Feliz Dia das Mães! Poderia desejar apenas
isso. Mas, gostaria de acrescentar algumas poucas palavras e muitos
sentimentos. Tenho aprendido a ser mãe nestes quase três anos de convívio. E,
com isso, tenho entendido mais a minha mãe. Nossa relação. A eterna responsabilidade. A perene
preocupação. Não importa se os filhos são adultos ou ainda crianças. Filho é
sempre filho. O que antes via como chateação. Hoje: cuidado. O horário. A alimentação.
As amizades. A escola. As escolhas. A proteção. O respeito. O querer
o bem, o melhor. Os olhos sorridentes a cada conquista. Encorajadores a cada desafio. Tristes a cada
tristeza nossa. E a bondade a cada amanhecer. É a força que se renova a cada
instante. Hoje, olho minha mãe com outros olhos. Olhos de amor. E sei que há
muitas formas de expressá-lo. Mesmo quando o abraço não vinha. O beijo perdia-se
no momento. A palavra muda ecoava no ar. O silêncio que invadia a sala. Hoje,
sei que o amor estava ali. Está ali. Mesmo não sendo as melhores amigas. Não saindo
juntas. Mesmo com todas as discussões. Diferenças. Desentendimentos. Mesmo,
quando a chuva caía. O sol queimava. O inverno esfriava. E a primavera
florescia. O amor estava ali. Ainda está. Hoje, reconheço. Percebo
minhas falhas. Intransigências. E, muitas vezes, egoísmo. Hoje, quero ser uma filha melhor. Mas, nem escrevendo
todas as palavras conseguiria explicar o que é este sentimento. Mesmo assim
tento, porque quem escreve é mais teimoso que mula empacada. Tento explicar o
inexplicável. Dizer o indizível. Estou falando do amor. Porque sinto amor. E amo
o amor. E é esse sentimento que é a potência da vida. Que adoça. Que permite
fazer planos. E sonhar novos sonhos. Refazer projetos. Acreditar. Ter fé. Ir além.
Superar limites. Quero só agradecer. Agradecer aos ensinamentos diários. Mesmo sendo
uma aluna rebelde e questionadora. Obrigada, por me ensinar tanto
diariamente. Paciência. Doçura. Carinho. Afeto. Cuidado. Compreensão. Firmeza. Obrigada,
por me ensinar a amar e a sentir o amor. O amor que sempre esteve ali. Ainda está
e estará.
domingo, 10 de maio de 2015
terça-feira, 24 de março de 2015
Dia a dia
No meio dessa loucura toda, o amor me salva.
Com seus olhos de esperança. Sorri para mim cedo. E clareia meu olhar embaçado.
Cheiro seu cabelo. Escovo os dentes. Tomo banho frio. Acordo nosso menino.
Tenho certeza que ele dorme até a primeira chuveirada. Na janela sobre o mundo aberta,
acompanho o seu passo. Ao longe, ele vira e acena. Às vezes, manda beijo. Às
vezes, quando acontece alguma coisa é só virar e nossos olhos compreendem.
Volto. Faço nosso café, apaixonada. Espero você despertar. Me encanta observar
o seu leve caminhar entre o quarto e o banho. Sento só para admirar. Com meus
olhos apaixonados. Enquanto você se arruma conversamos alguma coisa. Isso me
alimenta. Me fortalece para enfrentar mais um dia enlouquecido. Enfrentamos
lado a lado o trânsito. Com suas motos. Motonetas. Bicicletas. Carros.
Pedestres. Apitos. Faixas. Buzinas. Pensamos em soluções. E se... Ou se...
Sabemos muito de trânsito. Ouvimos o jornal no rádio. Comentamos outras
histórias. Daquilo que aprendemos. Daquilo que somos. E a cada conversa
fortalece aquilo que fez me apaixonar por você. Fico no trabalho. Você segue.
Meio-dia nos encontramos. Mais novidades, mais conversas. Vamos pegar o menino.
Seguimos para casa. Mais trânsito. Mais ideias. Almoçamos. Lavamos os pratos. O
menino brinca. Nós assistimos. O menino faz a tarefa. Se é português, posso
ajudar. Se é matemática, é com você. Quando está fácil, ele faz sozinho. O
menino volta a brincar. Conversamos, acarinhamos, amamos. Já está na hora no
café? Uma fala no entardecer. Enquanto você prepara o café, coloco à mesa.
Adoço com colheradas rasas para não enjoar. Assistimos TV, conversamos, carinho vai,
carinho vem. Vamos dormir? Já? Vem me ajeitar! Deitamos. Beijamos. Abraçamos. Conversamos
sobre o dia. Amadurecemos ideias. Fazemos planos. Desfazemos outros. Refazemos
mais. Rimos. Analisamos. Beijamos. Cheiro seu cheiro. Abraço forte. Jogo as pernas. Sonhamos novos
sonhos. Até o dia amanhecer...
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
... (O vazio)
... Cortaram o fio. O poema perdeu-se. Rima
rica minha. Era tão meu. Inerente a mim. Éramos possuídos... Desde o principio
ou não, mas me pertenceu do início a interrupção. E foi tomado de mim. De forma
brusca. Inesperada. Violentamente. Um aborto. Não espontâneo. Doloroso. Foi
estranho descobrir isso após a perda. O óbvio muitas vezes foge da vista. Meus olhos boiam na lembrança. Companheiro
de aflição. Devaneios. Sonhos. Marcado pelo ir e vir. Traços de
criação. Tudo escrito a lápis.
Ponta fina. Ponta grossa. Ponta por fazer. Inquietações. Experimentações. Textos interrompidos. Outros finalizados.
E um bocado de frases soltas. Ideias frescas. Que nunca amadurecerão. Palavras inquietas. E o que fazer com o preenchimento que fora roubado de mim? Estou pela
metade. Perdida no caos. E essa incompletude que perpetuava à escrita. Permeava
a busca. Afligia noites insones. Essa sede que me fazia buscar água. E muitas
vezes não bebê-la para continuar buscando. Sentir o corpo ansiar. Vibrar pelo
desejo. Exaustão. Escrever é ser sempre incompleto. Mesmo após um poema
escrito. O vazio invade e fim. Permanece. Se a escrita é perene, o vazio também
o é. Escrever é um ato incansavelmente de incompletude. E essa é a minha sede.
Completar-me. Não há prêmios. Best-sellers. Que cessem a sede de quem escreve. Levaram
minhas palavras... Tão minhas. Ali escritas. Pensadas. Pesadas. Amadurecidas.
Alinhavadas. Conectadas. Escritas. Perdidas. No tempo e espaço. Minhas palavras por aí... Quem está
lendo? Devastando minha devastação? Andando em meu deserto com olhos gulosos?
Curiosos sem fim? Será inconcluso também? O que pensará? Meus pedaços de mim. Penso inconcluso. Destroçada
de mim. Desabitada. Oca. Escrever é ser sempre vago...
quinta-feira, 12 de junho de 2014
Ao, meu doce, amor...
Queria escrever um texto tão bonito que seus
olhos inundassem na primeira linha. Eu gostaria de contar sobre tudo que
aprendi. Sobre quando sinto seu perfume no instante que penso em você. Queria escrever
muitas palavras... Belas até sobre quando sinto seu coração bater em meu ouvido.
Sobre quando acordo no meio da noite com seu corpo se ajeitando ao meu. Gostaria
de falar sobre a saudade, saudade mesmo, forte e feroz que sinto quando estou
longe de você nas dolorosas noites de plantão. Queria ficar calada ao seu lado,
esperando o tempo passar para não deixar escapar o que seus olhos veem. Queria raptar
todos os nossos momentos para revê-los depois. Gostaria de falar sobre os meus
sonhos e o quanto deles é você. Ah, gostaria de escrever sobre como sou grata
por tudo que seus olhos mostraram aos meus. Sobre o prazer que sacia minha
vontade quando você come caranguejo. Por tudo que experienciamos até aqui. Queria
mesmo detalhar todas as descobertas que fiz nesta cidade. Mas, prefiro apenas
sentir... O calafrio na espinha quando saio da Avenida Barão de Maruim e vejo o
rio Sergipe tão verde quanto seus olhos. Gostaria de falar sobre o que tenho aprendido
com você. Novas palavras. Novos gestos. Novos sons. Novos hábitos. E de como
meu olhar é mais doce e calmo, porque tudo que vejo é pela lente dos seus
olhos. E eles são ternos. Estou somando todas as experiências do passado e do
presente para compreender melhor o futuro, quando estivermos com cabelos
grisalhos. Estou revivendo todos os dias ao seu lado. Às vezes, desaprendo para
aprender com você Queria escrever sobre quando seguro sua mão... Quando vejo
seu carro chegar. Quando acordo ao seu lado e espero seus olhos acordarem para
mim... Gostaria de escrever muitas palavras, porque diante de tantas comemorações
da data de hoje, a nossa é a mais importante... Gostaria de falar (ainda dá tempo?!) sobre como você enche meu coração de verde, cor dos seus olhos, e da esperança renovada a cada amanhecer...
sábado, 19 de abril de 2014
Ao Meu Amor
Já não preciso escrever sobre a busca que
tanto movia e motivava dias vazios. E sem razão. Dias de domingo. Dias cinza.
Palavras soltas. Ecoavam na mente. Dilaceravam o peito. O que buscava. O que
procurava. Entrou em mim como sol de verão pela fresta da cortina. Acordando
minha latência. Despertando para a vida. Adoçou minha amargura! Calou incertezas. Estancou dúvidas. Sem dar chance de fazer perguntas. Entrou!
Fez adormecer noites insones. Não procuro mais São Jorge, terno
companheiro, no clarão. Contemplo apenas sua redoma. Cheia, transborda meu
coração. E os pisca-piscas que deixam as noites num eterno Natal. Foi também
madrugada de dia santo que você chegou. Adormeci ouvindo sua voz, falando em
cada poro. No outro dia, saudade! De tudo que já não cabia em mim. E que só
silenciara com você. Pensei em ligar. Pensei em ir. Pensei em você. Ouvia sua
voz. Que calava a minha. Mas, não sufocava. Transbordávamos. Transbordamos! Acontece
algo aqui que tento trancafiar em mim. Ou melhor, devo trancafiar. Mas, como?
Se nosso olhar transbordar na sala. Acontece algo aqui, quando você segura
minha mão. Quando fazemos planos. Lavamos os pratos. Arrumamos a cama. Almoçamos.
Soninho da tarde. Ou apenas, quando sorrimos. Acontece algo aqui, mas não só
acontece. Transforma! Mudança! Não apenas de cidade! Mas, de viver. E eu quero
comemorar isso todos os dias, não apenas naquele dia... É preciso uma nova
poesia para comemorarmos a potência da vida!
domingo, 28 de abril de 2013
(...)
O despertador que não acorda. O telefone
que não toca. Os domingos são sempre doloridos. Tristes. Trazem más notícias. Realçam
a solidão. A tristeza que carrego em minhas costas largas. Céus cinzentos. Nuvens
carregadas de desejos de melhoras. Não há melhorias. É o dia da ausência. É a
quebra da rotina. Não falem mal da rotina. Os hábitos são importantes para aqueles
que nada possuem. Preciso me prender a algo. Criar uma rotina especial para os
domingos. Todos em sua própria casca. Não me deixam entrar. Não sei se quero
entrar. Ficar fora é bom. Mesmo que cause exclusão. Se você sempre foi
excluído, não sofrerá com as perdas. Já perdi. Hoje quero ter paz. E o que
interessa na vida? E o que interessa da vida? Quase não sei... Nem desconfio de
muita coisa. Para dizer que não parafraseei Rosa. Nem das flores. Não é simples
viver. É complexo. Ser responsabilizado por todas as escolhas. Realmente, Jean,
o homem está condenado à liberdade. E o que fazer quando se tem um dia de
domingo inteiro livre? Não podemos ser livres. Temos de ter amarras. Temos de
ser programados. São tantas opções. Por favor, não me mostre muitas. Quero sempre
duas, ao menos. Uma para ter certeza, e a outra para garantir. Ter que escolher
sem saber o que se quer, é fogo, e a vida nem dá uma dica. Talvez a busca se
resuma em um sim. Estamos sempre procurando garantias. Há garantias? Há merecimentos?
É acreditar! Mas, acreditar que? Quem? Verba volant. E o que fica? Experiência? Conhecimento?
E o amor? Talvez, a vida se resuma a isso, um sim, ou, a procura do sim. E o
que fazer com tantos nãos que recebemos? São tantos nãos que recebemos, que nem
sabemos dizer sim. Se pararmos para pensar também somos o sim de alguém, mas
estamos condicionados a falar não. Podemos tentar de outra forma. Mas, temos
antes de criar essa nova forma. A mudança parte sempre de dentro para fora. Não
adianta falar que houve mudanças. É preciso senti-la! Os domingos são sempre cruéis,
reflexivos e cinzas. Basta ficarmos sozinhos que começamos a propor mudanças. Novos
olhares. Nova forma de pensar, agir e se dar... Amanhã é segunda-feira e tudo
volta ao normal.
domingo, 17 de março de 2013
(...)
Quando sento
para escrever. Escrevo tomada pelo delírio. Algo transcende. Inconsciente liberado.
Não tenho domínio. Não sei o início ou o fim. Sei que tenho de estar apta. Não faço
planos com a escrita. Nem com a vida. Às vezes faço com as pessoas. Mas,
desisto fácil. Gosto de me observar no reflexo da lente de seus óculos. Esse tem
sido um plano bom. O plano da minha vida é sobreviver ao minuto seguinte. O futuro
é o próximo segundo. A próxima palavra que escreverei. Quero me libertar de
todas as certezas. Quero ser insegura. Sentir medo. Não quero ser corajosa. Quero
sair do estável. Quero ser humano. Sentir a flor da pele. O desejo. A dor. Seu sorriso
em minha boca. Reencontrar meu eixo. E romper depois. Romper com o conforto. Sentir-me
viva com todas as angústias que isso acarreta. Neste momento estou em processo
de decantação. Tenho distúrbio de imaginação. Escrevo palavras sem nexo para
tentar descrever o que penso. É tudo tão confuso e já passa das 23h. Os
sentimentos se misturam. Combino surtos de fúria demolidora e ternura na mesma
proporção. Serenidade e agitação. Sou apenas fragmentos de sentimentos. Minha escrita
é formada de pedaços. Não há mais o ser. Ser inteiro. São performances instantânea,
circunstancial. Uma vez liberado, liberado.................
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