Os meus olhos vêem coisas que não posso tocar. Tateio pelo vento com o sentido perdido. Não posso perder o sentido. Preciso da lucidez. Ter olhos lúcidos, atentos e curiosos. Perde-se tudo quando a mente se perde. Não posso perder. As linhas que emaranham a minha escrita criaram um labirinto em que estou presa. O meu olhar meio perdido está atento ao ínfimo detalhe. Esse é o meu olhar diferenciado e mais amplo sobre a realidade. Minhas mãos são calejadas pelas palavras que uso para reinventar a realidade. Sei o que é real. Conheço a realidade. Achei que poderia suportá-la, mas um dia descobri que não posso. E foi a partir daí que reinventei todas que sou. Eu sou uma ficção baseada em fatos reais. A cada instante vivo um personagem. Minha vida é um ensaio. Quero borrar a linha entre a realidade e a ficção. Assim como os meus casos amorosos borrados. Todos foram um grande borrão. Aprendo mais quando sinto. Escrevo com o olhar do todo, da paciência. Escrevo para contemplar as palavras que surgem. Uma a uma. Escrevo devagar e num fôlego só. O som da máquina de escrever embala as palavras que brotam no papel. Cada batida na máquina é sentida pelo meu avesso. Um som que me aproxima da escrita. Como descrever o primeiro beijo? O sentimento daquele instante. A textura da sua língua na minha. As mãos suadas. Os olhos entreabertos. A respiração ofegante. Sua saliva quente com a minha fervente. Escrevo para tocar e nomear aquilo que os meus olhos vêem.
sábado, 19 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
(...)
Eu gosto de saber das coisas. São tantas coisas para saber quando se é adulto. Os segredos que as pessoas não contam. O motivo da sua tristeza ou da sua alegria. Gosto de observar enquanto você dorme para tentar saber o que sonha. Gosto de saber os motivos. Mas, os motivos não justificam as ações. Gosto de saber o que acontece com a formiga quando chega a seu formigueiro com uma folha gigante. Gosto de saber o que acontece com a pessoa que está ao meu lado. Se está bem ou triste. Ou apenas indo. Gosto de saber das coisas. E por que elas acontecem. Gosto de ter o controle. Eu tinha o controle, mas o perdi. E preciso recuperá-lo, porque as coisas já foram longe demais. Não posso perder tempo catando o que está por aí espalhado, mas é preciso juntar tudo e seguir. Às vezes sinto como se estivesse andando em câmera lenta e tudo ao meu redor está rápido demais. Tento acompanhar e não consigo. Não consigo acompanhar, porque estou presa. Tenho que desprender e caminhar. Serei livre. Não sei se quero ser livre. O bom de estar preso é que a culpa não é sua. É bom ter alguém para culpar. Ruim é dormir a noite com a lucidez infernizando seus sonhos. São tantas coisas para saber quando se é adulto. Eu gosto de saber sobre os sentimentos dos outros. Gosto de ouvir como se sentem. Ouvir suas histórias de desamor. Todos que conheço têm uma. Eu coleciono várias. O amor me maltrata nos dias de sol e chuva. E faz-me padecer em dias acinzentados. Sou uma pessoa curtida no desamor. Se for para chorar, entro num lençol e choro até a garganta doer. Até os olhos fecharem de tão inchados. Gosto de imaginar o que as pessoas pensam. E se seus pensamentos são tão bons como suas palavras. Gosto de imaginar as coisas. Gosto de aprender sobre as coisas. Não quero dizer a coisa errada, o que acabo fazendo, por isso, escrevo. Acho que me saio melhor quando escrevo. Há muito que dizer por ser um adulto, mas eu nunca quis crescer.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
(...)

O que quero falar em meu texto está escrito. As minhas dores. As minhas angústias. Os sabores que sinto. Os meus sentimentos estão inscritos em minha escrita. Busco na vida a explicação para o meu texto. A verdade que escrevo é floreada. Mas, diga lá o que é verdade? O meu relato é composto do que vivi e daquilo que gostaria de viver. O que sinto é floreado. Sou um ser que enceno, represento. Tenho várias faces. O que escrevo é sempre um já escrito. Mas, há algo que não se esgota em meus textos. E é por essa ausência que continuo a escrever. Escrevo pela lacuna que o texto deixa. Sinto angústia em querer escrever o indizível. Minha escrita tem a minha memória, a memória do outro e a do espaço. O que você precisa saber sobre mim está em minha escritura. Meus textos são atravessados pela ficção, mas não minto quando falo a verdade. Escrevo poemas, porque sofro de devaneios. Componho histórias para remediar meu desconforto. A forma como sinto os fatos é diferente da forma que você sente. Entretanto, o que quero escrever é a minha emoção atravessada pela sua. Tento dialogar os nossos sentimentos. Quantos EU há em mim? Não sei quem sou. Sou fragmentada ao extremo. Tenho vários desejos. Eles lutam para sobrepor-se. Apenas aguardo. Coleciono histórias de amor e em meu corpo guardo suas marcas. Em meus textos trago marcas das histórias de amor que li, vivi e ouvi. Escrevo verdades, as minhas verdades. Ficção não é invenção. É a leitura do que se vive. Meu texto funde imaginação e memórias. A minha maior angústia é tentar escrever como me vejo do lado de fora. Minha escrita é quando. O meu quando se confunde com o seu e do outro. Escrevo para você, mas o que escrevo está permeado de mim. Dialogo com os outros através de versos. Minha vida é o meu processo de criação. A vida dos outros deixa marcas em minha criação. Estou em constante processo. Os rascunhos perdem-se. Mas o sentimento daquilo que escrevo permanece. Minha escrita alimenta-se de mim para preencher as lacunas do texto... Enquanto, alimento-me da minha raiz
sábado, 8 de janeiro de 2011
(...)

Hoje acordei e pedi inspiração. Exigi iluminação. Convoquei a palavra certa. Aquela que enxágüe. Que limpe e ilumine tudo que virá. Aquela transformadora. Que cause alvoroço. Reboliço. Que me vire do avesso. Aquela que desvele. Que tire o véu que cobre. Ou que uso para camuflar. Fingir aquilo que não sou. Eu quero escrever, escrever sem parar. Até o lápis acabar. Até os dedos sangrarem. Até a cabeça pifar. Meu pensamento neste momento está em ebulição. É um pensamento inquietante. Não quero aquilo que já tenho. Desejo sair disso tudo. Largar as coisas como estão. Quero deixá-las inacabadas. Quero despir o meu egoísmo. A minha mesquinhez (que tanto me faz mal!). Os meus conceitos e preconceitos. Quero romper com tudo isso. Virar a página sem olhar para trás. Deixar os problemas, meus pequenos problemas que causam grandes transtornos. O que são esses problemas diante da grandeza do universo? O que sou diante do macrocosmo? Um ínfimo grão de areia. A partir de hoje não terei mais problemas a resolver. Terei dificuldades transponíveis. Quero falar, falar, falar como se tivesse aprendido agora. E se a escrita for à forma como encontrei para gritar essa voz. Vou escrever. Só quero o que é meu. Apenas quero a fatia que me cabe. Quero fazer minhas escolhas sem medo. Quando faço o que quero sempre acerto. Mesmo quando as coisas não acontecem como o planejado. Mas a escolha foi minha. E se eu cair e quebrar a cara. Levanto, porque a escolha foi minha. Minhas escolhas sempre serão certas, porque são minhas. Não posso permitir que outra pessoa viva a minha vida. Aquilo que decidir será tranqüilo, sem angústias. Não quero escolhas angustiadas. Não quero escolher entre isso e aquilo. Eu quero os dois. Almejo escolhas conscientes. O grande delírio é ter consciência daquilo que você quer. É ter consciência daquilo que você é. A pior piração que pode se ter é ser consciente. E eu quero ter plena e total consciência daquilo que quero. Daquilo que sou. Das minhas buscas. Das minhas escolhas. Ah, é muita loucura! Sei que não posso calar. Não posso fazer morrer dentro de mim essa vontade de gritar, de viver, de celebrar a vida, o mundo. Não posso calar. Não quero! Quero ir além. Quero o novo. O desconhecido. Quero transcender. Quero saber o que há entre dois grãos de poeira que estão aqui em meu pé. Quero ir. Transgredir. Quero saber o que há entre o sonho e sua realização. Preciso da lucidez necessária para reconhecer o momento do conhecimento quando ele chegar. Quero a sabedoria para sentir a revelação. Eu quero viver plenamente comigo. Me reconhecer. Buscar todas as respostas dentro de mim. Sentir minhas sensações. Minhas emoções. Saber o que ocorre dentro de mim. Onde está o ponto de equilíbrio. E se há algum equilíbrio. Quero me fazer bem. Para que possa fazer o bem a você. Não posso dar aquilo que não conheço. Tenho que permitir o autoconhecimento. Eu quero o verbo to be. Quero ser e estar. E se você é... Me deixa ser!
domingo, 31 de outubro de 2010
Querida J.

Descobri que aqui posso encurtar a distância que nos separa. E posso contar a você sobre o que tem acontecido. Estou aqui para falar o motivo das minhas olheiras. Das minhas noites de louvor a lua. Das constantes tremedeiras em minhas mãos e pernas. Calma, não estou doente. Verdade! Ou talvez esteja, mas a cura, ainda, não existe. Não quero assustá-la e nem preocupá-la. Preciso apenas falar, mas você não deixa. Escuta! Seus olhos parecem que desvelam todos os meus segredos. E isso é muito bom, porque ultimamente não tenho conseguido falar. E com você flui... Fico a vontade. Você consegue me ouvir com toda essa distância? Para desentristecer, Leãozinho O meu coração tão só Basta eu encontrar você no caminho. Quero contar sobre o que inunda meus olhos. O que me faz tremer todas as noites além do frio. O que faz minha cabeça doer. Não quero assustá-la. Espere fique mais um pouco. Me deixa organizar as coisas. As palavras. As idéias. Meus sentimentos. Ah, estou tão nervosa. Chateada. E aborrecida. Quando estou assim às coisas saem do controle. E fico mais nervosa, porque... Você sabe o quanto sou organizada e exigente. Mas, não sei. Simplesmente, não sei quando as coisas ficaram assim. Mas, ouça ainda não é isso. Não foi para falar sobre isso que a chamei. O amor que sinto por você continua intacto. Sua voz me emociona. Será que temos a sintonia ainda? Quero saber sobre você também. Sua rotina. Suas leituras. Sua vida. Seu novo lar. Da última vez que nos vimos. Sua vida estava em mudança. Seus sonhos. Suas expectativas. Esperança renovada. Foi naquele, exato momento que senti que as coisas mudam sem prévio aviso. Lembrei do tempo que estive ao seu lado no gigante azul. Lembro das oportunidades de estar ao seu lado e que não aproveitei como deveria. A distância era tão pequena. Mas, criamos uma distância tão grande atrelada ao tempo. Perdi tantas chances. Sorrisos. Abraços. Beijinhos e carinhos... Espera, ainda, não terminei... Não era sobre isso que queria falar... Fique mais um pouco. Aproveite para saber de mim...
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
(...!)
Gatinha Manhosa
(Roberto e Erasmo Carlos)
Meu bem já não precisa falar comigo dengosa assim,
Brigas só pra depois ganhar mil carinhos de mim
Se eu aumento a voz você faz beicinho e chora baixinho
E diz que a emoção dói seu coração
Já não acredito se você chora dizendo me amar
Eu sei que na verdade carinhos você quer ganhar
Um dia gatinha manhosa eu prendo você
no meu coração
Quero ver você,
fazer manha então
presa no meu coração
Quero ver você.
Já não acredito se você chora dizendo me amar
Eu sei que na verdade carinhos você quer ganhar
Um dia gatinha manhosa eu prendo você
no meu coração
Quero ver você
Fazer manha então
Presa no meu coração
Quero ver você!
(Roberto e Erasmo Carlos)
Meu bem já não precisa falar comigo dengosa assim,
Brigas só pra depois ganhar mil carinhos de mim
Se eu aumento a voz você faz beicinho e chora baixinho
E diz que a emoção dói seu coração
Já não acredito se você chora dizendo me amar
Eu sei que na verdade carinhos você quer ganhar
Um dia gatinha manhosa eu prendo você
no meu coração
Quero ver você,
fazer manha então
presa no meu coração
Quero ver você.
Já não acredito se você chora dizendo me amar
Eu sei que na verdade carinhos você quer ganhar
Um dia gatinha manhosa eu prendo você
no meu coração
Quero ver você
Fazer manha então
Presa no meu coração
Quero ver você!
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Um verso, duas linhas

Apenas acompanho o percurso da escrita. O ritmo das palavras e o arrastar das rimas. Algumas palavras exigem escritura imediata. Me tiram da cama. Interrompem almoço. E assim sigo. Hoje, procuro palavras que possam traduzir o que sinto. Gostaria de falar muitas coisas. Palavras bonitas para você sorrir e emocionar-se. É uma busca difícil. Expressar sentimentos em palavras é o desafio de todos os poetas. Mas, que palavras utilizar para falar sobre uma pessoa que nos encanta? Falar sobre alguém que não gostamos é uma tarefa fácil. Agora como falar de uma pessoa que num primeiro momento nos deixa caladas, observando cada movimento, cada palavra falada? Como alguém consegue manter a candura nesta vida de maldades veladas com tanto bel prazer? Como preservar o ar puro e casto no sorriso? De onde veio essa pessoa de fala apressada e voz suave? São tantas perguntas. Tantas dúvidas. Nesta busca que sigo nada escrevo. As palavras escrevem por mim. Mas, tenho tantas dúvidas empilhadas. A dúvida causa um nó na garganta. Que não desce. Fica parada. É o que sinto também quando sento a escrever. É o que me aflige ao escolher palavras para você. Sinto bastante emoção ao repensar minha vida neste último ano. Um ano. E naquele momento (lembro como o último verso que acabei de escrever) não tive dúvida. Costumo falar que salvei você, mas sei que foi o inverso. Fui resgatada por você. E tenho que agradecê-la por isso e tantas outras coisas. As palavras são escritas com a sua pressa. Não consigo controlar o meu processo. Sua pressa, sua urgência atropelam os dias e as noites insones. Nem o chiado do grilo, nem São Jorge a fazem parar de trabalhar. A urgência se revela em sua fala doce, leve e apressada. Sinto a impressão que você vai ultrapassar o tempo. Seus olhos atentos são como vagalumes que clareiam e orientam caminhos. Seus olhos atentos e inquietos parecem até que desnudam aquilo que temos de fundo. Parecem que nos vira pelo avesso. Mas, ainda quero falar sobre a dúvida. A dúvida é um mérito do ser humano. Porque só através dela é que conhecemos a verdade. A liberdade é angustiante, porque escolher é aterrorizante. Mas, minha dúvida é infundada. É pequena e mesquinha. É apenas o medo de crescer. De dar mais um passo. Se tudo em nossa vida foi, previamente, planejado, com certeza, nos planejamos. E se toda afinidade é eletiva, nos elegemos. Caminhar ao seu lado foi um dos planejamentos mais acertados que fiz. Minha escolha foi feita há um ano. Ou naquela manhã sonolenta de março. Ou mesmo antes de conhecê-la. Mas, meu trabalho de detetive continua a procurar pela palavra exata. E por isso você é o meu Xuxu, porque você conduz com maestria a verdadeira beleza. Você é o meu Xuxu, porque para o poeta o nome não é irrelevante. O trabalho do poeta está em (re)nomear aquilo que já tem nome. Apenas segui o percurso da escrita e o ritmo das palavras que exigiam serem escritas para você. Espero ter conseguido...
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