domingo, 28 de abril de 2013

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O despertador que não acorda. O telefone que não toca. Os domingos são sempre doloridos. Tristes. Trazem más notícias. Realçam a solidão. A tristeza que carrego em minhas costas largas. Céus cinzentos. Nuvens carregadas de desejos de melhoras. Não há melhorias. É o dia da ausência. É a quebra da rotina. Não falem mal da rotina. Os hábitos são importantes para aqueles que nada possuem. Preciso me prender a algo. Criar uma rotina especial para os domingos. Todos em sua própria casca. Não me deixam entrar. Não sei se quero entrar. Ficar fora é bom. Mesmo que cause exclusão. Se você sempre foi excluído, não sofrerá com as perdas. Já perdi. Hoje quero ter paz. E o que interessa na vida? E o que interessa da vida? Quase não sei... Nem desconfio de muita coisa. Para dizer que não parafraseei Rosa. Nem das flores. Não é simples viver. É complexo. Ser responsabilizado por todas as escolhas. Realmente, Jean, o homem está condenado à liberdade. E o que fazer quando se tem um dia de domingo inteiro livre? Não podemos ser livres. Temos de ter amarras. Temos de ser programados. São tantas opções. Por favor, não me mostre muitas. Quero sempre duas, ao menos. Uma para ter certeza, e a outra para garantir. Ter que escolher sem saber o que se quer, é fogo, e a vida nem dá uma dica. Talvez a busca se resuma em um sim. Estamos sempre procurando garantias. Há garantias? Há merecimentos? É acreditar! Mas, acreditar que? Quem? Verba volant. E o que fica? Experiência? Conhecimento? E o amor? Talvez, a vida se resuma a isso, um sim, ou, a procura do sim. E o que fazer com tantos nãos que recebemos? São tantos nãos que recebemos, que nem sabemos dizer sim. Se pararmos para pensar também somos o sim de alguém, mas estamos condicionados a falar não. Podemos tentar de outra forma. Mas, temos antes de criar essa nova forma. A mudança parte sempre de dentro para fora. Não adianta falar que houve mudanças. É preciso senti-la! Os domingos são sempre cruéis, reflexivos e cinzas. Basta ficarmos sozinhos que começamos a propor mudanças. Novos olhares. Nova forma de pensar, agir e se dar... Amanhã é segunda-feira e tudo volta ao normal.




domingo, 17 de março de 2013

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Quando sento para escrever. Escrevo tomada pelo delírio. Algo transcende. Inconsciente liberado. Não tenho domínio. Não sei o início ou o fim. Sei que tenho de estar apta. Não faço planos com a escrita. Nem com a vida. Às vezes faço com as pessoas. Mas, desisto fácil. Gosto de me observar no reflexo da lente de seus óculos. Esse tem sido um plano bom. O plano da minha vida é sobreviver ao minuto seguinte. O futuro é o próximo segundo. A próxima palavra que escreverei. Quero me libertar de todas as certezas. Quero ser insegura. Sentir medo. Não quero ser corajosa. Quero sair do estável. Quero ser humano. Sentir a flor da pele. O desejo. A dor. Seu sorriso em minha boca. Reencontrar meu eixo. E romper depois. Romper com o conforto. Sentir-me viva com todas as angústias que isso acarreta. Neste momento estou em processo de decantação. Tenho distúrbio de imaginação. Escrevo palavras sem nexo para tentar descrever o que penso. É tudo tão confuso e já passa das 23h. Os sentimentos se misturam. Combino surtos de fúria demolidora e ternura na mesma proporção. Serenidade e agitação. Sou apenas fragmentos de sentimentos. Minha escrita é formada de pedaços. Não há mais o ser. Ser inteiro. São performances instantânea, circunstancial. Uma vez liberado, liberado.................