domingo, 27 de novembro de 2011

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Quero esvaziar. Esvaziar o sentido da palavra. Desnudá-la. Tirar seu véu. E, com isso, despir meus sentimentos. Deixá-lo nu. O sentido da palavra é a palavra. O sentido da vida é a vida. O sentido do sentimento é o sentimento. Quero a palavra, a vida e os sentimentos sem adornos. Sentir o sentimento sem enfeites. E quero experimentá-lo. Forma mais crua. Senti-lo em minha pele. A emoção. Gritar por não conseguir contê-lo. Atingir o clímax. Quero transcender o sentimento. A palavra, a vida. As pessoas. Quero sentir o sentimento puro. Primitivo. Desfolhado. Arder à pele. Explodi-lo de dentro para fora. Mas, não deixá-lo sair. Quero potencializar os instantes de carinho. Quero o amor amplo. Amar a todos e quem mais chegar. Quero a palavra pura que descreva o que estou sentindo agora. Minha linguagem não é capaz de tornar o amor que sinto compreensível. Minha linguagem não traduz. Junto um monte de palavras coloridas, mas elas não abarcam meu sentimento. O que sinto começa na pele. Começa na superfície. E entra. Dispara meu peito. Causa frio na barriga. Da barriga a garganta. Da garganta a barriga. O que sinto vem de dentro. É interior.  Do interno para o externo. Estou confusa. Porque não sei... Não consigo… apenas sinto. Tento, novamente. O que sinto vem de dentro. Mas, o que vem de fora também me afeta. De dentro para fora. De fora para dentro. Meu corpo é o meio. É o centro. O canalizador dos sentimentos. É afetado por todos os sentimentos. Meu corpo padece. Tolera. Estremece. Geme. Suporta. Pereniza. Agüento. Sofro. Não desisto. Continuo minha labuta. Meu árduo trabalho. Significar. Traduzir. Nomear aquilo que sinto. Quero esvaziar a palavra para caber meu sentimento. Para caber na amplidão. Faço dessas palavras meu apelo sensorial…


domingo, 13 de novembro de 2011

Ao Menino do Tempo...


Menino do tempo, não quebre seu relógio Mas, desligue-se dele vez em quando Permita-se a viver É bom! E mesmo que a bruxa menina anjo fada mulher demônio saiba de todas as coisas, não se preocupe Porque o mais importante ela não sabe Como essa história terminará Porque a vida é aleatória Não tem como planejar todos os segundos do dia O universo é aleatório E deve ser, por isso, que não acredito nos sentimentos eternos Acredito nos sentimentos ternos Eternos são chatos O eterno para mim é monótono Não conquista Não atrai Repousa no comodismo Mas, não é sobre isso que quero falar É sobre o tempo A falta dele E a urgência dele  Tento controlar o tempo, mas sem controle e ele me controla o tempo todo Isso me deixa lúcida Não gosto de ser lúcida, mas o tempo exige isso de mim O que ganho com a lucidez? E dele só exijo que me espere Não me apresse Me descontrolo quando sinto que perco tempo, esperando por algo que não vem O tempo passa enquanto tento escrever meia dúzia de palavras bonitas Está tudo revirado e falta tempo para desvirar Organizo minhas coisas, porque não organizo meu tempo Não seja o Menino do Tempo Seja o menino apenas Com toda a pureza que essa palavra carrega Com toda inocência que essa palavra traz Enquanto você passa por mim O tempo passa por nós como qualquer um Não percebemos Porque o tempo é invisível aos olhos Mas, deixa marcas na pele Trago suas marcas em meu rosto Nos fios de cabelo branco  E a gravidade que me é fatal As coisas caem mesmo É o tempo passando, enquanto falo Apago a luz e permaneço no escuro Já, já amanhece E meus olhos não fecharam Perco sono fácil Perco tempo Como recuperar uma noite perdida? Como recuperar o tempo perdido? Menino do Tempo, já que é tão esperto e inteligente, tente me responder Você é tão jovem e sábio Tente ao menos se lembrar da resposta que está perdida dentro de você Mas, antes deixa te falar que o passado e o futuro encontram-se no presente O passado é a primeira palavra desse texto e o futuro será a última O tempo continua passando, enquanto você ler e finge que nada disso é importante Vou até cozinha beber um pouco de água Volto logo! E enquanto isso, o tempo passa Porque o tempo não pára, diz naquela canção Menino do Tempo, não espere alcançar seus desejos (dinheiro, poder, respeito, admiração, amor…) para ser feliz Seja agora! O tempo não vai parar para você alcançar tudo isso Seja feliz com o que você tem E se tem tão pouco Alegre-se com o pouco que tem Faça da ausência uma felicidade Olhe para trás e veja o que viveu Mas, não faça disso algo constante O tempo passa, mesmo quando paramos para relembrar Vivemos com o pé no passado e outro no futuro Estamos apressados demais para viver o presente Enquanto a bruxa menina anjo fada mulher demônio sabe que há muita coisa para acontecer em seu tempo, não se desespere O tempo continua passando mesmo que você não olhe para trás e esteja acorrentado em seu relógio…


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Duas Palavras para a Moça dos Olhos Doce

Duas palavras para Juliana Soledade
Moça que carrega a doçura nos olhos. O que você quer falar? O que tanto deseja falar? O que as pessoas têm de ler? Por que falar ao mundo? Qual a urgência em ser lida? Por que parar de escrever?  Escreva por você. Escreva por mim. Que me sinto refletida em cada palavra. Em cada sentimento. Escreva por nós, minha querida. Escreva pelos nossos olhos que tateiam pelo sentimento perdido. Escreva pelo impulso criativo. Escreva para mim e mande notícias. Só aquelas que possuem a alma livre se reconhecem. Elegem-se. Elegi você. E reconheço o que há em mim quando olho em seus olhos castanhos, doce. Ainda não sei o que reconheço. Certas coisas precisam apenas de sentimento. Tenho bastante em mim. Talvez, reconheça em seus olhos o sentimento que transborda. Também transborda em mim. De ti para mim. De mim para ti. Um elo que só se entende pelo olhar. Pela palavra de poeta. Moça dos olhos doce! Escreva para desabrochar o sentimento. Que escorre pelos olhos. E ampara-se no papel. Escrevo, porque a palavra pesa na boca e pede para sair. Apressada, exige escritura imediata. A escrita é para mim como uma necessidade fisiológica (E por que não dizer psicológica?). Escrevo pelo prazer de escrever. E só consigo escrever quando estou bem. Nem alegre. Nem triste. Bem. Quando abro a porta para as palavras não consigo fechá-la. Meu coração pula para fora do peito e tento descrever essa emoção que sinto. Minhas palavras são tão afetadas de emoção que gritam. O dia que conseguir traduzir em palavras meus sentimentos minha escrita findará. Escrevo para mim. E por mim. Pelos meus olhos. Pelos seus olhos, doce. Escrevo o diálogo que tenho comigo. Entende? Sei que você entende. Você é a dona dos olhos mais doce que já vi. Quem preserva doçura nos olhos, preserva o coração puro.  Nossas palavras estão interligadas pelo fio que tece nossa escrita. Ainda não podemos revelar aos outros. Quando quiser revelar ao mundo seu segredo, não grite! Fale baixinho para mim. Cuidarei de guardá-lo! E a noite quando a angústia, que atormenta os corações livres, te abater. Não se desespere. Acalme seu coração! Lembre-se que do outro lado, estarei tateando o sentimento que bóia denso na ilusão perdida dos nossos olhos angustiados...



sábado, 29 de outubro de 2011

My Birthday!

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It's my party - Amy Winehouse ft. Quincy Jones


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

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É que faz um tempo que não escrevo. Estava adormecida. Às vezes as coisas acumulam. Ainda não sei como isso terminará. E se terminará. Mas estou escrevendo, porque a necessidade é mais forte que a inspiração. (Pelo menos em mim!) Assim como o amor é mais forte que a razão (?). Nada sei do amor. Nem de amar. Ah, mar! Molhando meus pés descalços no final da tarde de outono. O vento levando meus cachos. E seus olhos castanhos que descansavam em mim? Continuo escrevendo apenas para falar de mim. E não sobre mim. Já está tão tarde e o sono vem. Preciso dormir. Enquanto estou sonolenta, preencho linhas. Minhas letras preenchem a lacuna entre uma linha e outra. Ao mesmo tempo em que me preencho. Me alimento enquanto escrevo. É bom e não engorda. Tive muitas idéias. Não tinha papel. E a ponta do lápis sempre teima em quebrar no momento errado. (clichê) Muitas coisas se perderam. Esqueço as idéias quando não escrevo. Minha memória é escrita. Subo escada, desço escada. Esbarro em pessoas. Derrubo livros. Distribuo sorrisos e olhares perdidos. Queria convidar você para tomarmos um sorvete colorido. Mas, meu rosto cora quando você está perto. Imaginação. Sua mão sob a minha. Seus olhos atentos capturando imagens monocromáticas. O sonho acabou. Alguém tinha um sonho: acordou! Ainda preciso falar duas coisas antes de terminar. Não consigo lembrá-las! (clichê). Retorno para essa escrita outro dia... O resto é silêncio.


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

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É difícil escrever com lágrimas nos olhos. Mas, preciso espichar um pouco mais as palavras, porque não deu para agradecer as pessoas, meus alicerces, que auxiliaram em minha caminhada e, muitas vezes, caminharam comigo. Sinto-me muito comovida ao escrever linhas que seguem. Pedro, poeta lindo, eu quis muito e por isso continuei e continuarei naquela casa. Ainda não consigo compreender, claramente, o que foi preciso perder para ganhar. Preciso me afastar para desembaçar e voltar a enxergar com olhos gulosos que trago comigo desde o tempo de menina. É preciso ter distanciamento quando se narra. Aprendi isso, essa lição foi fácil. Difícil foi lidar com tantos egos. Inflados. Carregados de verdades. E eu ali perdida, querendo aprender com tantos mestres. Outra lição que aprendi, Aprenda rápido que lá os nomes não decepcionam, pelo menos até a gente tomar partido. Nem preciso falar que tomei partido e vou à frente da tropa para proteger os meus. Mas, foram tantas dúvidas. Precisei de muitas conversas para acalmar minha alma em desalinho. Encontrei mais quatro almas como a minha, às vezes até mais ansiosas. Nos grudamos e não nos largamos mais. Distanciamentos aconteceram. Mas, era só nos encontrarmos sob aquelas árvores, testemunhas de tantos planos e sonhos, que estávamos unidas novamente. O mundo (realmente) não nos engole sozinhos. Que bom! Cada uma, a seu modo, tinha sempre uma palavra, um sorriso, um olhar. Cínthia, como é bom conversar com você e sentir a sua paz, a sua maciez em viver a vida. Talita, tão atenta e preocupada com tudo e todos. Joice, a menina dos olhos de ressaca, segurou minha mão quando escorreguei e não me deixou cair. Carlinha, uma amiga querida, dedicada, minha companheira de projeto e desespero. Nos afinamos ainda mais depois de compartilhar o mesmo passo. Você carregou o fardo das minhas neuroses e manias. Meninas, vocês deixaram a caminhada mais leve. Obrigada, minhas nininhas queridas, por suavizar meu caminho. Carol, com sua generosidade enviou um anjo lindo para mim, Ivo. Obrigada Maquinhos, por me interar sobre todos os assuntos do ILUFBA. Edu, meu reencontro lindo, é bom tê-lo ao meu redor novamente. Grazi, Enna, Michele, Murilo, Rosana, obrigada pelo apoio, pelas conversas no MSN, pelos scraps, pelos emails, pelos telefonemas. Obrigada por estarem em minha vida e inundá-la de amor e carinho. LM, você apurou meu olhar sobre a pesquisa. Aguçou minha curiosidade e me mostrou que podemos fazer o melhor, mesmo diante das adversidades. Obrigada, meu bem, pelo carinho, pelos cafés, por não me deixar desistir e pelas palavras de incentivo (constantes). Minha Lindona, o que posso falar? Quando você entrou na sala, pela primeira vez, percebi que as meninas desejaram ser inteligentes e lindas. E os meninos desejaram casar com você. Mas, ficaram envergonhados em pedi-la em casamento e recitavam poesias após as aulas. Rosa, minha flor, obrigada pelo direcionamento acadêmico, pelas palavras de apoio e por enxergar em mim o que ainda não compreendo. Foram tantos mestres que passaram em minha travessia. Juliana, você acredita, que até hoje, lembro das camadas de pavê? Ah, não posso esquecer! Devo confessar que você sempre foi a minha protegida. Desde o primeiro dia de aula reconheci em você o impulso criativo que por vezes me invade. Em meio a tantas surpresas e nervosismo. Sinto alguém me cutucar (e não foi pelo facebook) e perguntar, Você é a Poetinha Feia? Fomos apresentadas. Agora nos conhecemos. Raquel, aquelas tardes eram repletas de encantamento e beleza. Estima e admiração. Ah, isso causou um rebuliço tão grande dentro de mim. Obrigada por compartilhar seus conhecimentos com carinho e iluminar nossos corações. A sabedoria é sempre generosa! Pedro, talvez, agora, já compreenda o que foi preciso perder para ganhar. Espero ter clareado sua visão com meu caleidoscópio.

Um poeta como nós, eles que façam as concessões!

sábado, 6 de agosto de 2011

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Tenho sempre uma lágrima na ponta. Pronta para rolar. Às vezes para fora, borra a maquiagem. Às vezes para dentro, corrói o sentimento. À noite quando durmo feito criança no peito. Tenho sonhos ruins. Não posso controlá-los. Desculpa! Meus olhos fechados enxergam mais do que quando estão abertos. O que imagino sempre é sempre melhor do que o que vivo. Minha imaginação acalenta meu coração. O que vivo deixa marcas em minha carne. Doem com freqüência. Sinto saudades dos seus olhos castanhos apertados. Sua perna sobre a minha. Acho que você nunca existiu. O amor chegou, mas você não se entregou. Assassinaram meu amor às 20h por conveniência. Doeu ler dos seus lábios (que tanto me fizeram feliz!) palavras duras. O seu olhar disperso, fugindo dos meus marejados. O calor que veio por dentro e quase saiu pela boca. Foi engolido seca e lentamente por um café, igualmente, quente. Estiquei os minutos ao máximo para ficar ao seu lado mais um pouco. Depois veio o carinho do consolo. A amizade é o que importa. É o mais importante. Mentira! Mentem para mim há tempos. Finjo que acredito. Sempre calo meus sentimentos. Quando um não quer, dois não amam! – Aprendi essa lição ainda menina. Trago sempre uma lágrima na ponta. Meus olhos brilham mais ao meio dia. Um olho chora mais que o outro. Um é emoção e o outro é contido.


terça-feira, 19 de julho de 2011

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Ouço meus olhos longes demais. Entendo quando querem fugir. Nem sempre eles atentam para minha necessidade. Vejo minhas palavras voarem pelos mares. Molhadas, bóiam densas. Rasuram o que tento escrever. Palavra dita é traída pela memória. Minha lembrança está à deriva. Escrevo. Mas estou sempre à procura dos detalhes. Escrevo para descrever os detalhes que se perdem nos sentidos. O que escrevo é apenas mais uma pré-montagem da próxima escrita. Reescrevo-me a cada segundo. Tento (re)encontrar o que sou. Sou mais um retrato de uma mulher perturbada do novo século. Sou uma úlcera pós-moderna. Carrego a angústia em meus olhos. Perdidos, vagueiam distantes. Sou mais uma esfarrapada. Meu corpo estropiado carrega as esporas que o tempo deixa. Passo e carrego suas marcas. Não permaneço, pereço. Sou como uma palavra ao vento, não retorno. Uma vez lançada, lançada. Uma lágrima rala e a outra faz arder. A terceira ressuscita a dor. Não adormece. Minha vida é provocada pela escrita. Passa e se instaura nela. O que escrevo é minha experiência de passagem. Tento escrever os rastros que meus olhos ouvem. O sentido da palavra está na produção do texto. Quero significar a palavra do dia-a-dia. A palavra cotidiana é invisível. Fala-se apenas, sem reflexão. Meus olhos voam longe demais e carregam minhas palavras. Não consigo alcançá-los. Chamam por mim, mas permaneço a deriva...


quinta-feira, 9 de junho de 2011

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Ainda tento preencher o vazio. Entre um passo e outro. Entre o olhar e uma piscadela. Uma palavra e outra. O sentar e o levantar. Seria retórico afirmar que me sinto como um vidro despedaçado por dentro? Mas é assim que me sinto (Reafirmação). O que esperar de uma palavra falada? Não retornará. Aqui passado e futuro: presente. Não tenho rastros a seguir. Passaram uma borracha enquanto piscava os olhos. Apenas tenho o que ficou por dentro. Lembranças recorrentes com sabor de cappuccino de menta. Goles pequenos queimam e corroem a saudade. Como preencher o vazio entre uma gargalhada e outra? Permaneço calada. Emudeço meus gestos. Minhas palavras. Não preciso conter aquilo que não tenho. Vivo o vazio de forma pura e absoluta. Permaneço imóvel e insone. Tento ocupar-me para não pensar. Preciso não pensar. Por que acham que contabilizo todos os minutos do dia? É preciso manter-se ocupada para não sentir o vazio rasgar ao meio dia. A despedida, não houve. Uma palavra de ternura, não foi dita. As expectativas e as lembranças foram resumidas ao “se”. Continuo no aguardo. Busco a presença que não se consuma. A vida presenteada com a ausência. Aguardo contínuo. Por que acham que organizo todas as coisas ao meu alcance a cada segundo do dia? É preciso contabilizar cada ação para não sobrar tempo para relembrar. Tempos coloridos. Pensar tem sido doloroso. Ocupo-me. Tempo automático. O vazio sublima e não é perecível aos dias. Quero fechar os olhos (e acreditar) que tudo passará...



domingo, 15 de maio de 2011

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Quando sento para escrever com meu lápis de ponta fina e meus pedaços de papéis. Junto sentimentos cabíveis. Tento colocá-los em papéis cortados. De uma forma ou de outra os sentimentos que junto, continuam separados. O que quero falar está escrito. Nada além da escrita. Meu texto não brota das minhas entranhas num rompante de inspiração. Mas, surge do sentimento que desperta e se impõe. É preciso muito mais do que querer para escrever. Necessito estar apta para escrever. Estou. Meu tempo é homogêneo. Minha escrita é heterogênea. Preciso conciliar dissonâncias. Quando escrevo dou outro contorno ao vivível. Minha escrita não é um decalque daquilo que vivi. O que escrevo é borrado, porque minha memória é lacunar. Minhas memórias não são exatamente minhas. Porque a memória se perde. A autenticidade se perde. A escrita reinventa minha memória e sua leitura reescreve. Toda leitura é uma reescrita. Escrevo e me inscrevo no texto. Sentimentos. Sensações. Percepções. Desejos. Utilizo a palavra para descrevê-los. Uma (e)terna busca pelo indizível. Pelo sensível. Começo e recomeço todos os dias. Tento preencher com palavras as falhas que possui a memória. Mas, não minto quando digo a verdade. Nem tudo que falo é verdade. Sou fiel apenas ao sentimento. O mais importante é o sentimento e este permanece...



domingo, 17 de abril de 2011

Querida B.


Eu quero falar sobre a emoção. Sobre o carinho. Sobre o sentimento que permeou a noite. Entre sorrisos e abraços. Palavras trocadas e olhares. Traduzir tantos sentimentos em palavras é um grande desafio. Escrever para você é sempre um desafio. Porque parece que você é conhecedora de todas as palavras. Mas, também devo confessar que é difícil escrever para quem amamos. E eu fico aqui tentando juntar meio punhado de palavras que te faça sorrir. Ah, seu sorriso! Se eu pudesse tirar meus olhos e te emprestar. Somente assim saberia o que sinto quando olho para você. Você tem um encanto que é só seu.  Mas, ainda, quero continuar minha tentativa em descrever a emoção. E tem de ser agora no calor do momento. Porque a emoção quando passa, passa. Sabe aquela coisa que vem de dentro? Pois é, quando estávamos sentadas a mesa senti essa emoção. E quase que ela sai. Mas, tomei um gole de café para que ela retornasse. Não poderia deixar escapulir a emoção. Por isso, tomei outro gole de café dessa vez com cuscuz. Mas, ainda assim a emoção teimava em sair. Tomei outro gole de café acompanhado do bolo de cenoura (que pecado!).  Pensei que o problema poderia ser o café e tomei o suco com bolo de cenoura. (porque bolo é minha paixão!). E a emoção foi assentando-se aqui dentro. Mas, ao olhar para a mesa a emoção retornava mais forte. E estava quase impossível controlá-la. Só então percebi, porque não conseguia acalmar. Ora, tudo ali foi feito com tanto carinho e amor. A cada gole de café. A cada pedaço de cuscuz. Ingeria emoção. Foi aí que a emoção foi se ajeitando. Mas, estava tudo tão gostoso. Que a cada pedaço de bolo meu coração batia acelerado. Parecia que iria sair pela boca a qualquer momento. Poderia arriscar um discurso, mas minha voz engasgaria como uma palavra seca entalada. E meus olhos transbordariam. É complicado controlar a emoção. É difícil escrever com os olhos marejados. O teclado parece boiar em meus olhos. E a tela derrama letras por todos os lados. Mesmo assim continuo, porque estou embriagada pela emoção do momento. E não posso perdê-la. Me senti tão acolhida. Tão à vontade. Tão feliz de estar entre os seus. E saber que sou uma dos seus. Desculpa meus abraços embaraçados. Que derrubam seus óculos e brincos. E que piso em seus pés. Acontece que quando te vejo sinto vontade de te abraçar. Eu quero é te proteger de todo o mal que há no mundo. Criar uma cápsula para te resguardar. E tê-la ao meu lado por todos os dias que virão. Eu te admiro. Te respeito. Te quero feliz. E te amo. Te amo sem medo de errar. Te quero muito bem, meu bem. E quero te falar: Conte comigo! Há tantos dias que quero te falar: Conte comigo! E ainda: Estou ao seu lado! Ah, mas o que posso falar? O que posso dizer, ainda? Logo, eu, uma aprendiz de poeta. A emoção que sinto causa um rebuliço tão fantástico dentro de mim. Só tenho a agradecer. Seu olhar de carinho e cumplicidade me honram muito. Eu agradeço não apenas por estar ali diante daquela mesa (deliciosa!), mas por estar em frente a você. E sentir sua alegria transbordando. Agradeço pelo carinho de todos os dias. Pelos abraços apressados. Pelos sorrisos. Pela palavra firme e delicada. Pelo olhar que nos procura. Pelo sorriso que nos conforta. Pela orientação acadêmica. Pela orientação para a vida. Pelo tempo dedicado. Pela confiança. Poderia alongar esse agradecimento por tantas linhas, mas já está tão tarde e nós temos de dormir...

sábado, 19 de março de 2011

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Os meus olhos vêem coisas que não posso tocar. Tateio pelo vento com o sentido perdido. Não posso perder o sentido. Preciso da lucidez. Ter olhos lúcidos, atentos e curiosos. Perde-se tudo quando a mente se perde. Não posso perder. As linhas que emaranham a minha escrita criaram um labirinto em que estou presa. O meu olhar meio perdido está atento ao ínfimo detalhe. Esse é o meu olhar diferenciado e mais amplo sobre a realidade. Minhas mãos são calejadas pelas palavras que uso para reinventar a realidade. Sei o que é real. Conheço a realidade. Achei que poderia suportá-la, mas um dia descobri que não posso. E foi a partir daí que reinventei todas que sou. Eu sou uma ficção baseada em fatos reais. A cada instante vivo um personagem. Minha vida é um ensaio. Quero borrar a linha entre a realidade e a ficção. Assim como os meus casos amorosos borrados. Todos foram um grande borrão. Aprendo mais quando sinto. Escrevo com o olhar do todo, da paciência. Escrevo para contemplar as palavras que surgem. Uma a uma. Escrevo devagar e num fôlego só. O som da máquina de escrever embala as palavras que brotam no papel. Cada batida na máquina é sentida pelo meu avesso. Um som que me aproxima da escrita. Como descrever o primeiro beijo? O sentimento daquele instante. A textura da sua língua na minha. As mãos suadas. Os olhos entreabertos. A respiração ofegante. Sua saliva quente com a minha fervente. Escrevo para tocar e nomear aquilo que os meus olhos vêem.

quarta-feira, 2 de março de 2011

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Eu gosto de saber das coisas. São tantas coisas para  saber quando se é adulto. Os segredos que as pessoas não contam. O motivo da sua tristeza ou da sua alegria. Gosto de observar enquanto você dorme para tentar saber o que sonha. Gosto de saber os motivos. Mas, os motivos não justificam as ações.  Gosto de saber o que acontece com a formiga quando chega a seu formigueiro com uma folha gigante. Gosto de saber o que acontece com a pessoa que está ao meu lado. Se está bem ou triste. Ou apenas indo. Gosto de saber das coisas.  E por que elas acontecem. Gosto de ter o controle. Eu tinha o controle, mas o perdi. E preciso recuperá-lo, porque as coisas já foram longe demais. Não posso perder tempo catando o que está por aí espalhado, mas é preciso juntar tudo e seguir. Às vezes sinto como se estivesse andando em câmera lenta e tudo ao meu redor está rápido demais. Tento acompanhar e não consigo. Não consigo acompanhar, porque estou presa. Tenho que desprender e caminhar. Serei livre. Não sei se quero ser livre. O bom de estar preso é que a culpa não é sua. É bom ter alguém para culpar. Ruim é dormir a noite com a lucidez infernizando seus sonhos. São tantas coisas para saber quando se é adulto. Eu gosto de saber sobre os sentimentos dos outros. Gosto de ouvir como se sentem. Ouvir suas histórias de desamor. Todos que conheço têm uma. Eu coleciono várias. O amor me maltrata nos dias de sol e chuva. E faz-me padecer em dias acinzentados. Sou uma pessoa curtida no desamor. Se for para chorar, entro num lençol e choro até a garganta doer. Até os olhos fecharem de tão inchados. Gosto de imaginar o que as pessoas pensam. E se seus pensamentos são tão bons como suas palavras. Gosto de imaginar as coisas. Gosto de aprender sobre as coisas. Não quero dizer a coisa errada, o que acabo fazendo, por isso, escrevo. Acho que me saio melhor quando escrevo. Há muito que dizer por ser um adulto, mas eu nunca quis crescer.


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

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O que quero falar em meu texto está escrito. As minhas dores. As minhas angústias. Os sabores que sinto. Os meus sentimentos estão inscritos em minha escrita. Busco na vida a explicação para o meu texto. A verdade que escrevo é floreada. Mas, diga lá o que é verdade? O meu relato é composto do que vivi e daquilo que gostaria de viver. O que sinto é floreado. Sou um ser que enceno, represento. Tenho várias faces. O que escrevo é sempre um já escrito. Mas, há algo que não se esgota em meus textos. E é por essa ausência que continuo a escrever. Escrevo pela lacuna que o texto deixa. Sinto angústia em querer escrever o indizível. Minha escrita tem a minha memória, a memória do outro e a do espaço. O que você precisa saber sobre mim está em minha escritura. Meus textos são atravessados pela ficção, mas não minto quando falo a verdade. Escrevo poemas, porque sofro de devaneios. Componho histórias para remediar meu desconforto. A forma como sinto os fatos é diferente da forma que você sente. Entretanto, o que quero escrever é a minha emoção atravessada pela sua. Tento dialogar os nossos sentimentos. Quantos EU há em mim? Não sei quem sou. Sou fragmentada ao extremo. Tenho vários desejos. Eles lutam para sobrepor-se. Apenas aguardo. Coleciono histórias de amor e em meu corpo guardo suas marcas. Em meus textos trago marcas das histórias de amor que li, vivi e ouvi. Escrevo verdades, as minhas verdades. Ficção não é invenção. É a leitura do que se vive. Meu texto funde imaginação e memórias. A minha maior angústia é tentar escrever como me vejo do lado de fora. Minha escrita é quando. O meu quando se confunde com o seu e do outro. Escrevo para você, mas o que escrevo está permeado de mim. Dialogo com os outros através de versos. Minha vida é o meu processo de criação. A vida dos outros deixa marcas em minha criação. Estou em constante processo. Os rascunhos perdem-se. Mas o sentimento daquilo que escrevo permanece. Minha escrita alimenta-se de mim para preencher as lacunas do texto... Enquanto, alimento-me da minha raiz

sábado, 8 de janeiro de 2011

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Hoje acordei e pedi inspiração. Exigi iluminação. Convoquei a palavra certa. Aquela que enxágüe. Que limpe e ilumine tudo que virá. Aquela transformadora. Que cause alvoroço. Reboliço. Que me vire do avesso. Aquela que desvele. Que tire o véu que cobre. Ou que uso para camuflar. Fingir aquilo que não sou. Eu quero escrever, escrever sem parar. Até o lápis acabar. Até os dedos sangrarem. Até a cabeça pifar. Meu pensamento neste momento está em ebulição. É um pensamento inquietante. Não quero aquilo que já tenho. Desejo sair disso tudo. Largar as coisas como estão. Quero deixá-las inacabadas. Quero despir o meu egoísmo. A minha mesquinhez (que tanto me faz mal!). Os meus conceitos e preconceitos. Quero romper com tudo isso. Virar a página sem olhar para trás. Deixar os problemas, meus pequenos problemas que causam grandes transtornos. O que são esses problemas diante da grandeza do universo? O que sou diante do macrocosmo? Um ínfimo grão de areia. A partir de hoje não terei mais problemas a resolver. Terei dificuldades transponíveis. Quero falar, falar, falar como se tivesse aprendido agora. E se a escrita for à forma como encontrei para gritar essa voz. Vou escrever. Só quero o que é meu. Apenas quero a fatia que me cabe. Quero fazer minhas escolhas sem medo. Quando faço o que quero sempre acerto. Mesmo quando as coisas não acontecem como o planejado. Mas a escolha foi minha. E se eu cair e quebrar a cara. Levanto, porque a escolha foi minha. Minhas escolhas sempre serão certas, porque são minhas. Não posso permitir que outra pessoa viva a minha vida. Aquilo que decidir será tranqüilo, sem angústias. Não quero escolhas angustiadas. Não quero escolher entre isso e aquilo. Eu quero os dois. Almejo escolhas conscientes. O grande delírio é ter consciência daquilo que você quer. É ter consciência daquilo que você é. A pior piração que pode se ter é ser consciente. E eu quero ter plena e total consciência daquilo que quero. Daquilo que sou. Das minhas buscas. Das minhas escolhas. Ah, é muita loucura! Sei que não posso calar. Não posso fazer morrer dentro de mim essa vontade de gritar, de viver, de celebrar a vida, o mundo. Não posso calar. Não quero! Quero ir além. Quero o novo. O desconhecido. Quero transcender. Quero saber o que há entre dois grãos de poeira que estão aqui em meu pé. Quero ir. Transgredir. Quero saber o que há entre o sonho e sua realização. Preciso da lucidez necessária para reconhecer o momento do conhecimento quando ele chegar. Quero a sabedoria para sentir a revelação. Eu quero viver plenamente comigo. Me reconhecer. Buscar todas as respostas dentro de mim. Sentir minhas sensações. Minhas emoções. Saber o que ocorre dentro de mim. Onde está o ponto de equilíbrio. E se há algum equilíbrio. Quero me fazer bem. Para que possa fazer o bem a você. Não posso dar aquilo que não conheço. Tenho que permitir o autoconhecimento. Eu quero o verbo to be. Quero ser e estar. E se você é... Me deixa ser!