Menino do tempo, não quebre seu relógio Mas, desligue-se dele vez em quando Permita-se a viver É bom! E mesmo que a bruxa menina anjo fada mulher demônio saiba de todas as coisas, não se preocupe Porque o mais importante ela não sabe Como essa história terminará Porque a vida é aleatória Não tem como planejar todos os segundos do dia O universo é aleatório E deve ser, por isso, que não acredito nos sentimentos eternos Acredito nos sentimentos ternos Eternos são chatos O eterno para mim é monótono Não conquista Não atrai Repousa no comodismo Mas, não é sobre isso que quero falar É sobre o tempo A falta dele E a urgência dele Tento controlar o tempo, mas sem controle e ele me controla o tempo todo Isso me deixa lúcida Não gosto de ser lúcida, mas o tempo exige isso de mim O que ganho com a lucidez? E dele só exijo que me espere Não me apresse Me descontrolo quando sinto que perco tempo, esperando por algo que não vem O tempo passa enquanto tento escrever meia dúzia de palavras bonitas Está tudo revirado e falta tempo para desvirar Organizo minhas coisas, porque não organizo meu tempo Não seja o Menino do Tempo Seja o menino apenas Com toda a pureza que essa palavra carrega Com toda inocência que essa palavra traz Enquanto você passa por mim O tempo passa por nós como qualquer um Não percebemos Porque o tempo é invisível aos olhos Mas, deixa marcas na pele Trago suas marcas em meu rosto Nos fios de cabelo branco E a gravidade que me é fatal As coisas caem mesmo É o tempo passando, enquanto falo Apago a luz e permaneço no escuro Já, já amanhece E meus olhos não fecharam Perco sono fácil Perco tempo Como recuperar uma noite perdida? Como recuperar o tempo perdido? Menino do Tempo, já que é tão esperto e inteligente, tente me responder Você é tão jovem e sábio Tente ao menos se lembrar da resposta que está perdida dentro de você Mas, antes deixa te falar que o passado e o futuro encontram-se no presente O passado é a primeira palavra desse texto e o futuro será a última O tempo continua passando, enquanto você ler e finge que nada disso é importante Vou até cozinha beber um pouco de água Volto logo! E enquanto isso, o tempo passa Porque o tempo não pára, diz naquela canção Menino do Tempo, não espere alcançar seus desejos (dinheiro, poder, respeito, admiração, amor…) para ser feliz Seja agora! O tempo não vai parar para você alcançar tudo isso Seja feliz com o que você tem E se tem tão pouco Alegre-se com o pouco que tem Faça da ausência uma felicidade Olhe para trás e veja o que viveu Mas, não faça disso algo constante O tempo passa, mesmo quando paramos para relembrar Vivemos com o pé no passado e outro no futuro Estamos apressados demais para viver o presente Enquanto a bruxa menina anjo fada mulher demônio sabe que há muita coisa para acontecer em seu tempo, não se desespere O tempo continua passando mesmo que você não olhe para trás e esteja acorrentado em seu relógio…
domingo, 13 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Duas Palavras para a Moça dos Olhos Doce
Duas palavras para Juliana Soledade
Moça que carrega a doçura nos olhos. O que você quer falar? O que tanto deseja falar? O que as pessoas têm de ler? Por que falar ao mundo? Qual a urgência em ser lida? Por que parar de escrever? Escreva por você. Escreva por mim. Que me sinto refletida em cada palavra. Em cada sentimento. Escreva por nós, minha querida. Escreva pelos nossos olhos que tateiam pelo sentimento perdido. Escreva pelo impulso criativo. Escreva para mim e mande notícias. Só aquelas que possuem a alma livre se reconhecem. Elegem-se. Elegi você. E reconheço o que há em mim quando olho em seus olhos castanhos, doce. Ainda não sei o que reconheço. Certas coisas precisam apenas de sentimento. Tenho bastante em mim. Talvez, reconheça em seus olhos o sentimento que transborda. Também transborda em mim. De ti para mim. De mim para ti. Um elo que só se entende pelo olhar. Pela palavra de poeta. Moça dos olhos doce! Escreva para desabrochar o sentimento. Que escorre pelos olhos. E ampara-se no papel. Escrevo, porque a palavra pesa na boca e pede para sair. Apressada, exige escritura imediata. A escrita é para mim como uma necessidade fisiológica (E por que não dizer psicológica?). Escrevo pelo prazer de escrever. E só consigo escrever quando estou bem. Nem alegre. Nem triste. Bem. Quando abro a porta para as palavras não consigo fechá-la. Meu coração pula para fora do peito e tento descrever essa emoção que sinto. Minhas palavras são tão afetadas de emoção que gritam. O dia que conseguir traduzir em palavras meus sentimentos minha escrita findará. Escrevo para mim. E por mim. Pelos meus olhos. Pelos seus olhos, doce. Escrevo o diálogo que tenho comigo. Entende? Sei que você entende. Você é a dona dos olhos mais doce que já vi. Quem preserva doçura nos olhos, preserva o coração puro. Nossas palavras estão interligadas pelo fio que tece nossa escrita. Ainda não podemos revelar aos outros. Quando quiser revelar ao mundo seu segredo, não grite! Fale baixinho para mim. Cuidarei de guardá-lo! E a noite quando a angústia, que atormenta os corações livres, te abater. Não se desespere. Acalme seu coração! Lembre-se que do outro lado, estarei tateando o sentimento que bóia denso na ilusão perdida dos nossos olhos angustiados...
sábado, 29 de outubro de 2011
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
(...)
É que faz um tempo que não escrevo. Estava adormecida. Às vezes as coisas acumulam. Ainda não sei como isso terminará. E se terminará. Mas estou escrevendo, porque a necessidade é mais forte que a inspiração. (Pelo menos em mim!) Assim como o amor é mais forte que a razão (?). Nada sei do amor. Nem de amar. Ah, mar! Molhando meus pés descalços no final da tarde de outono. O vento levando meus cachos. E seus olhos castanhos que descansavam em mim? Continuo escrevendo apenas para falar de mim. E não sobre mim. Já está tão tarde e o sono vem. Preciso dormir. Enquanto estou sonolenta, preencho linhas. Minhas letras preenchem a lacuna entre uma linha e outra. Ao mesmo tempo em que me preencho. Me alimento enquanto escrevo. É bom e não engorda. Tive muitas idéias. Não tinha papel. E a ponta do lápis sempre teima em quebrar no momento errado. (clichê) Muitas coisas se perderam. Esqueço as idéias quando não escrevo. Minha memória é escrita. Subo escada, desço escada. Esbarro em pessoas. Derrubo livros. Distribuo sorrisos e olhares perdidos. Queria convidar você para tomarmos um sorvete colorido. Mas, meu rosto cora quando você está perto. Imaginação. Sua mão sob a minha. Seus olhos atentos capturando imagens monocromáticas. O sonho acabou. Alguém tinha um sonho: acordou! Ainda preciso falar duas coisas antes de terminar. Não consigo lembrá-las! (clichê). Retorno para essa escrita outro dia... O resto é silêncio.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
(...)
É difícil escrever com lágrimas nos olhos. Mas, preciso espichar um pouco mais as palavras, porque não deu para agradecer as pessoas, meus alicerces, que auxiliaram em minha caminhada e, muitas vezes, caminharam comigo. Sinto-me muito comovida ao escrever linhas que seguem. Pedro, poeta lindo, eu quis muito e por isso continuei e continuarei naquela casa. Ainda não consigo compreender, claramente, o que foi preciso perder para ganhar. Preciso me afastar para desembaçar e voltar a enxergar com olhos gulosos que trago comigo desde o tempo de menina. É preciso ter distanciamento quando se narra. Aprendi isso, essa lição foi fácil. Difícil foi lidar com tantos egos. Inflados. Carregados de verdades. E eu ali perdida, querendo aprender com tantos mestres. Outra lição que aprendi, Aprenda rápido que lá os nomes não decepcionam, pelo menos até a gente tomar partido. Nem preciso falar que tomei partido e vou à frente da tropa para proteger os meus. Mas, foram tantas dúvidas. Precisei de muitas conversas para acalmar minha alma em desalinho. Encontrei mais quatro almas como a minha, às vezes até mais ansiosas. Nos grudamos e não nos largamos mais. Distanciamentos aconteceram. Mas, era só nos encontrarmos sob aquelas árvores, testemunhas de tantos planos e sonhos, que estávamos unidas novamente. O mundo (realmente) não nos engole sozinhos. Que bom! Cada uma, a seu modo, tinha sempre uma palavra, um sorriso, um olhar. Cínthia, como é bom conversar com você e sentir a sua paz, a sua maciez em viver a vida. Talita, tão atenta e preocupada com tudo e todos. Joice, a menina dos olhos de ressaca, segurou minha mão quando escorreguei e não me deixou cair. Carlinha, uma amiga querida, dedicada, minha companheira de projeto e desespero. Nos afinamos ainda mais depois de compartilhar o mesmo passo. Você carregou o fardo das minhas neuroses e manias. Meninas, vocês deixaram a caminhada mais leve. Obrigada, minhas nininhas queridas, por suavizar meu caminho. Carol, com sua generosidade enviou um anjo lindo para mim, Ivo. Obrigada Maquinhos, por me interar sobre todos os assuntos do ILUFBA. Edu, meu reencontro lindo, é bom tê-lo ao meu redor novamente. Grazi, Enna, Michele, Murilo, Rosana, obrigada pelo apoio, pelas conversas no MSN, pelos scraps, pelos emails, pelos telefonemas. Obrigada por estarem em minha vida e inundá-la de amor e carinho. LM, você apurou meu olhar sobre a pesquisa. Aguçou minha curiosidade e me mostrou que podemos fazer o melhor, mesmo diante das adversidades. Obrigada, meu bem, pelo carinho, pelos cafés, por não me deixar desistir e pelas palavras de incentivo (constantes). Minha Lindona, o que posso falar? Quando você entrou na sala, pela primeira vez, percebi que as meninas desejaram ser inteligentes e lindas. E os meninos desejaram casar com você. Mas, ficaram envergonhados em pedi-la em casamento e recitavam poesias após as aulas. Rosa, minha flor, obrigada pelo direcionamento acadêmico, pelas palavras de apoio e por enxergar em mim o que ainda não compreendo. Foram tantos mestres que passaram em minha travessia. Juliana, você acredita, que até hoje, lembro das camadas de pavê? Ah, não posso esquecer! Devo confessar que você sempre foi a minha protegida. Desde o primeiro dia de aula reconheci em você o impulso criativo que por vezes me invade. Em meio a tantas surpresas e nervosismo. Sinto alguém me cutucar (e não foi pelo facebook) e perguntar, Você é a Poetinha Feia? Fomos apresentadas. Agora nos conhecemos. Raquel, aquelas tardes eram repletas de encantamento e beleza. Estima e admiração. Ah, isso causou um rebuliço tão grande dentro de mim. Obrigada por compartilhar seus conhecimentos com carinho e iluminar nossos corações. A sabedoria é sempre generosa! Pedro, talvez, agora, já compreenda o que foi preciso perder para ganhar. Espero ter clareado sua visão com meu caleidoscópio.
Um poeta como nós, eles que façam as concessões!
Um poeta como nós, eles que façam as concessões!
sábado, 6 de agosto de 2011
(...)
Tenho sempre uma lágrima na ponta. Pronta para rolar. Às vezes para fora, borra a maquiagem. Às vezes para dentro, corrói o sentimento. À noite quando durmo feito criança no peito. Tenho sonhos ruins. Não posso controlá-los. Desculpa! Meus olhos fechados enxergam mais do que quando estão abertos. O que imagino sempre é sempre melhor do que o que vivo. Minha imaginação acalenta meu coração. O que vivo deixa marcas em minha carne. Doem com freqüência. Sinto saudades dos seus olhos castanhos apertados. Sua perna sobre a minha. Acho que você nunca existiu. O amor chegou, mas você não se entregou. Assassinaram meu amor às 20h por conveniência. Doeu ler dos seus lábios (que tanto me fizeram feliz!) palavras duras. O seu olhar disperso, fugindo dos meus marejados. O calor que veio por dentro e quase saiu pela boca. Foi engolido seca e lentamente por um café, igualmente, quente. Estiquei os minutos ao máximo para ficar ao seu lado mais um pouco. Depois veio o carinho do consolo. A amizade é o que importa. É o mais importante. Mentira! Mentem para mim há tempos. Finjo que acredito. Sempre calo meus sentimentos. Quando um não quer, dois não amam! – Aprendi essa lição ainda menina. Trago sempre uma lágrima na ponta. Meus olhos brilham mais ao meio dia. Um olho chora mais que o outro. Um é emoção e o outro é contido.
terça-feira, 19 de julho de 2011
(...)
Ouço meus olhos longes demais. Entendo quando querem fugir. Nem sempre eles atentam para minha necessidade. Vejo minhas palavras voarem pelos mares. Molhadas, bóiam densas. Rasuram o que tento escrever. Palavra dita é traída pela memória. Minha lembrança está à deriva. Escrevo. Mas estou sempre à procura dos detalhes. Escrevo para descrever os detalhes que se perdem nos sentidos. O que escrevo é apenas mais uma pré-montagem da próxima escrita. Reescrevo-me a cada segundo. Tento (re)encontrar o que sou. Sou mais um retrato de uma mulher perturbada do novo século. Sou uma úlcera pós-moderna. Carrego a angústia em meus olhos. Perdidos, vagueiam distantes. Sou mais uma esfarrapada. Meu corpo estropiado carrega as esporas que o tempo deixa. Passo e carrego suas marcas. Não permaneço, pereço. Sou como uma palavra ao vento, não retorno. Uma vez lançada, lançada. Uma lágrima rala e a outra faz arder. A terceira ressuscita a dor. Não adormece. Minha vida é provocada pela escrita. Passa e se instaura nela. O que escrevo é minha experiência de passagem. Tento escrever os rastros que meus olhos ouvem. O sentido da palavra está na produção do texto. Quero significar a palavra do dia-a-dia. A palavra cotidiana é invisível. Fala-se apenas, sem reflexão. Meus olhos voam longe demais e carregam minhas palavras. Não consigo alcançá-los. Chamam por mim, mas permaneço a deriva...
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