Já não preciso escrever sobre a busca que
tanto movia e motivava dias vazios. E sem razão. Dias de domingo. Dias cinza.
Palavras soltas. Ecoavam na mente. Dilaceravam o peito. O que buscava. O que
procurava. Entrou em mim como sol de verão pela fresta da cortina. Acordando
minha latência. Despertando para a vida. Adoçou minha amargura! Calou incertezas. Estancou dúvidas. Sem dar chance de fazer perguntas. Entrou!
Fez adormecer noites insones. Não procuro mais São Jorge, terno
companheiro, no clarão. Contemplo apenas sua redoma. Cheia, transborda meu
coração. E os pisca-piscas que deixam as noites num eterno Natal. Foi também
madrugada de dia santo que você chegou. Adormeci ouvindo sua voz, falando em
cada poro. No outro dia, saudade! De tudo que já não cabia em mim. E que só
silenciara com você. Pensei em ligar. Pensei em ir. Pensei em você. Ouvia sua
voz. Que calava a minha. Mas, não sufocava. Transbordávamos. Transbordamos! Acontece
algo aqui que tento trancafiar em mim. Ou melhor, devo trancafiar. Mas, como?
Se nosso olhar transbordar na sala. Acontece algo aqui, quando você segura
minha mão. Quando fazemos planos. Lavamos os pratos. Arrumamos a cama. Almoçamos.
Soninho da tarde. Ou apenas, quando sorrimos. Acontece algo aqui, mas não só
acontece. Transforma! Mudança! Não apenas de cidade! Mas, de viver. E eu quero
comemorar isso todos os dias, não apenas naquele dia... É preciso uma nova
poesia para comemorarmos a potência da vida!
sábado, 19 de abril de 2014
domingo, 28 de abril de 2013
(...)
O despertador que não acorda. O telefone
que não toca. Os domingos são sempre doloridos. Tristes. Trazem más notícias. Realçam
a solidão. A tristeza que carrego em minhas costas largas. Céus cinzentos. Nuvens
carregadas de desejos de melhoras. Não há melhorias. É o dia da ausência. É a
quebra da rotina. Não falem mal da rotina. Os hábitos são importantes para aqueles
que nada possuem. Preciso me prender a algo. Criar uma rotina especial para os
domingos. Todos em sua própria casca. Não me deixam entrar. Não sei se quero
entrar. Ficar fora é bom. Mesmo que cause exclusão. Se você sempre foi
excluído, não sofrerá com as perdas. Já perdi. Hoje quero ter paz. E o que
interessa na vida? E o que interessa da vida? Quase não sei... Nem desconfio de
muita coisa. Para dizer que não parafraseei Rosa. Nem das flores. Não é simples
viver. É complexo. Ser responsabilizado por todas as escolhas. Realmente, Jean,
o homem está condenado à liberdade. E o que fazer quando se tem um dia de
domingo inteiro livre? Não podemos ser livres. Temos de ter amarras. Temos de
ser programados. São tantas opções. Por favor, não me mostre muitas. Quero sempre
duas, ao menos. Uma para ter certeza, e a outra para garantir. Ter que escolher
sem saber o que se quer, é fogo, e a vida nem dá uma dica. Talvez a busca se
resuma em um sim. Estamos sempre procurando garantias. Há garantias? Há merecimentos?
É acreditar! Mas, acreditar que? Quem? Verba volant. E o que fica? Experiência? Conhecimento?
E o amor? Talvez, a vida se resuma a isso, um sim, ou, a procura do sim. E o
que fazer com tantos nãos que recebemos? São tantos nãos que recebemos, que nem
sabemos dizer sim. Se pararmos para pensar também somos o sim de alguém, mas
estamos condicionados a falar não. Podemos tentar de outra forma. Mas, temos
antes de criar essa nova forma. A mudança parte sempre de dentro para fora. Não
adianta falar que houve mudanças. É preciso senti-la! Os domingos são sempre cruéis,
reflexivos e cinzas. Basta ficarmos sozinhos que começamos a propor mudanças. Novos
olhares. Nova forma de pensar, agir e se dar... Amanhã é segunda-feira e tudo
volta ao normal.
domingo, 17 de março de 2013
(...)
Quando sento
para escrever. Escrevo tomada pelo delírio. Algo transcende. Inconsciente liberado.
Não tenho domínio. Não sei o início ou o fim. Sei que tenho de estar apta. Não faço
planos com a escrita. Nem com a vida. Às vezes faço com as pessoas. Mas,
desisto fácil. Gosto de me observar no reflexo da lente de seus óculos. Esse tem
sido um plano bom. O plano da minha vida é sobreviver ao minuto seguinte. O futuro
é o próximo segundo. A próxima palavra que escreverei. Quero me libertar de
todas as certezas. Quero ser insegura. Sentir medo. Não quero ser corajosa. Quero
sair do estável. Quero ser humano. Sentir a flor da pele. O desejo. A dor. Seu sorriso
em minha boca. Reencontrar meu eixo. E romper depois. Romper com o conforto. Sentir-me
viva com todas as angústias que isso acarreta. Neste momento estou em processo
de decantação. Tenho distúrbio de imaginação. Escrevo palavras sem nexo para
tentar descrever o que penso. É tudo tão confuso e já passa das 23h. Os
sentimentos se misturam. Combino surtos de fúria demolidora e ternura na mesma
proporção. Serenidade e agitação. Sou apenas fragmentos de sentimentos. Minha escrita
é formada de pedaços. Não há mais o ser. Ser inteiro. São performances instantânea,
circunstancial. Uma vez liberado, liberado.................
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Umas Poucas Palavras ao Meu Amor
São quase duas da madrugada e as palavras estão chegando.
Juntamente, com o sentimento que brota dentro de mim todos os dias. E que tem
feito meus olhos brilharem com mais intensidade. Às vezes não consigo escrever,
quando o coração está tomado de amor. Não consigo, porque me emociono a cada
letra escrita. Linhas boiam. Teclado boia. O que quero falar, meu amor, é o
antes, o depois e o durante. Havia um vazio em meu coração. Um vazio inundado
de dor. Descrença. Desconfiança. Vivia num eterno desafeto. Distanciava-me de
todos os sentimentos. Previa desilusões. Sofrimento. Dor... Desilusão.
Amargurada, evitava acreditar para depois desacreditar. A ausência, o abismo
por vezes me incomodava. Lágrimas escorriam por dentro, por fora sorriso
amarelo. Solidão! Não lastimava a ausência. Fui endurecendo, enrijecendo. Meu
coração só tinha uma parte. Metade. Pulsava fraco. Faltava o sentimento. Havia tanta
coisa velada dentro de mim. E assim segui... Até o dia lúdico santificado em
que você chegou para mim “como um sol no quintal”. Aos poucos e com força,
preenchendo a lacuna. A fissura. Não tentei relutar, fugir... Entreguei-me. Uma
afinidade inesperada, forte e intensa... Meu coração reacendeu. Entreguei-me ao
fluxo, a correnteza do amor. E desde então tenho flutuado em águas tranquilas. Quando
nossos olhos se encontraram a primeira vez os sinos soaram em meu coração. O que
me encanta é a sua doçura. A forma como vive a vida, como sente o mundo...
Tenho sentido a potência da vida pelos seus olhos que me atravessa. O seu olhar
me acalma e vicia. Quero caminhar ao seu lado para dar passos calmos e firmes. Quero roubar o cheiro do mar para você. O desejo que sinto por você é pela sua
bondade. Tenho aprendido muito e revisto muitas considerações e opiniões... Generosidade. Solidariedade.
O amor tem clareado minha visão! Ter você
ao meu lado é um deleite que a vida me proporcionou. Que belo encontro! Você enche
meus dias de verde, cor dos seus olhos, que chegou para mim num dia
iluminado de esperança... Quero cuidar de nós, do nosso e de quem mais
chegar...
domingo, 30 de setembro de 2012
( )
Continuo tentando. Às vezes quero mais. Outras
vezes quero muito. Mas, a verdade não sei. Quem saberá? Parece que caminho com todos mesmo quando
estou só. O meu sentimento. O sentimento do mundo. Tento enxergar as coisas com
lente de aumento, porém continuam distorcidas. Nem mesmo meu olhar desviado
consegue enxergá-las. Faço cara de surpresa e ouvidos atentos para as mesmas
frases que ouço em diferentes bocas. Todos querem o que todos querem. Quero ficar
longe da agitação. Quero sentir a brisa do pôr do sol. Mesmo que o entardecer
me apavore. O dia parece quebrar ao entardecer. As lojas fecham. O trânsito
complica. Tudo grita ao entardecer. É a hora de voltar para casa. Onde a
solidão se apodera. A obrigação do café. Do jornal. Da novela. De dormir. De beijar
a mesma boca. E enfrentar a gigante solidão. Conheço muita gente que precisa
desse ritual diário (ISSO É MAIS QUE ROTINA, COTIDIANO). Você tem o amor que
merece. Já dizia aquela canção. Mas, você também tem a vida que merece. Acho que
é mais que merecer. Você tem o amor que necessita. Você tem a vida que
necessita. Na vida não há merecimento. Há necessidade. E você tem aquilo que
necessita. Se quiser sofrer menos seja autossuficiente. Não importa se você tem
boa cara ou não. Todos padecem. Sofrem. Gemem. A minha dor, a sua dor. Quanto mais
intimo, mais universal. Não é a felicidade que nivela os seres. E sim a dor e
os desamores. Mas, cada um sabe de si. Cada um sabe o tamanho de sua dor. E aí
não tem jeito é sentar, chorar e tomar conta dela. Nem sei o que digo. Sou apenas
mais um... Não me leve a sério. Me leve à praia. Me leve para tomar um sorvete.
A vida quem faz somos nós. Sou responsável por todas as minhas escolhas. E é,
por isso, que sei, na vida não há garantias. Continuo tentando, olhando tudo
com lente de aumento, mas a verdade... A verdade é uma menina danada!
E está tão diante de meus olhos que
não consigo enxergá-la....................
E está tão diante de meus olhos que
não consigo enxergá-la....................
domingo, 9 de setembro de 2012
Minha Querida J (II)
É difícil escrever com os dedos tremendo. A emoção faz estremecer todo meu corpo. Não sei se daí você conseguirá sentir a emoção que estou sentindo. Enquanto escrevo, um filme passa em minha cabeça. Da primeira que vez que nos vimos e de como elegi você para ser minha amiga. As lembranças ganham força cada vez mais. E os dedos trêmulos parecem saber exatamente o que escrever. Já não controlo mão e mente. Tantas coisas aconteceram desde a última vez que nos falamos sem brevidade. Quanta saudade sinto das nossas longas conversas. Do nosso retorno para casa. Das longas conversas pelo telefone. E do entendimento pelo olhar. Pelo sorriso. Uma expressão facial. Sinto as coisas tão rasas, hoje. Não consigo me entregar com a mesma profundidade de antes. E quando tento a receptividade não é boa. Recolho-me e desaguo em mim. Só que já estou transbordando de tantos sentimentos. Pensamentos. Certezas e incertezas. A solidão que sempre foi bem vinda, não é mais. Sinto falta da troca. Da troca verdadeira. Quando tento permutar com alguém o resultado tem sido ruim. Pessoas egoístas. No fundo, no fundo o erro é meu. Porque são minhas escolhas. Estou tão cansada de me culpar pelas minhas escolhas. Mas, a culpa é minha. Ai, esse cristianismo impregnado em minha alma. Inerente em minhas contradições. Um dia me liberto! Enquanto isso não acontece, continuo carregando a culpa do mundo... Enfim! Você está tão bonita. Mesmo que me aborreça por não atender minhas ligações e nem enviar notícias... Continuo amando você! (Por favor, não veja isso como uma cobrança! Não posso cobrar atenção das pessoas!). Quero dizer que amo você, independente, de qualquer coisa. E às vezes quando estou um pouco down penso em você... Uma lágrima escorre pelas lembranças e a outra escorre pela saudade. Bem, todas as palavras aqui são para pedir que você continue em minha vida, mais presente. Não me abandone na caminhada... Em nossa caminhada. Aprendi com minha doce avó que uma das formas de falar que ama alguém é dizer que quer essa pessoa bem, então lá vai: Te quero bem, minha querida! Será que você está sentindo a mesma emoção que eu? Nossa sintonia é tão nossa... Risos! Se cuida, meu bem...
sábado, 11 de agosto de 2012
(...)

Meus sentimentos possuem a profundeza de um oceano. Oceano no horizonte que encobre o sol fim da tarde. Meus olhos estão sempre à deriva. E meus ouvidos boiam até encontrar por palavras bonitas. Estou chegando ao fim antes de encerrar a caminhada. Antes de saber o motivo que me trouxe. Mas, isso não faz diferença. Meus propósitos se perderam. E uma vez perdidos, perdidos. É como se não sentisse a passagem dos dias. Das noites. A efemeridade da vida me encanta. Gostaria de apagar as lembranças que ecoam em mim. Trazem sentimentos tardios. Que ninguém lembra e/ou sente, apenas eu. Meu coração bobo da corte. Nunca foi satisfeito. Já saciou tantas pessoas. Que fizeram e fazem questão de esquecer. Ou não lembram, porque, simplesmente, não se doaram tanto, quanto eu. Lembranças doem. Gostaria de ter amnésia por opção. Não tenho. Não consigo! Gosto de pessoas e queria colecioná-las. Estocá-las em meu guarda-roupa. Não consigo descartar um alguém. Tantas vezes já me senti com o prazo de validade vencida. Jogada, jogada. Tantas vezes já fiquei no passado. Passado, passado! Não volta. Permanece enterrado. Tantas vezes já fui descartada. Usada, jogada. Não guardo rancor. Gosto de ser útil. O que machuca são as lembranças dos dias felizes. Que só marcaram minha pele. Os sorrisos. O carinho. A cumplicidade. As palavras ditas. Só ficaram em minha mente. E gritam. Emergem de vez em sempre. O alarme da lembrança soa a todo instante. Procuro o botão para desativá-lo, mas perdi a senha. Não me ensinaram a viver sem lembrar. Apagar aquilo que não tem valor. Não sei mensurar as lembranças, os momentos. Para mim todos eles são importantes. Os sentimentos dos instantes vividos são os que ficam. São os que me fundam e me afundam...
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