domingo, 31 de outubro de 2010

Querida J.


Descobri que aqui posso encurtar a distância que nos separa. E posso contar a você sobre o que tem acontecido. Estou aqui para falar o motivo das minhas olheiras. Das minhas noites de louvor a lua. Das constantes tremedeiras em minhas mãos e pernas. Calma, não estou doente. Verdade! Ou talvez esteja, mas a cura, ainda, não existe. Não quero assustá-la e nem preocupá-la. Preciso apenas falar, mas você não deixa. Escuta! Seus olhos parecem que desvelam todos os meus segredos. E isso é muito bom, porque ultimamente não tenho conseguido falar. E com você flui... Fico a vontade. Você consegue me ouvir com toda essa distância? Para desentristecer, Leãozinho O meu coração tão só Basta eu encontrar você no caminho. Quero contar sobre o que inunda meus olhos. O que me faz tremer todas as noites além do frio. O que faz minha cabeça doer. Não quero assustá-la. Espere fique mais um pouco. Me deixa organizar as coisas. As palavras. As idéias. Meus sentimentos. Ah, estou tão nervosa. Chateada. E aborrecida. Quando estou assim às coisas saem do controle. E fico mais nervosa, porque... Você sabe o quanto sou organizada e exigente. Mas, não sei. Simplesmente, não sei quando as coisas ficaram assim. Mas, ouça ainda não é isso. Não foi para falar sobre isso que a chamei. O amor que sinto por você continua intacto. Sua voz me emociona. Será que temos a sintonia ainda? Quero saber sobre você também. Sua rotina. Suas leituras. Sua vida. Seu novo lar. Da última vez que nos vimos. Sua vida estava em mudança. Seus sonhos. Suas expectativas. Esperança renovada. Foi naquele, exato momento que senti que as coisas mudam sem prévio aviso. Lembrei do tempo que estive ao seu lado no gigante azul. Lembro das oportunidades de estar ao seu lado e que não aproveitei como deveria. A distância era tão pequena. Mas, criamos uma distância tão grande atrelada ao tempo. Perdi tantas chances. Sorrisos. Abraços. Beijinhos e carinhos... Espera, ainda, não terminei... Não era sobre isso que queria falar... Fique mais um pouco. Aproveite para saber de mim...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

(...!)




Gatinha Manhosa
(Roberto e Erasmo Carlos)

Meu bem já não precisa falar comigo dengosa assim,
Brigas só pra depois ganhar mil carinhos de mim
Se eu aumento a voz você faz beicinho e chora baixinho
E diz que a emoção dói seu coração

Já não acredito se você chora dizendo me amar
Eu sei que na verdade carinhos você quer ganhar

Um dia gatinha manhosa eu prendo você
no meu coração
Quero ver você,
fazer manha então
presa no meu coração
Quero ver você.

Já não acredito se você chora dizendo me amar
Eu sei que na verdade carinhos você quer ganhar

Um dia gatinha manhosa eu prendo você
no meu coração
Quero ver você
Fazer manha então
Presa no meu coração
Quero ver você!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Um verso, duas linhas


Apenas acompanho o percurso da escrita. O ritmo das palavras e o arrastar das rimas. Algumas palavras exigem escritura imediata. Me tiram da cama. Interrompem almoço. E assim sigo. Hoje, procuro palavras que possam traduzir o que sinto. Gostaria de falar muitas coisas. Palavras bonitas para você sorrir e emocionar-se. É uma busca difícil. Expressar sentimentos em palavras é o desafio de todos os poetas. Mas, que palavras utilizar para falar sobre uma pessoa que nos encanta? Falar sobre alguém que não gostamos é uma tarefa fácil. Agora como falar de uma pessoa que num primeiro momento nos deixa caladas, observando cada movimento, cada palavra falada? Como alguém consegue manter a candura nesta vida de maldades veladas com tanto bel prazer? Como preservar o ar puro e casto no sorriso? De onde veio essa pessoa de fala apressada e voz suave? São tantas perguntas. Tantas dúvidas. Nesta busca que sigo nada escrevo. As palavras escrevem por mim. Mas, tenho tantas dúvidas empilhadas. A dúvida causa um nó na garganta. Que não desce. Fica parada. É o que sinto também quando sento a escrever. É o que me aflige ao escolher palavras para você. Sinto bastante emoção ao repensar minha vida neste último ano. Um ano. E naquele momento (lembro como o último verso que acabei de escrever) não tive dúvida. Costumo falar que salvei você, mas sei que foi o inverso. Fui resgatada por você. E tenho que agradecê-la por isso e tantas outras coisas. As palavras são escritas com a sua pressa. Não consigo controlar o meu processo. Sua pressa, sua urgência atropelam os dias e as noites insones. Nem o chiado do grilo, nem São Jorge a fazem parar de trabalhar. A urgência se revela em sua fala doce, leve e apressada. Sinto a impressão que você vai ultrapassar o tempo. Seus olhos atentos são como vagalumes que clareiam e orientam caminhos. Seus olhos atentos e inquietos parecem até que desnudam aquilo que temos de fundo. Parecem que nos vira pelo avesso. Mas, ainda quero falar sobre a dúvida. A dúvida é um mérito do ser humano. Porque só através dela é que conhecemos a verdade. A liberdade é angustiante, porque escolher é aterrorizante. Mas, minha dúvida é infundada. É pequena e mesquinha. É apenas o medo de crescer. De dar mais um passo. Se tudo em nossa vida foi, previamente, planejado, com certeza, nos planejamos. E se toda afinidade é eletiva, nos elegemos. Caminhar ao seu lado foi um dos planejamentos mais acertados que fiz. Minha escolha foi feita há um ano. Ou naquela manhã sonolenta de março. Ou mesmo antes de conhecê-la. Mas, meu trabalho de detetive continua a procurar pela palavra exata. E por isso você é o meu Xuxu, porque você conduz com maestria a verdadeira beleza. Você é o meu Xuxu, porque para o poeta o nome não é irrelevante. O trabalho do poeta está em (re)nomear aquilo que já tem nome. Apenas segui o percurso da escrita e o ritmo das palavras que exigiam serem escritas para você. Espero ter conseguido...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

(...)


quero te falar e é urgente ei, escuta! mesmo que você não pare para ouvir o tempo passará porque o tempo é urgente e passa rápido enquanto falo, você escuta e ao mesmo tempo ajeito a calcinha estou sem palavras, mas preciso te contar toda a minha vida em um dia um só dia o chuveiro pingando me deixa nervosa e não consigo dormir tenho tanta pressa e não consigo perceber o quanto a vida passa quero o tempo de criança! gostaria de escrever sobre tudo que há no mundo mas, o tempo não deixa quero escrever sobre o que há no momento os sentimentos a textura das flores que acariciam seu braço enquanto as carregam o seu olhar que pede sempre mais do que suas palavras ponderadas oh, tudo está tão confuso e revirado não entendo e a vida continua acabando enquanto falo e você não escuta estou sempre dando festas para cobrir o silêncio parecia haver diversão nisso por muito tempo quero dizer que me mantenho viva apenas para satisfazer a minha escrita é tão urgente! como não vê a urgência? olha, ela está aí, andando pelas ruas já é tarde e não consigo dormir, porque quero te falar veja o sol ferver no ar sinta o vento em sua pele e deixe os cabelos ao léu não escuto, enquanto você tenta falar que não há urgência pisco os olhos e bato o portão você observa tudo pelo retrovisor sinto agonia olhando o ponteiro da cozinha ah, my honey, é urgente sim! porque o tempo passa e a vida acaba rápido não importa o que já escrevi e o que já falei há muito, ainda, para ser dito e escrito e não conseguirei dar conta de tudo Já é tarde (e eu nem comecei) e é muito curto não tem como empilhar minutos, segundos... eles vão, simplesmente enquanto retorno para buscar o casaco escuta, estou no lugar a que pertenço, mas não queria estar estou cercada de pessoas para cobrir a solidão não posso dizer quem sente nem quem é sentido o instante passa, mas desconfio que a dor que não passa e dói fundo no peito o tempo passa por mim como um qualquer quero falar a você num só fôlego e depois calar calar para sempre emudecer! enquanto falo, você escuta e ao mesmo tempo perambulo entre o quarto e o banheiro retocando o batom ainda quero falar a você, mas preciso sair enquanto falo, abro a porta e bato o portão não vou trancar, volto logo você não tem a chave urgente ganho a vida, a rua, a esquina há tantos caminhos e pouco tempo para caminhar

sábado, 28 de agosto de 2010

Algumas palavras para o coração (do Meu Bem) sarar...




Meu bem querer, gostaria de falar para você esquecer todas as palavras desagradáveis que pousaram em seu ouvido. Mas, elas já foram ouvidas e também assentaram em seu coração. E o que me resta então fazer? Falar que há um mundo belo, melhor e mais justa lá fora? Não. Mas, posso proteger você do mal, das palavras e pessoas tristes que encontrar em sua caminhada. Podemos, ainda, assistir Cidade dos Anjos comendo pipoca para acreditarmos que o amor é soberano. Podemos conversar por horas no carro. Ou simplesmente comer pãozinho de queijo com café fervente. Posso segurar sua mão enquanto você dirige e acarinhá-la suavemente. E falar besteiras, muitas delas, para que você não perceba o quão engarrafado o trânsito está. Te abraçar e dar muitos beijinhos enquanto você dorme tranquilamente ao meu lado. Falar que a sua dor em mim dói como se tivessem arrancado a minha pele. Um dente sem anestesia. Uma unha numa topada só. Posso falar, ainda, que palavras decepcionantes existem aos montes por aí. Mas, palavras belas se multiplicam todos os dias. E posso falar meia dúzia delas para você: amor, carinho, atenção, dedicação, paixão e delicadeza. A vida é cruel mesmo com as pessoas de almas lindas como você. As coisas acontecem independentes do merecimento. Não há merecimento na vida. Mas, ao seu lado eu posso suavizá-la até chegar a você. Fico ao seu lado caladinha enquanto você dispara a falar. E se você quiser ser meu Snoopy eu posso ser o seu Woodstock. Compraria um cheddar na Mc para você sorrir. Podemos assistir uma temporada de Grey’s num dia de sol quente. E mesmo sem sono posso deitar ao seu lado para acompanhar seus sonhos. Posso te comprar uma torta alemã. (Eu não sei cozinhar!). Arrancar sua gargalhada enquanto danço desajeitada. Meu bem querer, às vezes aqueles que mais amamos são os que mais nos machucam. E é preciso perdoá-los por isso. Não podemos nos embrutecer diante disso. Devemos amar mais. É como um desafio. Não podemos desistir do amor. Leva tempo para perdoar, mas temos que nos perdoar para perdoar os outros. E as mudanças começam da boca para dentro. Se pudesse seria sua concha. Se pudesse teria filmado a tremedeira a ouvir sua voz pela primeira vez. Te emprestaria meus óculos para que você enxergasse tudo o que vejo em ti. Contaria a história da história para você ouvir atentamente. Compraria balas 7 belos. Crunch e Halls com gotas de morango para seu olho brilhar. Ah, um pastel de carne também. Aprenderia a fazer café e misto tão gostosos quanto os da padaria. Daria um beijinho na pontinha do nariz para a timidez coroar. E mergulharia com você no mar bem fundo para ninguém nos chatear. Te compraria uma orquídea. Amanhã é outro dia e eu também posso te chatear, mas se estivermos de mãos dadas podemos tentar...



quarta-feira, 21 de julho de 2010

(...)



Quero falar a você. Falar o que está trancado. Seus olhos castanhos, inquietos questionam os meus. Chegou o momento de falar. Deixar as palavras saírem. Não quero organizar meus pensamentos. As palavras sairão como vômito de mulher grávida. Quero falar a você o que faz a minha cabeça doer. A causa das minhas noites insones. Preciso falar o que só eu e o grilo sabemos sobre as madrugadas solitárias. Quero confessar o que faz o peito arder e acelerar. Mas, preciso continuar a minha busca. Procuro o sentido. Ah, estou tão cansada! Falo as mesmas coisas. Minhas palavras se repetem. Minha escrita adoece. O que busco já procurei antes e não encontrei. Não há o que encontrar. Mas, sigo a busca. Sou uma mula teimosa. Quero falar a você que procuro a raiz, mas não sei do seu tronco. Sigo as folhas caídas no chão, porém elas se misturam. Perco-me. Perco-me em seu sorriso. Em suas negativas e hesitações. (Comentário: sua sobrancelha desarrumada é um charme!) Sua língua quente e vermelha também fala coisas horríveis aos meus ouvidos sensíveis. Sua língua quente e vermelha diz-me coisas fascinantes em minha língua quente e vermelha. O que procuro não está em você. É além. Hoje você basta, mas amanhã não sei. Vamos viver esse momento sem pensar no próximo. Não podemos ter planos para amanhã. Amanhã minha busca poderá ser outra. Não quero te magoar. Eu sou livre e poucos conseguem aprisionar meu coração em desalinho. Acho que você (não) conseguiu. Mas, isto não quer dizer que não possamos tentar. Podemos! Viver é uma tentativa vã em ser feliz. Ainda não sei muito sobre a felicidade. Tenho medo de sorrisos. Gosto de pessoas solitárias e amarguradas. Estas são mais fáceis de amar. Eu sou fácil de amar. Mas, deixa isto para lá. Quero falar daquilo que buscamos todos os dias às 07h quando acordamos. Eu não sei o que busco. Não sei o que sou. Não sei o que quero. (Pergunta: Você sabe o que busca? – Oh, não precisa responder para mim!) Vivo empurrada pelo despertador que canta enquanto ainda é noite e nem permite que eu veja o dia amanhecer. Mas, tudo que escrevo aqui é repetido. Posso fazer minhas repetições. Eu e minha vida nos repetimos. Tudo em mim é uma continuação. Meus sonhos. Minhas buscas. Meus amores...

terça-feira, 20 de julho de 2010

Aos meus tesouros!!!

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Canção da América - Milton Nascimento (Milton Nascimento e Fernando Brant)



Minhas queridas e Meus queridos,

Obrigada pelo carinho e atenção que vocês dedicam a mim! Obrigada por devolverem com sorrisos minhas lágrimas. Por serem minhas pernas quando não consigo caminhar. Por serem meus olhos quando não consigo enxergar. E por serem muitos mais que ombros.

Obrigada por todas as palavras de incentivo, de fé, de carinho e conforto. Obrigada também pelas brigas e discórdias. São nas diferenças que percebemos o quanto somos belos e diversos. E também conhecendo as diferenças é que aprendemos a respeitá-las.

Obrigada a tod@s os amig@s que estão comigo nessa caminhada.

Um beijo e um abraço bem apertado!


terça-feira, 29 de junho de 2010

Uma Saudade...

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Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant)

sábado, 26 de junho de 2010

Outras migalhas que estavam esquecidas...


Meus olhos vagueiam pela paisagem procurando a exatidão que não encontro em mim. Talvez não seja o momento de encontrar a exatidão do meu ser. Gostaria de fazer esse instante, mas ele não se faz. Permaneço sem cais, à deriva na busca interna do meu eu. [...] As palavras depois de pronunciadas não podem voltar atrás, o instante em que se fala já foi e aí estão muitas confusões. Nada do que se fala pode ser retirado por isso escrevo, brinco com as palavras, retiro-as, arrumo-as e tudo continua sendo do jeito que sempre foi, do jeito que eu gostaria que as coisas fossem. [...] Compreendo-me, mas entender-me é complicado, è denso, é intenso, é profundo, mas profundo do que uma criança no ventre da mãe. O nascimento é uma violência, a criança é arrancada, jogada para fora, solta e desprotegida nesse mundo cruel. Queria poder retornar para o ventre da minha mãe, o único lugar que estive segura em toda a minha existência. [...] A liberdade joga o homem no mundo e ele não sabe como se proteger. O que fazer com a liberdade que foi lhe dada? Os homens não quiseram essa liberdade, não almejaram e nem esperaram por ela. A liberdade foi dada a eles, foi lançada como se fosse um castigo. Talvez por isso esteja tão perdida, não sei o que fazer com meu castigo. [...] Mas eu não quis nada disso, não quis ser adulto. Não quis crescer. Não tive escolha, não me deixaram escolher, agora posso entender uma frase de Jean Paul Sartre, que diz: “O homem está condenado à liberdade.” Eu fui condenada , não deixaram escolha, eu não tive opção. [...] As mãos são o contato maior que se tem com uma pessoa, a mão e o olhar permitem-me poder chegar ao interior do outro. O íntimo. [...] Permito-me a ser. Permito-me a estar. Mesmo sabendo quem não sou. Deixo as coisas fluírem. O sentimento flui em mim. O sentimento brota no meu peito com uma vontade louca de sair, de manifestar-se, expandir-se, gritar. Por mais que tente não consigo detê-lo. E eu também não quero, quero que ele vá abarcar quem ele quiser. [...] O infinito é denso, complexo e antagônico, como eu em minha vida e minhas poesias. Minhas poesias são o reflexo perfeito das minhas ausências angustiante. Não sinto nada do que escrevo apenas fecho o olho e imagino daí as idéias vão surgindo em versos histórias e eu tento colocar as coisas em ordem às vezes eu consigo, às vezes eu domino. Fecho os olhos e durmo. Quando acordo as coisas estão mais calmas, até o processo começar outra vez. [...] Estou sempre criando obstáculos para desistir daquilo que quero, crio obstáculos imaginários, intransponíveis e desisto de tudo, deixo tudo ao meio e depois me sinto fracassada, sinto-me um fiapo, um bagaço. Aliás, não posso sentir-me um bagaço, pois o bagaço já foi algo e eu não consigo ser metade daquilo que pretendia quando era criança. [...] A solidão é o meu êxtase. Quando estou sozinha atinjo meu equilíbrio pleno, revejo minhas ações, meus pensamentos. [...] O tempo é algo que me surpreende muito. Há dia em que luto contra o tempo e chego ao final arrasada e derrotada. Lutar contra o tempo é uma luta árdua (reconheço), mas é em vão. No final das contas é ele quem rege nossa vida, nossos momentos. [...] Escrever é a minha grande paixão talvez seja a maior de todas. A escrita é meu grande amor. [...] A escrita me compreende muito bem porque ela é exata, inalterada. O que está escrito, tá escrito e pronto e ponto. [...] E olhar novo eu tenho em todos os instantes. Então tudo para mim é novidade, até o óbvio torna-se novo. [...] Gosto é de não ter certeza. Gosto da inquietude. [...] Fiz um trato com a dúvida nem ela me atormenta nem eu a persigo. E assim vamos vivendo. Meu convívio com a dúvida é muito bom. [...] Às vezes até eu assusto-me com a minha sensatez. Sou uma pessoa muito sensata, apesar da minha loucura constante. De uma coisa eu posso dizer que tenho absoluta certeza: a vida não volta atrás para que possamos consertá-la. É como água de torneira que não volta, é como um minuto. A vida é como leite derramado. [...] Os meus desejos mudam rapidamente, eu não quero mais o que queria a meio segundo atrás, isso me deixa completamente confusa, sem saber realmente o que quero. Eu quero tudo e ao mesmo tempo tudo não é suficiente para mim. Às vezes me contento com pouco. [...] Talvez esteja escrevendo por hábito. Os hábitos são difíceis de serem quebrados.

sábado, 19 de junho de 2010

Para Minha Pretinhosidade!

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Pretinhosidade - (Mart'nália/Mombaça)

domingo, 16 de maio de 2010

(...)


Tenho que lhe dar muitas notícias, mas de fato o tempo não chega. O tempo e eu vivemos em desencontros. Descompassos. Quando chego, ele sai. Quando ele chega, saio. Mas, um dia nos encontraremos no meio do caminho. Ou ao virar a esquina. São tantas coisas que acontecem nessa virada e quero contar muitas delas. Coisas que vejo. Ouço. Vivo. E que vivem em ti e em mim. Há uma coisa para falar e sua necessidade é urgente. É sobre o fio de cabelo. Um momento tão feliz e frágil que é como um fio de cabelo. Um fio de algodão. Seguro de um lado e você do outro. Às vezes falta sintonia e o fio pode partir. Oh, não puxe! Se partir, partiremos. E nos dividiremos. Não há como colar. Não há como viver de emendas. Minha vida está presa ao fio de algodão. Ou algo tão imaginário quanto à linha do Equador. É tão forte e delicado. Tão preciso quanto à dedicação de uma criação ao desempenhar uma tarefa. Tento apalpar com as mãos, mas passa tão rápido e não consigo tocar, sentir. É como carregar água com a mão e apertar tão forte para que não derrame. Mas, quando abro a mão a última gota escorre e cai tão lenta sobre a terra seca. E tudo acaba naquele exato momento. Não há o que reclamar. O que chorar. O que falar. A voz se cala. Reclamações mudas ecoam no ar e explodem a cada segundo. O vento carrega para longe. Um sofrimento vazio em não saber onde está a dor. Como parar de sofrer se não sabe o local exato da enfermidade? É como um ventre seco que não gera filho, mas sente a dor do parto. Sente a dor da ausência. A ausência do que nunca teve. É possível sentir falta da ausência. Eu sinto! E acordo de manhã vazia. A ausência fere alma e é como se tirassem nossa pele. Causa danos irreversíveis. Dói não sentir aquilo que nunca tive e não terei. Dói o silencio ecoando na mente. Dói à criança não mexer no ventre. Quero contar sobre os mistérios que há entre dois dedos e o vácuo que existe entre eles também. E como eles são moldados para encaixar-se, perfeitamente, um ao outro. Onde está o meu dedo?

terça-feira, 23 de março de 2010

Para, Meu Bem, saber de mim...



Gosto do sol quando nasce deflorando a escuridão. Gosto de jardim, mas não de ganhar flores. De molhar os pés na onda fraquinha e sentir a brisa no final da tarde. Gosto do seu cheiro de perfume caro que se mistura ao cigarro que fuma. Gosto de chá fervente doce. Leio livros empoeirados e ouço músicas antigas. Quando a aula está chata deixo o professor falando sozinho e escrevo uns poemas. Tomo suco de abacaxi, laranja, cenoura e limão. Faço suco de melancia e tomo sozinha. Faço pipoca dia sim e outro também. Como (muito) chocolate e coço o braço depois. Às vezes meu coração bate rápido, bem apressado e tento tranqüilizá-lo com a respiração. Observo pessoas em todos os lugares. Gosto de gente, mas às vezes elas são tão brutais. Já não tenho medo de escuro e durmo com a luz apagada. Gosto de soja. O meu coração esquenta a cada sorriso seu. Tenho uma máquina de escrever e arrisco uns versos vez em quando. Gosto da pureza das crianças e tento preservar a minha. Gosto do acaso da vida, mas tento planejá-la algumas vezes. Vou ao teatro e assisto peças repetidas. Assisto Brothers and Sisters, Law & Order: SVU, Grey’s Anatomy e outras quando ligo a TV. Gosto de ficar em casa em dias de sol quente e chuvas torrenciais. Gosto da solidão e em muitas ocasiões amo ficar comigo quietinha vendo o dia passar. Gosto de ir ao cinema, mas vou menos do que gostaria. Eu baixo muita música, muita mesmo e até de vozes que não conheço. Gosto da delicadeza tímida que você segura minha mão. Gosto de Milk Shake de Ovomaltine e sanduíche de frango. Odeio ir ao salão para pintar as unhas. (Não gosto da sensação das minhas mãos presas!). Falo muito e por todos os poros, mas também gosto de ficar calada absorvendo o momento. Durmo tarde, acordo cedo e final de semana gostaria de hibernar. Prometo acordar no meio da noite para te falar o quanto é bom estar com você. Gosto de poemas. Clarice Lispector. Florbela Espanca. Lou Salomé. Danço engraçado... Eu não sei dançar! Canto, canto muito e sou desafinada, mas “no peito dos desafinados também bate um coração”. Não choro ao assistir filmes. Eu cheiro o livro antes de ler. Não tomo refrigerantes. Gosto de tortas de todos os sabores. Sou chata e muitas vezes sou insuportável. Quero ir a Portugal, México e Angola, mas vou ao EUA com você. Eu não entendo do fundo do mar nem dos bichinhos que lá vivem e às vezes não entendo você também... Amanhã não sei o que será, mas se você quiser segurar minha mão podemos tentar...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

(...)

Sim, é verdade suas palavras me enlouquecem e tocam tão fundo. Tão fundo como uma facada de faca dada sem dó. Mas, não posso me render, porque já sou refém. E isso aconteceu há tantos anos que nem lembro como foi e quando foi. Quando percebi estava tão presa como inseto em teia de aranha e logo após fui devorada. Eu já não me pertenço. Já não tenho controle...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

(...)


A palavra madura em minha boca pesa e pede para sair. Pede para sair com a urgência de quem nasce pré-maturo. Ela quer sair para ganhar o mundo. Quer sair para não ser devorada por mim. Se devorar essa palavra que pesa em minha boca. Somente eu sentirei a sua plenitude. Mas, se colocá-la para fora ela ganhará amplidão. A palavra madura pesa em minha boca e faz engasgar. Falta o ar. Não sei como dizê-la. Se é que posso. A palavra é demais para mim. Seria egoísmo possuí-la tão somente só. Reparto em infinitas sílabas para alimentar aqueles que têm fome dela. É preciso sentir a palavra, degustá-la letra por letra e quando sentir o peso repartir com outra pessoa. Outra pessoa que necessite dela tão quanto você. No fundo sou mesmo egoísta. Porque divido a palavra para que você possa sentir o que sinto. E ter sentimentos comuns a mim. O meu ego continua inflado e intocável, porque pinto de azul a sua madrugada. Em suas noites insones você devora as minhas palavras como quem me devora. Durmo um sono intranqüilo. Você consome a mim. Devora-me lentamente. Sinta cada palavra como um sussurro em seu ouvido. E quando elas te acolherem estarei te abarcando no frio azul da madrugada. Sou sua companheira a esperar um novo dia. Insones eu, você, a madrugada, São Jorge, a lua e as nossas palavras. E quando o astro rei nasce revelando as cores da vida. Nós nos esconderemos. Porque temos uma vida secreta na madrugada. Despeço-me de você com um beijo pesando na boca que precisa ser beijado.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

(...)


Hoje acordei e pedi inspiração. Exigi iluminação. Convoquei a palavra certa. Aquela que lave. Que limpe e ilumine tudo que virá. Aquela transformadora. Que cause alvoroço. Reboliço. Que me vire do avesso. Aquela que desvele. Que tire o véu que cobre. Ou que uso para camuflar. Fingir aquilo que não sou. Eu quero escrever, escrever sem parar. Até o lápis acabar. Até os dedos sangrarem. Até a cabeça pifar. Meu pensamento neste momento está em ebulição. É um pensamento inquietante. Não quero aquilo que já tenho. Desejo sair disso tudo. Largar as coisas como estão. Quero deixá-las inacabadas. Quero despir o meu egoísmo. A minha mesquinhez (que tanto me faz mal!). Os meus conceitos e preconceitos. Quero romper com tudo isso. Virar a página sem olhar para trás. Deixar os problemas, meus pequenos problemas que causam grandes transtornos. O que são esses problemas diante da grandeza do universo? O que sou diante do macrocosmo? Um ínfimo grão de areia. A partir de hoje não terei mais problemas a resolver. Terei dificuldades transponíveis. Quero falar, falar, falar como se tivesse aprendido agora. E se a escrita for a forma como encontrei para gritar essa voz. Vou escrever. Só quero o que é meu. Apenas quero a fatia que me cabe. Quero fazer minhas escolhas sem medo. Quando faço o que quero sempre acerto. Mesmo quando as coisas não acontecem como o planejado. Mas a escolha foi minha. E se eu cair e quebrar a cara. Levanto, porque a escolha foi minha. Minhas escolhas sempre serão certas, porque são minhas. Não posso permitir que outra pessoa viva a minha vida. Aquilo que decidir será tranqüilo, sem angustias. Não quero escolhas angustiadas. Não quero escolher entre isso e aquilo. Eu quero os dois. Almejo escolhas conscientes. O grande delírio é ter consciência daquilo que você quer. É ter consciência daquilo que você é. A pior piração que pode se ter é ser consciente. E eu quero ter plena e total consciência daquilo que quero. Daquilo que sou. Das minhas buscas. Das minhas escolhas. Ah, é muita loucura! Sei que não posso calar. Não posso fazer morrer dentro de mim essa vontade de gritar, de viver, de celebrar a vida, o mundo. Não posso calar. Não quero! Quero ir além. Quero o novo. O desconhecido. Quero transcender. Quero saber o que há entre dois grãos de poeira que estão aqui em meu pé. Quero ir. Transgredir. Quero saber o que há entre o sonho e sua realização. Preciso da lucidez necessária para reconhecer o momento do conhecimento quando ele chegar. Quero a sabedoria para sentir a revelação. Eu quero viver plenamente comigo. Me conhecer. Buscar todas as respostas dentro de mim. Sentir minhas sensações. Minhas emoções. Saber o que ocorre dentro de mim. Onde está o ponto de equilíbrio. E se há algum equilíbrio. Quero me fazer bem. Para que possa fazer o bem a você. Não posso dar aquilo que não conheço. Tenho que permitir o autoconhecimento. Eu quero o verbo to be. Quero ser e estar. E se você é... Me deixa ser!