quinta-feira, 9 de junho de 2011

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Ainda tento preencher o vazio. Entre um passo e outro. Entre o olhar e uma piscadela. Uma palavra e outra. O sentar e o levantar. Seria retórico afirmar que me sinto como um vidro despedaçado por dentro? Mas é assim que me sinto (Reafirmação). O que esperar de uma palavra falada? Não retornará. Aqui passado e futuro: presente. Não tenho rastros a seguir. Passaram uma borracha enquanto piscava os olhos. Apenas tenho o que ficou por dentro. Lembranças recorrentes com sabor de cappuccino de menta. Goles pequenos queimam e corroem a saudade. Como preencher o vazio entre uma gargalhada e outra? Permaneço calada. Emudeço meus gestos. Minhas palavras. Não preciso conter aquilo que não tenho. Vivo o vazio de forma pura e absoluta. Permaneço imóvel e insone. Tento ocupar-me para não pensar. Preciso não pensar. Por que acham que contabilizo todos os minutos do dia? É preciso manter-se ocupada para não sentir o vazio rasgar ao meio dia. A despedida, não houve. Uma palavra de ternura, não foi dita. As expectativas e as lembranças foram resumidas ao “se”. Continuo no aguardo. Busco a presença que não se consuma. A vida presenteada com a ausência. Aguardo contínuo. Por que acham que organizo todas as coisas ao meu alcance a cada segundo do dia? É preciso contabilizar cada ação para não sobrar tempo para relembrar. Tempos coloridos. Pensar tem sido doloroso. Ocupo-me. Tempo automático. O vazio sublima e não é perecível aos dias. Quero fechar os olhos (e acreditar) que tudo passará...



domingo, 15 de maio de 2011

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Quando sento para escrever com meu lápis de ponta fina e meus pedaços de papéis. Junto sentimentos cabíveis. Tento colocá-los em papéis cortados. De uma forma ou de outra os sentimentos que junto, continuam separados. O que quero falar está escrito. Nada além da escrita. Meu texto não brota das minhas entranhas num rompante de inspiração. Mas, surge do sentimento que desperta e se impõe. É preciso muito mais do que querer para escrever. Necessito estar apta para escrever. Estou. Meu tempo é homogêneo. Minha escrita é heterogênea. Preciso conciliar dissonâncias. Quando escrevo dou outro contorno ao vivível. Minha escrita não é um decalque daquilo que vivi. O que escrevo é borrado, porque minha memória é lacunar. Minhas memórias não são exatamente minhas. Porque a memória se perde. A autenticidade se perde. A escrita reinventa minha memória e sua leitura reescreve. Toda leitura é uma reescrita. Escrevo e me inscrevo no texto. Sentimentos. Sensações. Percepções. Desejos. Utilizo a palavra para descrevê-los. Uma (e)terna busca pelo indizível. Pelo sensível. Começo e recomeço todos os dias. Tento preencher com palavras as falhas que possui a memória. Mas, não minto quando digo a verdade. Nem tudo que falo é verdade. Sou fiel apenas ao sentimento. O mais importante é o sentimento e este permanece...



domingo, 17 de abril de 2011

Querida B.


Eu quero falar sobre a emoção. Sobre o carinho. Sobre o sentimento que permeou a noite. Entre sorrisos e abraços. Palavras trocadas e olhares. Traduzir tantos sentimentos em palavras é um grande desafio. Escrever para você é sempre um desafio. Porque parece que você é conhecedora de todas as palavras. Mas, também devo confessar que é difícil escrever para quem amamos. E eu fico aqui tentando juntar meio punhado de palavras que te faça sorrir. Ah, seu sorriso! Se eu pudesse tirar meus olhos e te emprestar. Somente assim saberia o que sinto quando olho para você. Você tem um encanto que é só seu.  Mas, ainda, quero continuar minha tentativa em descrever a emoção. E tem de ser agora no calor do momento. Porque a emoção quando passa, passa. Sabe aquela coisa que vem de dentro? Pois é, quando estávamos sentadas a mesa senti essa emoção. E quase que ela sai. Mas, tomei um gole de café para que ela retornasse. Não poderia deixar escapulir a emoção. Por isso, tomei outro gole de café dessa vez com cuscuz. Mas, ainda assim a emoção teimava em sair. Tomei outro gole de café acompanhado do bolo de cenoura (que pecado!).  Pensei que o problema poderia ser o café e tomei o suco com bolo de cenoura. (porque bolo é minha paixão!). E a emoção foi assentando-se aqui dentro. Mas, ao olhar para a mesa a emoção retornava mais forte. E estava quase impossível controlá-la. Só então percebi, porque não conseguia acalmar. Ora, tudo ali foi feito com tanto carinho e amor. A cada gole de café. A cada pedaço de cuscuz. Ingeria emoção. Foi aí que a emoção foi se ajeitando. Mas, estava tudo tão gostoso. Que a cada pedaço de bolo meu coração batia acelerado. Parecia que iria sair pela boca a qualquer momento. Poderia arriscar um discurso, mas minha voz engasgaria como uma palavra seca entalada. E meus olhos transbordariam. É complicado controlar a emoção. É difícil escrever com os olhos marejados. O teclado parece boiar em meus olhos. E a tela derrama letras por todos os lados. Mesmo assim continuo, porque estou embriagada pela emoção do momento. E não posso perdê-la. Me senti tão acolhida. Tão à vontade. Tão feliz de estar entre os seus. E saber que sou uma dos seus. Desculpa meus abraços embaraçados. Que derrubam seus óculos e brincos. E que piso em seus pés. Acontece que quando te vejo sinto vontade de te abraçar. Eu quero é te proteger de todo o mal que há no mundo. Criar uma cápsula para te resguardar. E tê-la ao meu lado por todos os dias que virão. Eu te admiro. Te respeito. Te quero feliz. E te amo. Te amo sem medo de errar. Te quero muito bem, meu bem. E quero te falar: Conte comigo! Há tantos dias que quero te falar: Conte comigo! E ainda: Estou ao seu lado! Ah, mas o que posso falar? O que posso dizer, ainda? Logo, eu, uma aprendiz de poeta. A emoção que sinto causa um rebuliço tão fantástico dentro de mim. Só tenho a agradecer. Seu olhar de carinho e cumplicidade me honram muito. Eu agradeço não apenas por estar ali diante daquela mesa (deliciosa!), mas por estar em frente a você. E sentir sua alegria transbordando. Agradeço pelo carinho de todos os dias. Pelos abraços apressados. Pelos sorrisos. Pela palavra firme e delicada. Pelo olhar que nos procura. Pelo sorriso que nos conforta. Pela orientação acadêmica. Pela orientação para a vida. Pelo tempo dedicado. Pela confiança. Poderia alongar esse agradecimento por tantas linhas, mas já está tão tarde e nós temos de dormir...

sábado, 19 de março de 2011

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Os meus olhos vêem coisas que não posso tocar. Tateio pelo vento com o sentido perdido. Não posso perder o sentido. Preciso da lucidez. Ter olhos lúcidos, atentos e curiosos. Perde-se tudo quando a mente se perde. Não posso perder. As linhas que emaranham a minha escrita criaram um labirinto em que estou presa. O meu olhar meio perdido está atento ao ínfimo detalhe. Esse é o meu olhar diferenciado e mais amplo sobre a realidade. Minhas mãos são calejadas pelas palavras que uso para reinventar a realidade. Sei o que é real. Conheço a realidade. Achei que poderia suportá-la, mas um dia descobri que não posso. E foi a partir daí que reinventei todas que sou. Eu sou uma ficção baseada em fatos reais. A cada instante vivo um personagem. Minha vida é um ensaio. Quero borrar a linha entre a realidade e a ficção. Assim como os meus casos amorosos borrados. Todos foram um grande borrão. Aprendo mais quando sinto. Escrevo com o olhar do todo, da paciência. Escrevo para contemplar as palavras que surgem. Uma a uma. Escrevo devagar e num fôlego só. O som da máquina de escrever embala as palavras que brotam no papel. Cada batida na máquina é sentida pelo meu avesso. Um som que me aproxima da escrita. Como descrever o primeiro beijo? O sentimento daquele instante. A textura da sua língua na minha. As mãos suadas. Os olhos entreabertos. A respiração ofegante. Sua saliva quente com a minha fervente. Escrevo para tocar e nomear aquilo que os meus olhos vêem.

quarta-feira, 2 de março de 2011

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Eu gosto de saber das coisas. São tantas coisas para  saber quando se é adulto. Os segredos que as pessoas não contam. O motivo da sua tristeza ou da sua alegria. Gosto de observar enquanto você dorme para tentar saber o que sonha. Gosto de saber os motivos. Mas, os motivos não justificam as ações.  Gosto de saber o que acontece com a formiga quando chega a seu formigueiro com uma folha gigante. Gosto de saber o que acontece com a pessoa que está ao meu lado. Se está bem ou triste. Ou apenas indo. Gosto de saber das coisas.  E por que elas acontecem. Gosto de ter o controle. Eu tinha o controle, mas o perdi. E preciso recuperá-lo, porque as coisas já foram longe demais. Não posso perder tempo catando o que está por aí espalhado, mas é preciso juntar tudo e seguir. Às vezes sinto como se estivesse andando em câmera lenta e tudo ao meu redor está rápido demais. Tento acompanhar e não consigo. Não consigo acompanhar, porque estou presa. Tenho que desprender e caminhar. Serei livre. Não sei se quero ser livre. O bom de estar preso é que a culpa não é sua. É bom ter alguém para culpar. Ruim é dormir a noite com a lucidez infernizando seus sonhos. São tantas coisas para saber quando se é adulto. Eu gosto de saber sobre os sentimentos dos outros. Gosto de ouvir como se sentem. Ouvir suas histórias de desamor. Todos que conheço têm uma. Eu coleciono várias. O amor me maltrata nos dias de sol e chuva. E faz-me padecer em dias acinzentados. Sou uma pessoa curtida no desamor. Se for para chorar, entro num lençol e choro até a garganta doer. Até os olhos fecharem de tão inchados. Gosto de imaginar o que as pessoas pensam. E se seus pensamentos são tão bons como suas palavras. Gosto de imaginar as coisas. Gosto de aprender sobre as coisas. Não quero dizer a coisa errada, o que acabo fazendo, por isso, escrevo. Acho que me saio melhor quando escrevo. Há muito que dizer por ser um adulto, mas eu nunca quis crescer.


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

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O que quero falar em meu texto está escrito. As minhas dores. As minhas angústias. Os sabores que sinto. Os meus sentimentos estão inscritos em minha escrita. Busco na vida a explicação para o meu texto. A verdade que escrevo é floreada. Mas, diga lá o que é verdade? O meu relato é composto do que vivi e daquilo que gostaria de viver. O que sinto é floreado. Sou um ser que enceno, represento. Tenho várias faces. O que escrevo é sempre um já escrito. Mas, há algo que não se esgota em meus textos. E é por essa ausência que continuo a escrever. Escrevo pela lacuna que o texto deixa. Sinto angústia em querer escrever o indizível. Minha escrita tem a minha memória, a memória do outro e a do espaço. O que você precisa saber sobre mim está em minha escritura. Meus textos são atravessados pela ficção, mas não minto quando falo a verdade. Escrevo poemas, porque sofro de devaneios. Componho histórias para remediar meu desconforto. A forma como sinto os fatos é diferente da forma que você sente. Entretanto, o que quero escrever é a minha emoção atravessada pela sua. Tento dialogar os nossos sentimentos. Quantos EU há em mim? Não sei quem sou. Sou fragmentada ao extremo. Tenho vários desejos. Eles lutam para sobrepor-se. Apenas aguardo. Coleciono histórias de amor e em meu corpo guardo suas marcas. Em meus textos trago marcas das histórias de amor que li, vivi e ouvi. Escrevo verdades, as minhas verdades. Ficção não é invenção. É a leitura do que se vive. Meu texto funde imaginação e memórias. A minha maior angústia é tentar escrever como me vejo do lado de fora. Minha escrita é quando. O meu quando se confunde com o seu e do outro. Escrevo para você, mas o que escrevo está permeado de mim. Dialogo com os outros através de versos. Minha vida é o meu processo de criação. A vida dos outros deixa marcas em minha criação. Estou em constante processo. Os rascunhos perdem-se. Mas o sentimento daquilo que escrevo permanece. Minha escrita alimenta-se de mim para preencher as lacunas do texto... Enquanto, alimento-me da minha raiz

sábado, 8 de janeiro de 2011

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Hoje acordei e pedi inspiração. Exigi iluminação. Convoquei a palavra certa. Aquela que enxágüe. Que limpe e ilumine tudo que virá. Aquela transformadora. Que cause alvoroço. Reboliço. Que me vire do avesso. Aquela que desvele. Que tire o véu que cobre. Ou que uso para camuflar. Fingir aquilo que não sou. Eu quero escrever, escrever sem parar. Até o lápis acabar. Até os dedos sangrarem. Até a cabeça pifar. Meu pensamento neste momento está em ebulição. É um pensamento inquietante. Não quero aquilo que já tenho. Desejo sair disso tudo. Largar as coisas como estão. Quero deixá-las inacabadas. Quero despir o meu egoísmo. A minha mesquinhez (que tanto me faz mal!). Os meus conceitos e preconceitos. Quero romper com tudo isso. Virar a página sem olhar para trás. Deixar os problemas, meus pequenos problemas que causam grandes transtornos. O que são esses problemas diante da grandeza do universo? O que sou diante do macrocosmo? Um ínfimo grão de areia. A partir de hoje não terei mais problemas a resolver. Terei dificuldades transponíveis. Quero falar, falar, falar como se tivesse aprendido agora. E se a escrita for à forma como encontrei para gritar essa voz. Vou escrever. Só quero o que é meu. Apenas quero a fatia que me cabe. Quero fazer minhas escolhas sem medo. Quando faço o que quero sempre acerto. Mesmo quando as coisas não acontecem como o planejado. Mas a escolha foi minha. E se eu cair e quebrar a cara. Levanto, porque a escolha foi minha. Minhas escolhas sempre serão certas, porque são minhas. Não posso permitir que outra pessoa viva a minha vida. Aquilo que decidir será tranqüilo, sem angústias. Não quero escolhas angustiadas. Não quero escolher entre isso e aquilo. Eu quero os dois. Almejo escolhas conscientes. O grande delírio é ter consciência daquilo que você quer. É ter consciência daquilo que você é. A pior piração que pode se ter é ser consciente. E eu quero ter plena e total consciência daquilo que quero. Daquilo que sou. Das minhas buscas. Das minhas escolhas. Ah, é muita loucura! Sei que não posso calar. Não posso fazer morrer dentro de mim essa vontade de gritar, de viver, de celebrar a vida, o mundo. Não posso calar. Não quero! Quero ir além. Quero o novo. O desconhecido. Quero transcender. Quero saber o que há entre dois grãos de poeira que estão aqui em meu pé. Quero ir. Transgredir. Quero saber o que há entre o sonho e sua realização. Preciso da lucidez necessária para reconhecer o momento do conhecimento quando ele chegar. Quero a sabedoria para sentir a revelação. Eu quero viver plenamente comigo. Me reconhecer. Buscar todas as respostas dentro de mim. Sentir minhas sensações. Minhas emoções. Saber o que ocorre dentro de mim. Onde está o ponto de equilíbrio. E se há algum equilíbrio. Quero me fazer bem. Para que possa fazer o bem a você. Não posso dar aquilo que não conheço. Tenho que permitir o autoconhecimento. Eu quero o verbo to be. Quero ser e estar. E se você é... Me deixa ser!