terça-feira, 12 de julho de 2016

Banzeada...



Porque sinto saudades da minha terra. Aqui é perto. Mas, não tão perto. E não estou lá. A distância cultural é um abismo. O jeito de se dar. De falar. De caminhar. O comportamento. É um país. Sou de outro país. Me sinto estrangeira. Meu olhar de estrangeira. Meu olhar de estranhamento. Muitas vezes tenta ser o olhar de compreensão. De entendimento. Mas, há dias como hoje... que não tem jeito. A saudade pula em meu peito. Grita. Sou de lá. É perto, mas é distante. Não posso ir lá dar um mergulho no mar... o mar! Saudades de virar a esquina e ver o mar. De fazer o trajeto pela orla. E ver a onda arrebentar na praia... derrubar surfistas. Sentir o cheiro de mar arder o nariz de tão forte, tão forte... lacrimejar os olhos. E tem o acarajé também. Mesmo não comendo todos os dias, mas está lá. À disposição. Tem o Rio Vermelho que várias pessoas se encontram. É o esquente para o que vem depois e se não vier, sem problemas. Fica ali mesmo. Na boa. De boas. Ô garçom, na moral, dê um grau aqui na mesa. É como falamos. É nosso sotaque. É nosso sorriso. E tem o trânsito também. Diferente. Outra dinâmica. Tem a cidade que por si só tem outro desenho. É Alta. É Baixa. É Meeira. Tem ladeiras. Becos. Vielas. O calor humano é diferente. É outra densidade. É mais misturado. É heterogêneo. É plural. Busco aqui alguma relação, mas a cidade teimar em se distanciar. Tem uma ojeriza gritante. É uma pena... só ganharíamos. Minha cidade tem um ritmo diferente. Pulsamos em outra batida. Temos mais cor. Nos mostramos mais. Damos mais visibilidade ao nosso corpo. A nossa cor. E tudo que ela tem. Tem a cultura forte. As músicas que exaltam à terra. Como se a todo momento tivéssemos que celebrar por sermos da terra. Mesmo quando não temos motivos para celebrar. Mesmo quando temos motivos para sermos tristes. A música está lá. Vibrando. Exaltando à terra. Nossa cor. E nossa condição. Temos uma irmandade inexplicável. Nem sabemos quem é, mas se é da Bahia... é nosso. É um outro olhar. Temos orgulho. Acreditamos. Festejamos. Vibramos. É a forma de se dar. De se apresentar para o mundo. De se inserir. De fazer parte. E de interagir com ele. O mundo é feito por nós. É bem isso. Ou não também. Tenho certeza de nada. Tirando a saudades que sinto... tudo parece muito frágil. 


2 comentários:

Pedro Laurentino disse...

Tem a paisagem da contorno e os contornos do Bonfim... Mas falta minha Poetinha linda!

Mileide Santos disse...

Realmente, Pedro Laurentino, em nossa terra tem de tudo de beleza um pouco, mas falta a nossa Poetinhola linda! Ainda bem que a escrita nos faz dar as mãos!

Ainda há pouco dizia que sinto saudades de ti e você me vem com essa.

Apareça por favor'♡

Te amo e muitos beijos vermelhos pra você!

Ler este texto me fez recordar!

Obrigada sempre, Pô.