sábado, 6 de dezembro de 2008

Objeto de amar


De tal ordem é e tão preciosoo
que devo dizer-lhes
que não posso guardá-lo
sem a sensação de um roubo:
cu é lindo!
Fazei o que puderdes com esta dádiva.
Quanto a mim dou graças
pelo que agora sei
e, mais que perdôo, eu amo.

Adélia (Linda!) Prado
Essa especial para você ChiCo's.

domingo, 23 de novembro de 2008

(...)

Eu ouvi um burburinho. E fui tentando acompanhá-lo. Não conseguia ouvi-lo com clareza. E quando estava quase conseguindo ... ele se transformou num sussurro. Era tão baixinho que mal conseguia ouvi-lo. Mesmo assim tentava não ouvir os outros sons. Os sons externos estavam altos. Eu tentava não me dispersar. E aquilo estava cada vez mais baixo. E eu num louco desespero. Correndo atrás daquela voz. Ou daquelas vozes. Às vezes pareciam muitas vozes. Às vezes só uma. O silêncio que pedia fora não fazia festa em mim por dentro. Era difícil silenciar-me. Há tantas vozes dentro de mim. Eu preciso silenciá-las para não perder o sussurro. Eu por dentro sou um turbilhão de sons e sentimentos que explodem a cada piscar de olhos. E quase estava o burburinho. Silêncio! Eu estava perdendo uma guerra para mim. E o medo de perder aquele som me causava desespero. Sentia que estava perto. (E realmente estava perto, mas não pude perceber). Continuava minha busca incessante. Aquelas vozes. Aquela voz. Que não saía de dentro de mim. Enlouquecia-me. Não conseguia saber sobre o que falavam. Sim, estou perto. Estou quente. Só mais um pouco. Um passo a mais e tudo muda de lugar. Não posso voltar o tempo não voltar. Devo seguir. Não posso desistir. Fui entrando. Agora já conseguia ouvir o burburinho com clareza. Queria fazer parte daquilo tudo. Queria sussurrar também. Só me resta abrir a porta. São muitas chaves. E muitas portas em minha frente. A chave caiu da minha mão. E de repente todos se calaram e eu perdi o burburinho...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O que sinto...

O sentimento que trago no peito e que trago em doses lentas todas as manhãs é desconhecido. Eu não sei o que sinto. É indescritível. Por mais que eu tente escrevê-lo e descrevê-lo não consigo. O meu discurso torna-se vazio quando não consigo expressar o que sinto. O sentimento é a mola do ser humano. É o sentimento que o eleva. É o sentimento que o desespera. Se eu não sei o que sinto me componho de vazio. Às vezes acho que quero impor limites. Definir o que sinto é limitá-lo, o que sinto é tão vasto que me devasta por inteiro, porque eu inteira sou sentimento. Isso que estou dizendo sobre sentimento já foi dito. Eu o repito, porque minha repetição revela algo de novo mesmo quando reforça uma idéia anterior. Eu digo o que estou dizendo, mas que outras pessoas já disseram. Esse texto é o meu jeito de (re) escrever essas coisas que já foram ditas. Por isso me repito, pois o que revelo é novo. Novo e diferente. Eu não sinto, aliás, sinto, mas não sei dizer o que é. O sentimento que tenho em mim é avassalador e eu quero abarcá-lo. É algo novo, mas às vezes tenho a impressão que ele já foi sentido antes. Os sentimentos se repetem sim, apenas se vestem de outra maneira para que possamos achá-los inédito. Estamos sempre buscando estréias. E com isso nos repetimos o tempo inteiro. Como eu nesse texto. Eu apenas penso que aquilo que digo é inédito e que é a idéia mais original e única. Mas no fundo do texto eu sei que me repito a cada palavra. E repito tudo o que já disseram antes. A mulher se fez verbo antes de mim. Meu discurso inédito, já se repetiu antes mesmo d’eu me fazer verbo. Não saber o que sinto, me aflige. Me sinto perdida. Sem lugar. Eu não pertenço ao meu lugar. Não pertenço a ele, porque me perdi diante de tudo que sinto. O que sinto me devasta, perfura-me a alma. E logo eu que sou tão casta, tenho minha alma devastada por algo que eu nem sei descrever. Só consigo sentir. Sinto o sentimento meu. Gosto de me colocar no lugar do outro para sentir o que ele sente. E assim sentir mais e quanto mais eu sinto, mais perdida me torno. Minha alma sente um sentimento profundo perfurando-a duplamente. Eu apenas quero dizer isso, mesmo que isso já tenha se revelado. Esse meu texto é uma conversa minha. No momento em que ele está aqui não me pertence mais, pertence a você a sua leitura. A partir dele você escreve o seu texto. Eu queria somente contar a você tudo isso que estou escrevendo, mesmo que você já saiba de tudo. Esse texto é uma conversa de mim para você. O meu discurso monólogo é um desdobramento de mim para ti. E a partir desse momento, esse vasto texto perdido entre tantos sentimentos não me pertence mais... assim talvez como aquilo que eu nem sei o que sinto...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Saudades

Andar pelas ruas de Ondina tem sido uma tortura incrível. Eu ando sozinha. Com um peso no peito. Que me empurra, aliás, me puxa para baixo a todo instante. Eu ando cabisbaixa, contando pedras chutadas e que todos os dias mudam de lugar. Eu as procuro na tentativa de não procurar você. Mas você não saiu de mim. Você está em mim. E permanecerá. “Aonde quer que eu vá, levo você no olhar”. Eu ainda não consigo andar por aquela rua. Eu simplesmente não consigo olhar para ela. Abaixo a cabeça numa tentativa inútil. Tento bloquear em mim as lembranças que a todos instante se fazem presente. Como nós ríamos de tudo! Como fomos felizes em nossos momentos. Saudades daquelas conversas intermináveis ao telefone. Ah! Minha Infinita que saudades de você! São tantas coisas que não foram ditas. Tantos detalhes que não ficaram esclarecidos. Tínhamos todo o tempo do mundo. Aquela conversa que ficou engasgada em nossa garganta. Essa conversa que foi responsável pela distância entre nós. E quando estávamos começando a construir a ponte para transpor esse vão... Você se foi. Deixando um abismo infinito dentro de mim. Sem respostas. Nosso amor nos traiu. E talvez você tenha percebido, mas eu... Eu estava de olhos vendados. Não me deixaram ver o óbvio. E você respeitou minha cegueira. Às vezes tenho a ligeira impressão que tudo isso não aconteceu. Tem dias que acordo achando que vou encontrar com você numa esquina daquelas em Ondina. E se de repente fosse tudo um terrível pesadelo. E você pudesse retornar agora, eu diria que... Eu não diria! Apenas abraçaria você e seguraria sua mão com força. E ficaria sempre perto de você. Somente para sentir você. Tantas coisas você me ensinou sem saber. Amizade e companheirismo. Minha Infinita, tanta falta você me faz. E hoje nesse dia tão especial para nós... um vazio. Eu não ligarei para você hoje, desejando todas aquelas coisas de sempre. E que nós fazíamos questão de repetir. E daqui a dois dias não receberei sua ligação, mas esperarei por ela. E sentirei essa ausência doer. Que poder tem essa pequena palavra dor. E que sofrimento ela causa. Sofrimento imenso. E isso me machuca na alma profundamente. Eu não consigo esquecer essas lembranças maravilhosas. Na verdade não quero esquecer. Tudo aquilo que foi vivido por nós, estará para sempre guardado dentro de mim para que nos dias de solidão eu tire uma pequena dosagem para aliviar a saudade. Esses momentos nossos são o meu antídoto para os dias de saudades em fúria. E só os nossos momentos conseguem preencher esse vazio.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

(...)


Me perfumo a espera de alguém
Que não virá
Escrevo a esperar por você
Procuro seu sorriso nas palavras soltas
Que te escrevo
O seu olhar cruza o meu
Na súbita escrita da rima
Meu corpo é o papel
Que você toca e lê
E pega-o com a voracidade
Que me toma toda
E me devora toda
Porque eu toda sou você.


Heloísa de Sá

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

(...)

E se eu disser que não quero? Não quero mais saber sobre as coisas da vida. Nem as belas. Nem as feras. Nem aquelas que não conseguimos entender. As coisas de repente ficaram sem sentido. Perdi o interesse. Viver é interessante. Mas o meu interesse se perdeu diante da vida. Não penso em desistir. Não quero desistir. E nem quero lutar. E também não quero aceitar apenas. Não quero mudar as cosias. Cada coisa tem um motivo. E eu não quero descobrir o motivo delas. Não quero entender. Nem compreender. Por favor, não tentem me explicar. Eu não pedi explicações. “Existirmos – a que será que se destina?” O destino cuida de tudo. E o tempo é o senhor da razão. No dia em que minha razão encontrar-se com o meu tempo. O tempo já não será meu. O tempo passa. Esse instante já passou. E o futuro é o presente que esquecemos de viver. “Meu tempo é quando”. E o passado? O passado e o futuro se cruzam no presente. O presente é o tempo mais importante. Um passo de cada vez. Logo estarei distante e caminhando. Não tenho pressa. Não sei correr. Meu tempo é diferente dos demais. Muitos não conseguem me compreender. Eu não pedi para ser compreendida. Eu não quero ser compreendida. Eu não sei o que é compreensão. Aliás, muitas das palavras que escrevo não o que significa. O que quer dizer “coisa”? Coisa para mim significa quase tudo. E na maioria das vezes é tudo. Tudo que não sei coisifico. E como não sei muito, coisifico quase tudo ou tudo. Depende do momento. Tudo o que sei não se traduz. “As palavras eram perdidas Nas curvas escuras da vida E eu nunca estava lá”. Apenas posso afirmar que sei o que não quero, mas o que quero eu ainda não sei.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Falares...


Hoje é um dia muito especial e quero dizer muitas coisas. Minhas satisfações. E insatisfações. Não, não quero dar satisfações e nem insatisfações da minha vida. Isso não quero. Quero dizer apenas que eu não tenho obrigação de escrever. Não tenho. Simplesmente escrevo, porque necessito. Repito. Necessito escrever. (Estou me repetindo duplamente, porque o post anterior falava justamente sobre isso. Sobre minha necessidade em escrever.) Não sou obrigada a escrever. Obrigada escrita por completar a minha vida. Obrigada a você que ler essas coisas. Quero dizer outra coisa e quando eu quero eu digo. O prazer que sinto por viver me faz esquecer o desconforto que é estar vivo. Viver é desconfortável. Eu sou irritante e desconfortada. E incomodada também. Viver é um incômodo desconforto. Mas alegria que trago por viver desconfortável é superior ao desconforto de viver a vida. Vivo minha vida tão intensamente que nem sinto o desconforto da vida. Quero falar também da saudade que sinto. Sinto uma saudade aconchegante invadir meu coração. Ainda bem que vivi tudo aquilo intensamente. Aquilo do que sinto tanta saudade ainda não foi preenchido. Saudade é preenchida? Eu tive a melhor e agora não posso me contentar com aquilo. Aquilo que tentam me empurrar goela abaixo e sem suco de abacaxi com hortelã para ajudar a digerir. Me enfiaram goela abaixo secamente. Eu não quis aquilo ou isso e nem quero. Me enganaram. Eu serei mais clara agora. (Por um instante deixarei de me revelar nas entrelinhas). Sayonara, minha DIVA, estou falando de você. Para você. E com você. Como eu posso aceitar aquele povo todo se achando? Aliás, eles não se acham eles são. O quê eu ainda não descobri. Assim que souber prometo escrever aqui no blog. Sim, voltando. Eles “os federais” se acham superiores a tudo e a todos. E só eles sabem. Claro! O que eles falam só eles compreendem. E às vezes eles se perdem em suas falas vazias. Metafísicos. Só eles beberam da fonte e ao sair de lá a fonte secou. Sayonara, minha DIVA, como eu posso me contentar com “os federais” se eu tive o prazer de ter aula com a melhor? Não posso. Não quero. Se eu fosse tão corajosa (como gostaria) seqüestraria você e levaria para dar aula para eles. Mas eu não sou tão corajosa. E é esse “tão” que me lenha bonitinho de verde e amarelo. Sayo, minha DIVA, você está me ouvindo? Que saudades daqueles encontros fantásticos. Das gargalhadas. Das piscadelas. E do ar blasé. Vou me repetir. Ainda bem que vivi tudo aquilo intensamente. Quero falar também sobre sorrisos. Estou encantada por um sorriso. São os dentes mais tortos que já vi. E que de tão tortos tornam-se perfeitos. Portanto sorria meu bem. Sorria por tudo e para todos. E especialmente para mim. Ainda me restam algumas linhas. Então falarei do prazer que sinto ao ler os blog’s. Os blog’s que estão indicados aqui ao lado direito são tão lindos. É um prazer enorme lê-los. Sinto uma coisa invadir meu peito. E vai tomando meu corpo inteiro. É uma loucura! Uma loucura boa. Ai... ai... As linhas estão acabando... só me resta dizer uma coisa assim como a DIVA, já fui banda!