terça-feira, 29 de junho de 2010

Uma Saudade...

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Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant)

sábado, 26 de junho de 2010

Outras migalhas que estavam esquecidas...


Meus olhos vagueiam pela paisagem procurando a exatidão que não encontro em mim. Talvez não seja o momento de encontrar a exatidão do meu ser. Gostaria de fazer esse instante, mas ele não se faz. Permaneço sem cais, à deriva na busca interna do meu eu. [...] As palavras depois de pronunciadas não podem voltar atrás, o instante em que se fala já foi e aí estão muitas confusões. Nada do que se fala pode ser retirado por isso escrevo, brinco com as palavras, retiro-as, arrumo-as e tudo continua sendo do jeito que sempre foi, do jeito que eu gostaria que as coisas fossem. [...] Compreendo-me, mas entender-me é complicado, è denso, é intenso, é profundo, mas profundo do que uma criança no ventre da mãe. O nascimento é uma violência, a criança é arrancada, jogada para fora, solta e desprotegida nesse mundo cruel. Queria poder retornar para o ventre da minha mãe, o único lugar que estive segura em toda a minha existência. [...] A liberdade joga o homem no mundo e ele não sabe como se proteger. O que fazer com a liberdade que foi lhe dada? Os homens não quiseram essa liberdade, não almejaram e nem esperaram por ela. A liberdade foi dada a eles, foi lançada como se fosse um castigo. Talvez por isso esteja tão perdida, não sei o que fazer com meu castigo. [...] Mas eu não quis nada disso, não quis ser adulto. Não quis crescer. Não tive escolha, não me deixaram escolher, agora posso entender uma frase de Jean Paul Sartre, que diz: “O homem está condenado à liberdade.” Eu fui condenada , não deixaram escolha, eu não tive opção. [...] As mãos são o contato maior que se tem com uma pessoa, a mão e o olhar permitem-me poder chegar ao interior do outro. O íntimo. [...] Permito-me a ser. Permito-me a estar. Mesmo sabendo quem não sou. Deixo as coisas fluírem. O sentimento flui em mim. O sentimento brota no meu peito com uma vontade louca de sair, de manifestar-se, expandir-se, gritar. Por mais que tente não consigo detê-lo. E eu também não quero, quero que ele vá abarcar quem ele quiser. [...] O infinito é denso, complexo e antagônico, como eu em minha vida e minhas poesias. Minhas poesias são o reflexo perfeito das minhas ausências angustiante. Não sinto nada do que escrevo apenas fecho o olho e imagino daí as idéias vão surgindo em versos histórias e eu tento colocar as coisas em ordem às vezes eu consigo, às vezes eu domino. Fecho os olhos e durmo. Quando acordo as coisas estão mais calmas, até o processo começar outra vez. [...] Estou sempre criando obstáculos para desistir daquilo que quero, crio obstáculos imaginários, intransponíveis e desisto de tudo, deixo tudo ao meio e depois me sinto fracassada, sinto-me um fiapo, um bagaço. Aliás, não posso sentir-me um bagaço, pois o bagaço já foi algo e eu não consigo ser metade daquilo que pretendia quando era criança. [...] A solidão é o meu êxtase. Quando estou sozinha atinjo meu equilíbrio pleno, revejo minhas ações, meus pensamentos. [...] O tempo é algo que me surpreende muito. Há dia em que luto contra o tempo e chego ao final arrasada e derrotada. Lutar contra o tempo é uma luta árdua (reconheço), mas é em vão. No final das contas é ele quem rege nossa vida, nossos momentos. [...] Escrever é a minha grande paixão talvez seja a maior de todas. A escrita é meu grande amor. [...] A escrita me compreende muito bem porque ela é exata, inalterada. O que está escrito, tá escrito e pronto e ponto. [...] E olhar novo eu tenho em todos os instantes. Então tudo para mim é novidade, até o óbvio torna-se novo. [...] Gosto é de não ter certeza. Gosto da inquietude. [...] Fiz um trato com a dúvida nem ela me atormenta nem eu a persigo. E assim vamos vivendo. Meu convívio com a dúvida é muito bom. [...] Às vezes até eu assusto-me com a minha sensatez. Sou uma pessoa muito sensata, apesar da minha loucura constante. De uma coisa eu posso dizer que tenho absoluta certeza: a vida não volta atrás para que possamos consertá-la. É como água de torneira que não volta, é como um minuto. A vida é como leite derramado. [...] Os meus desejos mudam rapidamente, eu não quero mais o que queria a meio segundo atrás, isso me deixa completamente confusa, sem saber realmente o que quero. Eu quero tudo e ao mesmo tempo tudo não é suficiente para mim. Às vezes me contento com pouco. [...] Talvez esteja escrevendo por hábito. Os hábitos são difíceis de serem quebrados.

sábado, 19 de junho de 2010

Para Minha Pretinhosidade!

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Pretinhosidade - (Mart'nália/Mombaça)