procurando já que quando a vejo essa é a palavra que meu coração sopra em meu ouvido. Há outra que também gostaria de oferecer-lhe: suavidade. Eu tenho uma rápida impressão que você já sabe dessas coisas todas que insisto em escrever aqui. Algumas pessoas talvez não percebam o quão bela é você e toda a sua suavidade. Às vezes é preciso afastar-se para compreender o belo. Até este momento nem revelei o seu nome. Vamos a ele? Jil-linda-vania, ops! Jilvania Linda... Agora eu consigo. Jilvania Lima. Esse nome simboliza delicadeza e suavidade. Bem, Jil-linda, meu coração insiste em chamá-la assim e eu não tenho forças e nem posso contrariá-lo. Sou apenas uma serva dele. E hoje ele me diz que sou uma pessoa um pouco delicada, pois fui contagiada com a sua delicadeza. Como beleza não é contagiante sigo mais uma vez como Poetinha Feia. Ainda (Ainda é minha muleta) nem falei que pertencemos à mesma família Lima, mas isso é tema para um novo texto. E para finalizar quem gostou bate palmas!

E por falar na beleza das palavras dela, ela escreveu para mim:

Olá minha Grande Poeta,

Desejo que, ao iniciar a escrita desse texto, as palavras, cientes que elas são dedicadas à você, venham ao nosso encontro e meus dedos consigam a elegância e a beleza necessárias para desenhá-las nessa tela em quase branca, ainda com o desafio de driblar a desconfiguração do teclado do computador...

Estão me desafiando a escrever sem perguntar, ainda assim pergunto; a escrever sem me espantar - espanto filosófico -, ainda assim não desanimo e insisto em buscar outros recursos que a língua me oferece para contornar a situação posta. Não dispondo dos principais sinais de pontuação, como exclamação, interrogação, parênteses, dois pontos, entre outros mais utilizados por mim, fico ainda mais ousada. A limitação e a negação imposta pelo mundo dos homens, ao contrário do efeito esperado comumente, em mim, provocam outras ressonâncias, fico mais fortalecida e desafio as leis humanamente colocadas no plano "real". Não aprendemos que a realidade é uma construção social - pergunto.

Quero que saiba ainda que eu ensaiei, algumas vezes, uma resposta à sua altura. Ouvindo os belíssimos presentes que você delicadamente brindou à minha alma, em especial o texto escrito-musicado na voz-intrepretação de Mileide-ChicO, não pude conter as lágrimas, testemunhas da minha humanidade, testemunhas da minha grandeza-e-fraqueza de ser humano...

Queria, nesse instante, ser capaz de invadir a tela e, no momento dessa sua leitura, falar-ler cada letra que se segue como poesia. Mas, o que é mesmo a poesia, se não a possibilidade de materializar o im-possível - pergunto.

Assim, minha Linda Poeta, Poeta Linda, desde sempre, havia observado que derivamos de um fragmento de uma mesma matriz ancestral - LIMA, sendo outra derivação a presença em comum de Mileide SANTOS, simplesmente e imbricadamente ChicO.

Fico por aqui. Essas, entre tantas outras palavras, gostaria de lhe dedicar nesse momento-instante e, porque ele existe, impregnada da força poeta de Cecília, podemos ser Poetas...

Um abraço afetuoso e com toda a minha imensa gratidão, e como agradecer é celebrar a vida, escrevo-lhe O B R I G A D A.


Jilvania Lima, Jil


Apenas faço desse verso minhas palavras:
"De virada desço o queixo e rio amarelo"

Quem gostou, mais uma vez, bate palmas!




sábado, 28 de fevereiro de 2009

Férias e muitas Saudades de um Tempo!


Aqui estou! Final de férias e um desejo louco de ir, mas querendo que dure mais um pouco. Nunca descansamos o suficiente. Incrível. Nessas férias foram tantas emoções sentidas. Tantos desejos ocultos. Alguns se revelando. Um pouquinho de chateações. Muitas alegrias. Muitas palavras. Quantas saudades de outras épocas e outros sonhos. E lembranças de outras férias surgindo em minha mente o tempo todo.
Lembro-me de quando era apenas uma garota preocupada se a brincadeira seguinte seria tão divertida quanto a anterior. As férias duravam uma eternidade. Não tinha a menor noção de um mês, dois meses. O que importava mesmo era que fiquei de férias em um ano e só voltaria a estudar no outro ano. E às vezes eu perguntava que dia é hoje? E alguém respondia. Nem eu sabia o motivo da pergunta. Um dia não tinha apenas 24h era muito mais que isso. Minhas férias eram eternas. Durante essas férias eternas passava alguns dias ternos na casa da Vovó que também era a casa do Vovô, da Dinda e do Tio. Vovó sempre muito atenciosa e cuidadosa. Tranqüila até demais. Eu passava horas penteando seu cabelo. Ela tão paciente deixava. E eu esticava para lá... Puxava para cá. Ela apenas falava: ‘_ Não acabe com o resto do meu cabelo!’ Eu continuava penteando e imaginando todos elogiando aquele cabelo lindo. Fazia tranças... Desfazia. Fazia cachos... Desfazia. Agora penteava para o lado. Para o outro lado. Não, ao meio fica mais bonito! Hum, todo para trás. E quaisquer que fossem os penteados que fizesse o cabelo sempre terminava do mesmo jeito que a Vovó penteava. Todo para trás com alguns grampos prendendo-os. O Vovô era muito calado. Ele era um sábio. Eu tinha tanto medo dele. Ele lia muito. Tinha uma estante recheada de livros que eu achava chato e na mesma proporção sentia medo. Após alguns anos eu comecei a lê-los. Alguns estão comigo até hoje. O Vovô fazia uma coisa que me deixava enfurecida. Ele simplesmente desligava a TV. Isso mesmo ele desligava a TV e pronto. Nem adiantava a Vovó gritar lá da cozinha que a menina (Eu) estava assistindo que ele não ligava. Eu lá sentada, assistindo completamente envolvida com/pela história. Já era um personagem. Nem o via. Ou fingia não vê-lo. Mas o Vovô caminhava, lentamente, passava a mão sobre a TV e dizia que ela estava muito quente e que se continuasse esquentando iria pifar. Pronto. Ele desligava a TV. Eu permanecia no sofá furiosa e geniosa. Continuava aquela aventura dentro de mim e imaginava mil finais para ela. Minha diversão era sempre garantida. Vovô tinha muitas histórias. Ele gostava muito de contá-las. A casa cheia. Filhos. Noras. Netos. Bisnetos. Amigos. E ele lá contando seus aprontes... um homem muito forte e de muita garra. Se não falha a minha memória foi o terceiro derrame que o derrubou. Vovó sempre ali ao seu lado. Eles fizeram bodas de ouro. Eu vi. Hoje a Vovó usa duas alianças na mão esquerda. E a minha Dinda. Lembro-me dela sempre lendo. Era livro, revista, texto, jornal. Eu passava por ela despercebida e tudo que eu pensava naquele momento invisível era ser como ela quando crescesse. Inteligente e bem humorada. Será que um dia conseguirei? O quarto da Dinda era o meu sonho... As roupas mais bonitas, vários batons, um espelho grande, TV, radiola. Radiola mesmo e a TV era preta e branca. Minha Dinda ouvia umas músicas que eu não entendia, mas que me influenciaram muito. Aretha Franklin. Nat King Cole. E tantos outros que já nem lembro o nome. Eu já era uma mocinha quando a Dinda deixou a casa da Vovó e foi morar em seu apartamento. E com ela aprendi tantas coisas. A leveza da vida. A acreditar nas pessoas. A ser amiga. A aproveitar a vida.
Quantas lembranças! Eu daria um mês das minhas férias hoje para ter um dia desses novamente.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

História de Amor n° 03: A Paixão.



Ela se apaixonou mesmo. Foi no primeiro dia que viu e quando ela deu conta estava completamente iluminada por aquilo sorriso devastador. E aquela voz que falava era a voz que ela ouvia dentro dela e tocava seu coração. Era a voz dos seus sonhos. Lá estava ela apaixonada. Estropiada e apaixonada. Achava que esse tipo de paixão só existia em filmes de sessão da tarde e novela das seis. E tudo que ela achava ridículo agora era lindo. Inclusive as cartas. Já não respirava mais, vivia de suspiros. Gastava horas pensando no dia em que viveriam felizes para sempre. O tempo gastando. A paixão crescendo. O desejo multiplicando. Fazia de tudo para estar mais próxima. Fazia de tudo para ser notada e algumas vezes até era. E isso explodia dentro dela. Era uma felicidade incontrolável. Sorria! Cantarolava! Dançava! Mas aquilo ainda era muito, muito pouco perto dos seus eloqüentes sonhos. Ela queria sempre mais. Ela procurava por algo mais extraordinário do que aquilo. E foi então que ela decidiu que não poderia mais suspirar sem sentir aquele sorriso dentro dela. E ficou pensando numa forma num jeito. Espremeu sua cabeça até ficar tonta. Estropiada, apaixonada e tonta. Eis que surgiu uma idéia! Ela queria beijar aquela boca de qualquer jeito. A cena já estava toda ensaiada em sua fértil cabeça e seu prolixo coração. E no dia escolhido lá estava ela. Tão nervosa que mal conseguia conter-se. Excitava-se mais a cada segundo. Avistou o sorriso de longe. Até que o sorriso foi aproximando-se dela. Cada vez mais perto... Perto... Pertinho. Agora sua face já sentia aquela respiração... e boom! Explosão! O beijo aconteceu. Da forma como ela havia planejado. Ela tentava disfarçar (em vão) o sorriso, mas a felicidade era tanta que ela mal conseguia. Então ela elevou suas mãos sobre os lábios sentiu sua boca fervendo. Seu olhar estava radiante. Estava em êxtase profundo. Ela tentou dizer algumas palavras como havia ensaiado, mas não sabia se estava mais nervosa ou mais feliz e só conseguiu dizer: - Desculpe na hora que... E foi prontamente interrompida, ela ouviu uma gargalhada e a frase: - Tudo bem! Isso acontece, relaxe! Ela calou-se. Sentou-se. Lá estava ela apaixonada, estropiada, tonta, sentada e calada. Tentava acalmar-se. Não tinha ensaiado aquela reação. A felicidade saía gritando pelos seus poros e espelhava-se pelos seus pêlos. E depois daquele beijo ela já começara ensaiar outro... Outro beijo. Um abraço. Uma declaração. Uma consumação. Um amor.


sábado, 7 de fevereiro de 2009

(...)



A minha felicidade cessa quando você sorrir. O seu sorriso a sua felicidade danificam meu ser. Como estar feliz com a sua felicidade? Só consigo ser feliz estar feliz com a sua tristeza para que assim eu possa ser sua bengala. Eu preciso de sua tristeza para estar junto a ti. E ser útil nos momentos ruins. E ser feliz com a sua fragilidade. Saborear a sua melancolia como saboreia um sorvete em tarde de verão. Sua tristeza me alimenta. Os seus dias cinza tornam os meus dias coloridos. O seu inverno é o meu verão. Uma lágrima que escorre em seu rosto delicado é um sorriso meu disfarçado. Os seus problemas grandes garantem horas de minha dedicação, atenção e felicidade ao seu lado. Porque eu sei sorrir com a sua dor. Porque eu só seu ser feliz com você infeliz. E por mais que falem que você apenas me usa quando precisa. Eu aceito. Eu aceito ser usada dessa forma. É o único meio de me fazer feliz. E quando o sol brilha para você e você sorrir para ele. O meu dia se torna nublado. Seu inferno me deixa zen. Seu zen me deixa no inferno. O seu sorriso faz sangrar meu coração. Observo sua felicidade de longe e quando a vejo. Quanto mais próximo mais dor. Todos estão ao seu redor quando você está feliz. E as pessoas que te fazem feliz são fuziladas uma por uma dentro de mim. Alguns podem até me condenar, outros podem se identificar. Mas revelar-se, mostrar-se. É difícil. Eu tenho coragem. A verdade é que muitos sentem o que eu sinto, mas poucos conseguem revelar. Eu consigo. Já não sou hipócrita. Sou feliz assim e desse jeito sigo até o fim. Incansável. O meu sonho de felicidade seria estar ao seu lado tendo você triste e em total depressão. Felicidade eterna para mim. Infelicidade eterna para você. Porque eu só quis ouvir “na doença, na tristeza, na pobreza”. É mais fácil amar quem é infeliz. É quase uma obrigação. Sentir piedade do pobre infeliz e coitado. Difícil é amar quem é feliz. Como posso me sentir útil se você já é feliz? Não consigo, não nasci para ser complemento de felicidade alheia. Comemoro sua tristeza dentro de mim. É um carnaval. Sinto os fogos do reveillon estourarem em meu peito. Sinto adrenalina. Sinto-me viva, elétrica e completa. Sinto-me bem. Muito bem. Eu odeio você feliz. Eu morro aos poucos nos seus dias de felicidades. Renasço e floresço em seus dias de tristezas. Eu amo você infeliz. É bom ter você comigo com toda a sua tristeza. Assim te sinto meu... só meu.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Para quando você chegar...



Se você quiser namorar comigo. Eu prometo surpreender você a cada dia. O nosso amor seria reinventado todos os dias. Pequenas porções de mim para ti, você receberá para não enjoar de uma vez só. Eu quero dizer: - Boa noite! E abraçar você bem forte. Me sentir segura. Protegida e protetora. Quero limpar seus olhos de remela de manhã cedo e beijar sua boca com nosso hálito forte. Quero acolher você em meu sorriso. Sentir seu carinho e conquistar sua confiança. Quero escrever cartas de amor ridículas. Quero recebê-las também. Quero sentir seu desejo. Te encher de ternura. E nas noites de frio compraremos um edredom. Gostaria de dividir a vida com você, mas sem casar. Eu quero saber o que você pensa para não realizar seus desejos. Assim teríamos sempre o que buscar. Eu não sei cozinhar e a pipoca sempre queima. E quando estivéssemos nos beijando esqueceríamos a panela no fogo. Pediríamos uma pizza. Faço um café maravilhoso, mas o leite sempre derrama e suja o fogão. Eu xingo, brigo, choro e peço desculpas depois. Eu quero companheirismo. Eu quero cheiro no pescoço. Cenas de ciúmes às vezes são necessárias. Eu quero o carinho certo na hora errada. Eu quero dormir sobre você. Eu quero roubar seu cobertor. Eu não bebo, não fumo e durmo cedo. Eu não quero ter filhos. Eu amo crianças. Eu farei uma trilha sonora para ouvirmos em casa dia de domingo. Eu te apresentarei minhas emoções. Prometo que os meus defeitos serão apresentados um de cada vez. Não quero que você fuja! E vamos andar de mãos dadas pelas ruas. Ver o pôr do sol. Eu cobriria você com as minhas palavras. Eu te quereria todos os dias. E quando você sentisse medo eu apertaria sua mão. E quando não soubesse o que falar sorriria. E quando não soubesse o que fazer te abraçaria. Eu não gosto muito de assistir TV, mas assisto novela contigo se você quiser. Eu choro lendo livros, mas não choro assistindo filmes. Eu tenho vergonha de mostrar meus versos. E quando brigarmos, brigaremos mesmo. Nos amaremos depois. E nos dias de gripe beijarei a pontinha do seu nariz. E se você tiver que viajar e me deixar... Eu vou atrás! Andaríamos felizes. Sorriríamos de tudo. Não te prometeria o sol, mas você seria meu girassol. E nas noites escuras seus olhos me guiarão. E se algum dia você, simplesmente, perguntasse: - Por que? Eu falaria: Eu só amar assim... Estou cansada de me dividir No que é certo no amor Quem é que vai dizer o que falar? Calar? Querer?



sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Para Minha Querida...

Eu procurei algumas palavras dentro do meu dicionário para você, mas às vezes as palavras brincam comigo elas se escondem e querem que eu as procure. Só que hoje meu coração tinha urgência em escrever para você e não pude encontrá-las. Lembrei de uma música que você gosta muito e resolvi postar aqui para você ficar bem. Eu apenas gostaria que todos os seus dias fossem sextas-feiras e assim você pudesse ser (mais) feliz. Só agora compreendi a beleza dessa música. Essa é uma canção composta por Adriana Calcanhotto e belíssima quando cantada por Belô Velloso. Essa música me parece uma declaração de amor à Bahia. A Bahia que você abarcou e que agora te pertence cada vez mais. Gostaria de falar para/com você que nós estamos juntas nessa caminhada, porque "toda sexta-feira todo mundo é baiano"...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Migalhas de um todo

Tento descobrir o início. Onde tudo começou, mas não consigo. Tem coisas que acontecem por acaso e o acaso torna-se óbvio e o óbvio é uma conseqüência natural das causas. Toda causa tem uma conseqüência. Mas se toda conseqüência é motivada por uma causa, procuro saber o ponto de partida da causa o que causou aquela causa. É a velha história quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha? Se eu soubesse onde tudo começou, talvez ficasse mais fácil descobrir meu papel nesse mundo. Não sei qual o meu lugar no processo, se estou no início, no meio ou no fim. Sei que faço parte mesmo quando me sinto excluída de todos e de tudo, sei que tenho meu lugar garantido no processo. Que processo será esse? Não sei. Não tenho tido um sono tranqüilo, tenho dormido pouco e comido muito. Procuro fazer coisas tentando despertar meu inconsciente, às vezes acho que ele está adormecido e só ele tem as respostas para todas as perguntas que faço. Penso também que meu inconsciente rir dessa minha busca desenfreada. Sinto-me envergonhada. Sinto-me pequenina. Sinto-me desamparada. Tenho a impressão de que esse mundo não é real, vejo seres dotados de inteligência cometendo atrocidades antes vistas no cinema. O mundo então é uma grande tela de cinema. E eu será que faço parte dessa irrealidade cotidiana ? Será que sou real? (...) O que será que vem depois? As árvores dão frutos e vivem por séculos. E eu até quando viverei? Qual será a minha contribuição? Às vezes acho que sou conformada, mas muitas vezes tenho idéias revolucionárias e aí ninguém me entende. Perdôo a todos que não consegue entender-me. Nem eu entendo me. Compreendo-me, mas entender-me é complicado, é denso, é intenso, é profundo. (...) Tenho vontade de perguntar aos berros: Quem sou? Para que alguém ouça e dê-me a resposta que tanto preciso ouvir. Às vezes acho que alguém virá dizer-me isso, quem será meu herói? Será que tenho um? Alguém por favor, diga-me o que eu preciso ouvir. Ninguém responde. (...) Tenho que descobrir sozinha à parte que cabe a mim nesse mundo. Sei que tenho uma parte. Já não me sinto desamparada, mas sinto-me solitária. Preferia estar mal acompanhada a só. (...) Eu sinto que faço parte do processo, mas sinto me excluída. Às vezes sinto me excluída, meio sem lugar neste mundo. Talvez eu ainda não tenha encontrado meu lugar, porque as coisas têm acontecido rápido demais. A velocidade das coisas deixa-me perdida, quando eu penso no tempo que é, que estamos de repente já não é mais. Internet, TV, Pager e outros tantos blás deixa-me furiosamente enlouquecida. Não me reconheço mais na sociedade imediatista que é capaz de fazer qualquer coisa para garantir sua felicidade individual. (...) Temos tudo que merecemos isso é uma verdade. (...) Deixar a vida à própria sorte é um erro, mas também não podemos ser um estrategista. Traçar um objetivo e correr atrás dele isso é realmente importante. Meu maior objetivo é escrever, o quê? Realmente isso não importa, sei que quero escrever para o resto da minha vida. Agora já estou escrevendo sem saber o quê. (...)

domingo, 4 de janeiro de 2009

Fragmentos...


Eu deixei escapar. Foi sem querer. Confesso. Estava segurando bem forte, mas não tenho muita firmeza em uma das mãos. E você sabia disso. Você sempre soube e por isso jogou tudo em cima de mim e me pediu para segurar. Caiu, foi sem querer. Eu não desejei que caísse. Estava segurando firme, mas escapuliu. E já era, caiu mesmo. Espatifou-se. Eu tentei recuperar os pedaços e juntá-los, mas eram pedaços muito pequenos. E você preferiu ir embora e não quis me ajudar. Até tentei sem você, mas os pedacinhos foram se perdendo. A sua ausência crescendo, doendo e multiplicando. Aí ouvi muitos burburinhos. Algumas pessoas falaram para eu largar todas aquelas coisas ali mesmo e que não valia mais tentar juntar o quebra-cabeça, porque o maior pedaço estava muito quebrado. E mesmo se eu o colasse não daria certo, porque não dá para viver numa colcha de retalhos. E eu sou feliz, porque sou inteira. Não me divido. Então eu levantei e deixei aquelas coisas pequeninas lá no chão. Outras pessoas chegaram, pisaram e aquelas coisas ficaram ainda menores. Viraram partículas. Quando essas pessoas foram embora eu peguei a vassoura e varri aquilo que restou, depois joguei no lixo. Um lixo não reciclável. Muitas pessoas que foram lá para observar e sem nada para acrescentar levaram uns pedacinhos grudados em seus solados. Logo depois as coisas foram seguindo seu verdadeiro caminho. Eu não poderia impedi-las. Eu não sou She-Ha! Eu não tenho a força. Cada um sabe de si. Ou acha que sabe. Eu não sei sobre mim. Certeza. PARÊNTESES. (Na hora que estava juntando os caquinhos percebi que aquilo tudo já não me pertencia mais. Nem pertencia a você. Não era mais nosso). E essa coisa de si em mim não dá. Não flui. Isso pesa, percebe? Não posso me responsabilizar por tudo. Eu não estava sozinha, apesar de sempre ser só. A realidade é essa aí e é uma só. A realidade é essa que se vive. Não adianta se esconder. A vida te encontra e escancara a realidade bem diante de sua cara pálida. E você fica perplexo olhando a vida passar diante de seus olhos marejados. Ninguém perguntará a você o que você quer da vida. É tudo imposto. Sua opinião e você nada valem. Não é você que faz as escolhas. A vida te escolhe e te impõe. E você tem que aceitar tudo aquilo calado. Tentando digerir devagar, porque se se engasgar já era. A vida não pára por causa de você, a vida segue até o dia que ela quiser. E quando ela não quiser mais, ela vai embora. E nem te pergunta se você quer partir. E eu que ficasse lá juntando os caquinhos!