domingo, 15 de maio de 2011

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Quando sento para escrever com meu lápis de ponta fina e meus pedaços de papéis. Junto sentimentos cabíveis. Tento colocá-los em papéis cortados. De uma forma ou de outra os sentimentos que junto, continuam separados. O que quero falar está escrito. Nada além da escrita. Meu texto não brota das minhas entranhas num rompante de inspiração. Mas, surge do sentimento que desperta e se impõe. É preciso muito mais do que querer para escrever. Necessito estar apta para escrever. Estou. Meu tempo é homogêneo. Minha escrita é heterogênea. Preciso conciliar dissonâncias. Quando escrevo dou outro contorno ao vivível. Minha escrita não é um decalque daquilo que vivi. O que escrevo é borrado, porque minha memória é lacunar. Minhas memórias não são exatamente minhas. Porque a memória se perde. A autenticidade se perde. A escrita reinventa minha memória e sua leitura reescreve. Toda leitura é uma reescrita. Escrevo e me inscrevo no texto. Sentimentos. Sensações. Percepções. Desejos. Utilizo a palavra para descrevê-los. Uma (e)terna busca pelo indizível. Pelo sensível. Começo e recomeço todos os dias. Tento preencher com palavras as falhas que possui a memória. Mas, não minto quando digo a verdade. Nem tudo que falo é verdade. Sou fiel apenas ao sentimento. O mais importante é o sentimento e este permanece...



domingo, 17 de abril de 2011

Querida B.


Eu quero falar sobre a emoção. Sobre o carinho. Sobre o sentimento que permeou a noite. Entre sorrisos e abraços. Palavras trocadas e olhares. Traduzir tantos sentimentos em palavras é um grande desafio. Escrever para você é sempre um desafio. Porque parece que você é conhecedora de todas as palavras. Mas, também devo confessar que é difícil escrever para quem amamos. E eu fico aqui tentando juntar meio punhado de palavras que te faça sorrir. Ah, seu sorriso! Se eu pudesse tirar meus olhos e te emprestar. Somente assim saberia o que sinto quando olho para você. Você tem um encanto que é só seu.  Mas, ainda, quero continuar minha tentativa em descrever a emoção. E tem de ser agora no calor do momento. Porque a emoção quando passa, passa. Sabe aquela coisa que vem de dentro? Pois é, quando estávamos sentadas a mesa senti essa emoção. E quase que ela sai. Mas, tomei um gole de café para que ela retornasse. Não poderia deixar escapulir a emoção. Por isso, tomei outro gole de café dessa vez com cuscuz. Mas, ainda assim a emoção teimava em sair. Tomei outro gole de café acompanhado do bolo de cenoura (que pecado!).  Pensei que o problema poderia ser o café e tomei o suco com bolo de cenoura. (porque bolo é minha paixão!). E a emoção foi assentando-se aqui dentro. Mas, ao olhar para a mesa a emoção retornava mais forte. E estava quase impossível controlá-la. Só então percebi, porque não conseguia acalmar. Ora, tudo ali foi feito com tanto carinho e amor. A cada gole de café. A cada pedaço de cuscuz. Ingeria emoção. Foi aí que a emoção foi se ajeitando. Mas, estava tudo tão gostoso. Que a cada pedaço de bolo meu coração batia acelerado. Parecia que iria sair pela boca a qualquer momento. Poderia arriscar um discurso, mas minha voz engasgaria como uma palavra seca entalada. E meus olhos transbordariam. É complicado controlar a emoção. É difícil escrever com os olhos marejados. O teclado parece boiar em meus olhos. E a tela derrama letras por todos os lados. Mesmo assim continuo, porque estou embriagada pela emoção do momento. E não posso perdê-la. Me senti tão acolhida. Tão à vontade. Tão feliz de estar entre os seus. E saber que sou uma dos seus. Desculpa meus abraços embaraçados. Que derrubam seus óculos e brincos. E que piso em seus pés. Acontece que quando te vejo sinto vontade de te abraçar. Eu quero é te proteger de todo o mal que há no mundo. Criar uma cápsula para te resguardar. E tê-la ao meu lado por todos os dias que virão. Eu te admiro. Te respeito. Te quero feliz. E te amo. Te amo sem medo de errar. Te quero muito bem, meu bem. E quero te falar: Conte comigo! Há tantos dias que quero te falar: Conte comigo! E ainda: Estou ao seu lado! Ah, mas o que posso falar? O que posso dizer, ainda? Logo, eu, uma aprendiz de poeta. A emoção que sinto causa um rebuliço tão fantástico dentro de mim. Só tenho a agradecer. Seu olhar de carinho e cumplicidade me honram muito. Eu agradeço não apenas por estar ali diante daquela mesa (deliciosa!), mas por estar em frente a você. E sentir sua alegria transbordando. Agradeço pelo carinho de todos os dias. Pelos abraços apressados. Pelos sorrisos. Pela palavra firme e delicada. Pelo olhar que nos procura. Pelo sorriso que nos conforta. Pela orientação acadêmica. Pela orientação para a vida. Pelo tempo dedicado. Pela confiança. Poderia alongar esse agradecimento por tantas linhas, mas já está tão tarde e nós temos de dormir...

sábado, 19 de março de 2011

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Os meus olhos vêem coisas que não posso tocar. Tateio pelo vento com o sentido perdido. Não posso perder o sentido. Preciso da lucidez. Ter olhos lúcidos, atentos e curiosos. Perde-se tudo quando a mente se perde. Não posso perder. As linhas que emaranham a minha escrita criaram um labirinto em que estou presa. O meu olhar meio perdido está atento ao ínfimo detalhe. Esse é o meu olhar diferenciado e mais amplo sobre a realidade. Minhas mãos são calejadas pelas palavras que uso para reinventar a realidade. Sei o que é real. Conheço a realidade. Achei que poderia suportá-la, mas um dia descobri que não posso. E foi a partir daí que reinventei todas que sou. Eu sou uma ficção baseada em fatos reais. A cada instante vivo um personagem. Minha vida é um ensaio. Quero borrar a linha entre a realidade e a ficção. Assim como os meus casos amorosos borrados. Todos foram um grande borrão. Aprendo mais quando sinto. Escrevo com o olhar do todo, da paciência. Escrevo para contemplar as palavras que surgem. Uma a uma. Escrevo devagar e num fôlego só. O som da máquina de escrever embala as palavras que brotam no papel. Cada batida na máquina é sentida pelo meu avesso. Um som que me aproxima da escrita. Como descrever o primeiro beijo? O sentimento daquele instante. A textura da sua língua na minha. As mãos suadas. Os olhos entreabertos. A respiração ofegante. Sua saliva quente com a minha fervente. Escrevo para tocar e nomear aquilo que os meus olhos vêem.

quarta-feira, 2 de março de 2011

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Eu gosto de saber das coisas. São tantas coisas para  saber quando se é adulto. Os segredos que as pessoas não contam. O motivo da sua tristeza ou da sua alegria. Gosto de observar enquanto você dorme para tentar saber o que sonha. Gosto de saber os motivos. Mas, os motivos não justificam as ações.  Gosto de saber o que acontece com a formiga quando chega a seu formigueiro com uma folha gigante. Gosto de saber o que acontece com a pessoa que está ao meu lado. Se está bem ou triste. Ou apenas indo. Gosto de saber das coisas.  E por que elas acontecem. Gosto de ter o controle. Eu tinha o controle, mas o perdi. E preciso recuperá-lo, porque as coisas já foram longe demais. Não posso perder tempo catando o que está por aí espalhado, mas é preciso juntar tudo e seguir. Às vezes sinto como se estivesse andando em câmera lenta e tudo ao meu redor está rápido demais. Tento acompanhar e não consigo. Não consigo acompanhar, porque estou presa. Tenho que desprender e caminhar. Serei livre. Não sei se quero ser livre. O bom de estar preso é que a culpa não é sua. É bom ter alguém para culpar. Ruim é dormir a noite com a lucidez infernizando seus sonhos. São tantas coisas para saber quando se é adulto. Eu gosto de saber sobre os sentimentos dos outros. Gosto de ouvir como se sentem. Ouvir suas histórias de desamor. Todos que conheço têm uma. Eu coleciono várias. O amor me maltrata nos dias de sol e chuva. E faz-me padecer em dias acinzentados. Sou uma pessoa curtida no desamor. Se for para chorar, entro num lençol e choro até a garganta doer. Até os olhos fecharem de tão inchados. Gosto de imaginar o que as pessoas pensam. E se seus pensamentos são tão bons como suas palavras. Gosto de imaginar as coisas. Gosto de aprender sobre as coisas. Não quero dizer a coisa errada, o que acabo fazendo, por isso, escrevo. Acho que me saio melhor quando escrevo. Há muito que dizer por ser um adulto, mas eu nunca quis crescer.


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

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O que quero falar em meu texto está escrito. As minhas dores. As minhas angústias. Os sabores que sinto. Os meus sentimentos estão inscritos em minha escrita. Busco na vida a explicação para o meu texto. A verdade que escrevo é floreada. Mas, diga lá o que é verdade? O meu relato é composto do que vivi e daquilo que gostaria de viver. O que sinto é floreado. Sou um ser que enceno, represento. Tenho várias faces. O que escrevo é sempre um já escrito. Mas, há algo que não se esgota em meus textos. E é por essa ausência que continuo a escrever. Escrevo pela lacuna que o texto deixa. Sinto angústia em querer escrever o indizível. Minha escrita tem a minha memória, a memória do outro e a do espaço. O que você precisa saber sobre mim está em minha escritura. Meus textos são atravessados pela ficção, mas não minto quando falo a verdade. Escrevo poemas, porque sofro de devaneios. Componho histórias para remediar meu desconforto. A forma como sinto os fatos é diferente da forma que você sente. Entretanto, o que quero escrever é a minha emoção atravessada pela sua. Tento dialogar os nossos sentimentos. Quantos EU há em mim? Não sei quem sou. Sou fragmentada ao extremo. Tenho vários desejos. Eles lutam para sobrepor-se. Apenas aguardo. Coleciono histórias de amor e em meu corpo guardo suas marcas. Em meus textos trago marcas das histórias de amor que li, vivi e ouvi. Escrevo verdades, as minhas verdades. Ficção não é invenção. É a leitura do que se vive. Meu texto funde imaginação e memórias. A minha maior angústia é tentar escrever como me vejo do lado de fora. Minha escrita é quando. O meu quando se confunde com o seu e do outro. Escrevo para você, mas o que escrevo está permeado de mim. Dialogo com os outros através de versos. Minha vida é o meu processo de criação. A vida dos outros deixa marcas em minha criação. Estou em constante processo. Os rascunhos perdem-se. Mas o sentimento daquilo que escrevo permanece. Minha escrita alimenta-se de mim para preencher as lacunas do texto... Enquanto, alimento-me da minha raiz

sábado, 8 de janeiro de 2011

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Hoje acordei e pedi inspiração. Exigi iluminação. Convoquei a palavra certa. Aquela que enxágüe. Que limpe e ilumine tudo que virá. Aquela transformadora. Que cause alvoroço. Reboliço. Que me vire do avesso. Aquela que desvele. Que tire o véu que cobre. Ou que uso para camuflar. Fingir aquilo que não sou. Eu quero escrever, escrever sem parar. Até o lápis acabar. Até os dedos sangrarem. Até a cabeça pifar. Meu pensamento neste momento está em ebulição. É um pensamento inquietante. Não quero aquilo que já tenho. Desejo sair disso tudo. Largar as coisas como estão. Quero deixá-las inacabadas. Quero despir o meu egoísmo. A minha mesquinhez (que tanto me faz mal!). Os meus conceitos e preconceitos. Quero romper com tudo isso. Virar a página sem olhar para trás. Deixar os problemas, meus pequenos problemas que causam grandes transtornos. O que são esses problemas diante da grandeza do universo? O que sou diante do macrocosmo? Um ínfimo grão de areia. A partir de hoje não terei mais problemas a resolver. Terei dificuldades transponíveis. Quero falar, falar, falar como se tivesse aprendido agora. E se a escrita for à forma como encontrei para gritar essa voz. Vou escrever. Só quero o que é meu. Apenas quero a fatia que me cabe. Quero fazer minhas escolhas sem medo. Quando faço o que quero sempre acerto. Mesmo quando as coisas não acontecem como o planejado. Mas a escolha foi minha. E se eu cair e quebrar a cara. Levanto, porque a escolha foi minha. Minhas escolhas sempre serão certas, porque são minhas. Não posso permitir que outra pessoa viva a minha vida. Aquilo que decidir será tranqüilo, sem angústias. Não quero escolhas angustiadas. Não quero escolher entre isso e aquilo. Eu quero os dois. Almejo escolhas conscientes. O grande delírio é ter consciência daquilo que você quer. É ter consciência daquilo que você é. A pior piração que pode se ter é ser consciente. E eu quero ter plena e total consciência daquilo que quero. Daquilo que sou. Das minhas buscas. Das minhas escolhas. Ah, é muita loucura! Sei que não posso calar. Não posso fazer morrer dentro de mim essa vontade de gritar, de viver, de celebrar a vida, o mundo. Não posso calar. Não quero! Quero ir além. Quero o novo. O desconhecido. Quero transcender. Quero saber o que há entre dois grãos de poeira que estão aqui em meu pé. Quero ir. Transgredir. Quero saber o que há entre o sonho e sua realização. Preciso da lucidez necessária para reconhecer o momento do conhecimento quando ele chegar. Quero a sabedoria para sentir a revelação. Eu quero viver plenamente comigo. Me reconhecer. Buscar todas as respostas dentro de mim. Sentir minhas sensações. Minhas emoções. Saber o que ocorre dentro de mim. Onde está o ponto de equilíbrio. E se há algum equilíbrio. Quero me fazer bem. Para que possa fazer o bem a você. Não posso dar aquilo que não conheço. Tenho que permitir o autoconhecimento. Eu quero o verbo to be. Quero ser e estar. E se você é... Me deixa ser!

domingo, 31 de outubro de 2010

Querida J.


Descobri que aqui posso encurtar a distância que nos separa. E posso contar a você sobre o que tem acontecido. Estou aqui para falar o motivo das minhas olheiras. Das minhas noites de louvor a lua. Das constantes tremedeiras em minhas mãos e pernas. Calma, não estou doente. Verdade! Ou talvez esteja, mas a cura, ainda, não existe. Não quero assustá-la e nem preocupá-la. Preciso apenas falar, mas você não deixa. Escuta! Seus olhos parecem que desvelam todos os meus segredos. E isso é muito bom, porque ultimamente não tenho conseguido falar. E com você flui... Fico a vontade. Você consegue me ouvir com toda essa distância? Para desentristecer, Leãozinho O meu coração tão só Basta eu encontrar você no caminho. Quero contar sobre o que inunda meus olhos. O que me faz tremer todas as noites além do frio. O que faz minha cabeça doer. Não quero assustá-la. Espere fique mais um pouco. Me deixa organizar as coisas. As palavras. As idéias. Meus sentimentos. Ah, estou tão nervosa. Chateada. E aborrecida. Quando estou assim às coisas saem do controle. E fico mais nervosa, porque... Você sabe o quanto sou organizada e exigente. Mas, não sei. Simplesmente, não sei quando as coisas ficaram assim. Mas, ouça ainda não é isso. Não foi para falar sobre isso que a chamei. O amor que sinto por você continua intacto. Sua voz me emociona. Será que temos a sintonia ainda? Quero saber sobre você também. Sua rotina. Suas leituras. Sua vida. Seu novo lar. Da última vez que nos vimos. Sua vida estava em mudança. Seus sonhos. Suas expectativas. Esperança renovada. Foi naquele, exato momento que senti que as coisas mudam sem prévio aviso. Lembrei do tempo que estive ao seu lado no gigante azul. Lembro das oportunidades de estar ao seu lado e que não aproveitei como deveria. A distância era tão pequena. Mas, criamos uma distância tão grande atrelada ao tempo. Perdi tantas chances. Sorrisos. Abraços. Beijinhos e carinhos... Espera, ainda, não terminei... Não era sobre isso que queria falar... Fique mais um pouco. Aproveite para saber de mim...